Segunda-feira, 25 de Março, 2019
Media

A implosão do jornalismo como o conhecíamos e as alternativas para a crise da Imprensa

A presente crise do jornalismo, nos EUA, é não só uma ameaça à democracia como uma questão premente de “segurança nacional”. Quem põe a questão nestes termos fortes é o jornalista americano David Sassoon, que defende como resposta a criação de pequenas empresas de jornalismo não lucrativo e explica os sete motivos da sua viabilidade e vantagens.

Recolhemos esta reflexão do Global Investigative Journalism Network, que por sua vez a reproduz com autorização do site fundado pelo autor, InsideClimate News.

O autor começa por descrever a “implosão do jornalismo como o conhecíamos”, traduzida em “dezenas de milhares de jornalistas que perderam os seus empregos nesta última década”:

“Nos cerca de 1.400 jornais diários existentes nos Estados Unidos, encontram-se a trabalhar 33 mil jornalistas, quando em 2007 eram 55 mil.”

 

David Sassoon propõe depois uma imagem pertinente:

“A Imprensa livre é o órgão da transparência e da responsabilidade. Mantém a democracia livre de toxinas, funcionando como o fígado do nosso corpo político. Sem ele, entramos em disfunção metabólica e afogamo-nos no nosso próprio veneno.”

 

O problema, como diz com alguma ironia, é que, embora a Primeira Emenda [da Constituição dos EUA] identifique o direito a uma Imprensa livre, não garante nem explica como será paga: “Uma Imprensa livre é um atributo fundamental da liberdade mas, sobre a questão de ser um projecto lucrativo, a Constituição é omissa.”  

O autor reconhece que o jornalismo não lucrativo não será uma “cura completa” para tudo o que nos aflige mas, pelo menos, já “provou ser um tónico poderoso para o doente”.

 

Dos seus sete pontos em defesa de um jornalismo não lucrativo, os primeiros cinco explicam como é que este tónico não lucrativo funciona:  1 – A sua única missão é a prática do jornalismo,  2 – Os recursos são usados de modo mais eficiente,  3 – Resiste às pressões que comprometem a independência editorial,  4 – Só sobrevive com elevados padrões de jornalismo,  5 – Desenvolve competências e conhecimentos especializados nos nichos de informação referidos no ponto anterior.

 

Os últimos dois pontos são também dois apelos:  6 – O jornalismo não lucrativo precisa do apoio dos seus leitores e...  7 – Precisa, também, de algum mecenato.

David Sassoon fala da entrada de Jeff Bezos no Washington Post e propõe:

 

“Ao próximo ‘anjo’ com esse dinheiro para gastar em jornalismo, aqui fica uma sugestão:  funde 50 projectos não lucrativos, dê a cada um cinco milhões de dólares em dinheiro de lançamento e deixe-os rodar. Mesmo que só sobreviva um terço ou um quarto deles, seria um grande investimento no futuro do jornalismo americano.”

 

O texto original de David Sassoon, no GIJN, e o site InsideClimate News

Connosco
José Ribeiro e Castro em Abril no jantar-debate do CPI Ver galeria

Advogado de profissão, político por vocação com um pé na Comunicação Social, José Ribeiro e Castro é o próximo orador–convidado no ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?”, marcado para 16 de Abril, na Sala da Biblioteca do Grémio Literário.

Deputado, eurodeputado, governante , membro da equipa fundadora da TVI com Roberto Carneiro e antigo líder do CDS,  José Ribeiro e Castro começou cedo a respirar a política em casa.

Filho de Fernando Santos e Castro, que presidiu à Camara Municipal de Lisboa e foi o último governador português em Angola, Ribeiro e Castro nasceu em Lisboa  a 24 de Dezembro de 1953. É casado e tem três filhas e um filho.

Risco de nova “ordem mundial de Informação” sob modelo chinês Ver galeria

No contexto da visita do Presidente Xi Jinping a vários países europeus, para promover as “novas rotas da seda” das ambições económicas e geo-estratégicas da China, importa prestar também atenção à “nova ordem mundial da Informação” contida no projecto geral. Segundo um relatório muito recente dos Repórteres sem Fronteiras, o governo chinês, seguro do controlo que já exerce sobre os media nacionais e a Internet no seu próprio espaço, deseja impor um vocabulário “ideologicamente correcto” também fora de fronteiras.

E procura consegui-lo por uma panóplia de meios, que vão desde a sedução dos media ou jornalistas estrangeiros até várias formas de pressão ou mesmo intimidação.

“Há dez anos punha-se a questão de melhorar a situação na China. Mas, enquanto ONG de defesa da liberdade de Imprensa e dos jornalistas, encontramos cada vez mais dificuldades em ter impacto no país. A questão que se coloca hoje é: de que modo podem as democracias defender-se da influência mediática chinesa?”  - diz Cédric Alviani, presentante dos RSF para a Ásia Oriental.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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