null, 17 de Novembro, 2019
Media

A implosão do jornalismo como o conhecíamos e as alternativas para a crise da Imprensa

A presente crise do jornalismo, nos EUA, é não só uma ameaça à democracia como uma questão premente de “segurança nacional”. Quem põe a questão nestes termos fortes é o jornalista americano David Sassoon, que defende como resposta a criação de pequenas empresas de jornalismo não lucrativo e explica os sete motivos da sua viabilidade e vantagens.

Recolhemos esta reflexão do Global Investigative Journalism Network, que por sua vez a reproduz com autorização do site fundado pelo autor, InsideClimate News.

O autor começa por descrever a “implosão do jornalismo como o conhecíamos”, traduzida em “dezenas de milhares de jornalistas que perderam os seus empregos nesta última década”:

“Nos cerca de 1.400 jornais diários existentes nos Estados Unidos, encontram-se a trabalhar 33 mil jornalistas, quando em 2007 eram 55 mil.”

 

David Sassoon propõe depois uma imagem pertinente:

“A Imprensa livre é o órgão da transparência e da responsabilidade. Mantém a democracia livre de toxinas, funcionando como o fígado do nosso corpo político. Sem ele, entramos em disfunção metabólica e afogamo-nos no nosso próprio veneno.”

 

O problema, como diz com alguma ironia, é que, embora a Primeira Emenda [da Constituição dos EUA] identifique o direito a uma Imprensa livre, não garante nem explica como será paga: “Uma Imprensa livre é um atributo fundamental da liberdade mas, sobre a questão de ser um projecto lucrativo, a Constituição é omissa.”  

O autor reconhece que o jornalismo não lucrativo não será uma “cura completa” para tudo o que nos aflige mas, pelo menos, já “provou ser um tónico poderoso para o doente”.

 

Dos seus sete pontos em defesa de um jornalismo não lucrativo, os primeiros cinco explicam como é que este tónico não lucrativo funciona:  1 – A sua única missão é a prática do jornalismo,  2 – Os recursos são usados de modo mais eficiente,  3 – Resiste às pressões que comprometem a independência editorial,  4 – Só sobrevive com elevados padrões de jornalismo,  5 – Desenvolve competências e conhecimentos especializados nos nichos de informação referidos no ponto anterior.

 

Os últimos dois pontos são também dois apelos:  6 – O jornalismo não lucrativo precisa do apoio dos seus leitores e...  7 – Precisa, também, de algum mecenato.

David Sassoon fala da entrada de Jeff Bezos no Washington Post e propõe:

 

“Ao próximo ‘anjo’ com esse dinheiro para gastar em jornalismo, aqui fica uma sugestão:  funde 50 projectos não lucrativos, dê a cada um cinco milhões de dólares em dinheiro de lançamento e deixe-os rodar. Mesmo que só sobreviva um terço ou um quarto deles, seria um grande investimento no futuro do jornalismo americano.”

 

O texto original de David Sassoon, no GIJN, e o site InsideClimate News

Connosco
Centro Báltico ensaia novos modelos para o jornalismo investigativo Ver galeria

Um dos principais actores no campo do jornalismo colaborativo no Báltico é o Re:Baltica – Centro Báltico para a Investigação do Jornalismo de Investigação. O projecto está sediado na capital da Letónia, Riga, e foi criado há oito anos, introduzindo duas ideias inovadoras para a prática do jornalismo na região.

O Centro realiza pesquisas e cria uma história e, posteriormente, fornece-a, a título gratuito, aos meios de comunicação. Em segundo lugar, adoptou um novo modelo de negócio, que depende principalmente de doações e concessões.

O Observatório Europeu de Jornalismo falou recentemente com Inga Springe, questionando-a sobre o trabalho quotidiano de uma organização de comunicação social, sem fins lucrativos, e os desafios que actualmente enfrenta.

Springe defende que que o problema não é o das pessoas lerem o jornal "certo" ou "errado". O problema é não lerem os media tradicionais. Esse foi o motivo que a levou a impulsionar com o projecto Re:Baltica Light e várias reportagens sob a rubrica #StarpCitu (#ByTheWay), disponíveis no YouTube e no Facebook.

Um artigo sobre a organização foi publicado, pela primeira vez, no site do Observatório Europeu de Jornalismo e reproduzido no site da GIJN, do qual a Re:Baltica é membro.

O “LeKiosk” muda para “Cafeyn” e alarga oferta a assinantes Ver galeria

O serviço de notícias LeKiosk mudou de nome para Cafeyn e passou a apresentar-se como um serviço de streaming de informações. O quiosque digital permite a consulta de mais de mil títulos de imprensa francesa e internacional por 9,99 euros por mês.

A mudança de nome e de visual têm como objectivo atrair um público mais numeroso e fazer frente à Apple News+.

De salientar que a alteração da designação é, também, explicada por uma batalha jurídica, iniciada em 2012, entre LeKiosk Monkiosque.fr, publicada pelo Grupo Toutabo.

O departamento de propriedade intelectual da União Europeia decidiu, em Março, que havia um risco de confusão para o público, e que a Toutabo tinha registado a sua marca antes da LeKiosk.

Cafeyn tem, atualmente, cerca de um milhão de utilizadores activos por mês, em comparação com os 200 mil em 2017, que lêem uma média de 15 revistas diferentes. A maior parte destes assinantes foram obtidos através de operadores de telecomunicações, como a Bouygues Telecom e a Free, que oferecem o acesso a alguns dos seus clientes.

Isto permitiu à empresa aumentar o seu volume de negócios, que quintuplicou em três anos.

Em breve deverão ser anunciadas parcerias internacionais.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Agenda
19
Nov
Connections Europe
09:00 @ Marriott Hotel, Amsterdão
19
Nov
19
Nov
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10:00 @ Teatro Tivoli
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Nov