Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

A independência dos media quando confrontada com apoios estatais

Devem os meios de comunicação ter apoio oficial dos Estados em que se publicam? Ou a virtude e a independência estão na sua competição uns com os outros e na sobrevivência dos mais fortes, em economia de mercado sem interferência reguladora de qualquer espécie?

Aqui expostas em termos simplistas, estas são as duas “escolas de pensamento” que têm ocupado o espaço de debate público, mais ainda numa época em que tantos jornais têm sucumbido por efeito de um outro elemento imprevisto: a rapidez da inovação tecnológica digital.

Alfonso de la Quintana, professor de Empresa Informativa na Universidade Rey Juan Carlos, assina um elaborado estudo sobre esta matéria, detendo-se no caso espanhol mas referindo-se também ao ocorrido em quatro outros países europeus. O seu trabalho vem publicado em Cuadernos de Periodistas, da APM – Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

O autor começa por distinguir entre dois tipos de rentabilidade da empresa jornalística, a económica e a de influência (ou ideológica), dando exemplos do poder desta última e concluindo que, “tendo em conta esta característica, pode deduzir-se que qualquer Governo ou instituição que ajude um meio de comunicação pode, em troca, exigir alguma lealdade ideológica”.

 

São depois apresentadas as duas “escolas de pensamento” mais conhecidas, a “proteccionista” (dando como exemplo a Imprensa dos antigos países do bloco comunista, ou de países em vias de desenvolvimento), e a “liberal” (“o modelo mais difundido nos EUA e muito presente na actualidade pela escola económica neo-liberal”). 

Alfonso de la Quintana descreve também os vários tipos de ajudas estatais existentes no conjunto de Espanha, citando a respectiva legislação, e as especificamente autonómicas, como a lei basca de Abril de 1997, a lei catalã de Outubro de 1995 e a lei galega de Setembro de 1996.

 

Apresenta depois quatro casos de países europeus em que o Estado tomou medidas de apoio à Imprensa:   

 

1 - o da Suécia, com um dos mais elevados “índices de mortalidade de jornais” (eram 250 em 1950, passaram a ser 146, e as cidades onde há um jornal diário eram 51, são agora 20).

2 - o da Alemanha, (eram 755 em 1950, desceram para 364, e só entre 1974 e 1976 as receitas de publicidade caíram 50%).

3 - o da Grã-Bretanha, onde, segundo o autor, “as ajudas do Estado não são tão numerosas como noutros países porque as empresas jornalísticas britânicas se negam a aceitá-las” e a crise é agravada, entre outros factores, pelo “papel intransigente dos sindicatos, que não permitiram uma redução de pessoal na sobredimensionada mão-de-obra dos jornais”.

4 - e o de França, onde o Governo anunciou a intenção de suprimir um apoio indirecto, de natureza fiscal, que benficiava os salários dos profissionais, levantando contra si a oposição do colectivo dos cerca de 25 mil jornalistas franceses.

 

No final de uma leitura comparada destes exemplos, Alfonso de la Quintana conclui:  

 

“É preciso ajudar com transparência e de maneira pontual as empresas jornalísticas, para fomentar a liberdade, em momentos altamente críticos. As ajudas devem ser independentes, sem poder exigir-se em troca uma prestação ideológica ou económica.” 

 

O texto original, em Cuadernos de Periodistas

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


ver mais >
Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
Agenda
16
Set
16
Set
Ferramentas Google para Jornalistas
09:00 @ Cenjor,Lisboa
19
Set
Local Media Fal(l) School
09:00 @ Covilhã
23
Set
Radio Broadcasters Convention of Southern Africa
09:00 @ Johannesburg, África do Sul