Sexta-feira, 16 de Novembro, 2018
Media

A Internet vulgarizou o acesso global do mensageiro

A livre expressão e comunicação do pensamento vive uma situação paradoxal: nunca, como hoje, “foi tão fácil e tão barato para tantas pessoas manifestar suas opiniões a grandes comunidades”; ao mesmo tempo, talvez nunca tenha sido tão perigoso contrariar o gosto ou o interesse dos poderosos.

A Internet democratizou, ou vulgarizou, o acesso a meios que permitem ao emissor de qualquer mensagem atingir grandes grupos de pessoas. Mas, ao amplificar deste modo a sua voz, aumenta também a sua exposição e vulnerabilidade aos que podem sentir-se incomodados por ela.

É este o fundo de uma reflexão publicada em edição recente da Revista de Jornalismo da ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, e reproduzida pelo Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

O texto que citamos lembra que, até há bem pouco tempo, “quem quisesse transmitir seus pontos de vista para grandes grupos de pessoas precisava de capital, ou político ou económico, para ter acesso à Imprensa, rádio e TV”.

Com a Internet, multiplicaram-se os meios de uso individual, “mas também aumentam as formas de censurar, reprimir, intimidar os que transmitem conteúdo que desagrade a poderosos”.

Segue-se uma descrição das fórmulas possíveis dessa repressão, com exemplos recentes, nomeadamente da iniciativa de Estados, mas também de outros movimentos, instituições ou interesses, como o extremismo religioso, o narcotráfico e o crime organizado.

O autor cita depois a má relação do candidato Donald Trump, nos EUA, com a Imprensa, e casos de delegados policiais, juízes e promotores que colocam acções contra jornalistas, ocorridos no Brasil. 

O texto conclui:

“Esses factos demonstram como é frágil o actual estado da liberdade de expressão e de imprensa no mundo, o que traz preocupações graves sobre o futuro da democracia.”

 

O artigo na íntegra, no Observatório da Imprensa.

Connosco
Bettany Hugues, prémio Helena Vaz da Silva a comunicar história e património cultural Ver galeria

A historiadora britânica Bettany Hugues, que recebeu este ano o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, sublinhou a importância da memória em toda a actividade humana, mesmo quando se trata de criar um mundo novo. Reconhecida, tanto a nível académico como no da divulgação científica pela televisão, explicou o seu percurso nesta direcção, que “não foi fácil”, como disse, e terminou com um voto pela “paz e a vida, e ao futuro poderoso da Cultura e da herança”.

Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hugues como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

Graça Fonseca, ministra da Cultura, evocou a figura de Helena Vaz da Silva pelo seu “contributo de excepção para a cultura portuguesa, quer enquanto jornalista e escritora, quer na sua vertente mais institucional”, como Presidente da Comissão Nacional da UNESCO e à frente do Centro Nacional de Cultura.

Para Dinis de Abreu, que interveio na sua qualidade de Presidente do Clube Português de Imprensa, Bettany Hughes persegue, afinal, um objectivo em tudo idêntico ao que um dia Helena Vaz da Silva atribuiu aos seus escritos, resumindo-os como “pequenas pedras que vou semeando”:

“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

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O Clube

Foi em Novembro de 2015 que o Clube Português de Imprensa criou este site, consagrado à informação das suas actividades e à divulgação da actualidade relacionada com o que está a acontecer, em Portugal e no mundo, ao jornalismo e aos   jornalistas.

Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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