Sexta-feira, 22 de Março, 2019
Media

A Internet vulgarizou o acesso global do mensageiro

A livre expressão e comunicação do pensamento vive uma situação paradoxal: nunca, como hoje, “foi tão fácil e tão barato para tantas pessoas manifestar suas opiniões a grandes comunidades”; ao mesmo tempo, talvez nunca tenha sido tão perigoso contrariar o gosto ou o interesse dos poderosos.

A Internet democratizou, ou vulgarizou, o acesso a meios que permitem ao emissor de qualquer mensagem atingir grandes grupos de pessoas. Mas, ao amplificar deste modo a sua voz, aumenta também a sua exposição e vulnerabilidade aos que podem sentir-se incomodados por ela.

É este o fundo de uma reflexão publicada em edição recente da Revista de Jornalismo da ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, e reproduzida pelo Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

O texto que citamos lembra que, até há bem pouco tempo, “quem quisesse transmitir seus pontos de vista para grandes grupos de pessoas precisava de capital, ou político ou económico, para ter acesso à Imprensa, rádio e TV”.

Com a Internet, multiplicaram-se os meios de uso individual, “mas também aumentam as formas de censurar, reprimir, intimidar os que transmitem conteúdo que desagrade a poderosos”.

Segue-se uma descrição das fórmulas possíveis dessa repressão, com exemplos recentes, nomeadamente da iniciativa de Estados, mas também de outros movimentos, instituições ou interesses, como o extremismo religioso, o narcotráfico e o crime organizado.

O autor cita depois a má relação do candidato Donald Trump, nos EUA, com a Imprensa, e casos de delegados policiais, juízes e promotores que colocam acções contra jornalistas, ocorridos no Brasil. 

O texto conclui:

“Esses factos demonstram como é frágil o actual estado da liberdade de expressão e de imprensa no mundo, o que traz preocupações graves sobre o futuro da democracia.”

 

O artigo na íntegra, no Observatório da Imprensa.

Connosco
O jornalismo entre os "apóstolos da certeza" e a "política da dúvida" Ver galeria

Há uma grande diferença entre um jornalismo “de elite” e aquele que vive dependente do clickbait. Há uma grande diferença, temporal, entre o que se faz hoje e o que se fazia há poucos anos  - tratando-se de tecnologia digital, “o que aconteceu há cinco anos é história”. E há uma grande diferença entre entender o que está a acontecer aos jornalistas e entender o que os jornalistas acham que lhes está a acontecer.

A reflexão inicial é de C.W. Anderson, que se define como um etnógrafo dedicado a estudar o modo como o jornalismo está a mudar com o tempo. Foi co-autor, com Emily Bell e Clay Shirky, do Relatório do Jornalismo Pós-Industrial, em 2012, na Universidade de Columbia. O seu trabalho mais recente é Apóstolos da Certeza: Jornalismo de Dados e a Política da Dúvida, livro em que analisa como a ideia de jornalismo de dados mudou ao longo do tempo.

Cidadão dos EUA, C.W. Anderson é hoje professor na Escola de Jornalismo da Universidade de Leeds, no Reino Unido. A entrevista que aqui citamos foi publicada no Farol Jornalismo, do Medium, e reproduzida no Obervatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Onde os jornalistas revelam uma relação de amor-e-ódio com gravadores Ver galeria

Há jornalistas que fazem questão de dizer que nunca gravaram uma entrevista. Há os que não dispensam o seu gravador de som. Há os que gravam e “filmam” com o telemóvel, explicando que só o vídeo acrescenta a expressão facial.

Há os que são mesmo opostos ao uso do gravador, e explicam porquê. E há os que decidem em que casos se deve levar um gravador  - cuja simples presença pode alterar a disponibilidade do entrevistado.

Há os que se gabam da sua velocidade de escrita e memória do que foi dito, e há os que consideram os que fazem isto como desleixados ou demasiado confiantes. E, finalmente, há situações em que, até por lei [por exemplo nos EUA], não se pode gravar nem filmar nem fotografar.

Matthew Kassel, um freelancer com obra publicada em The New York Times e The Wall Street Journal, interessou-se por esta questão e reuniu os depoimentos de 18 jornalistas sobre os vários lados da questão.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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