Quinta-feira, 18 de Julho, 2019
Media

A Internet vulgarizou o acesso global do mensageiro

A livre expressão e comunicação do pensamento vive uma situação paradoxal: nunca, como hoje, “foi tão fácil e tão barato para tantas pessoas manifestar suas opiniões a grandes comunidades”; ao mesmo tempo, talvez nunca tenha sido tão perigoso contrariar o gosto ou o interesse dos poderosos.

A Internet democratizou, ou vulgarizou, o acesso a meios que permitem ao emissor de qualquer mensagem atingir grandes grupos de pessoas. Mas, ao amplificar deste modo a sua voz, aumenta também a sua exposição e vulnerabilidade aos que podem sentir-se incomodados por ela.

É este o fundo de uma reflexão publicada em edição recente da Revista de Jornalismo da ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, e reproduzida pelo Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

O texto que citamos lembra que, até há bem pouco tempo, “quem quisesse transmitir seus pontos de vista para grandes grupos de pessoas precisava de capital, ou político ou económico, para ter acesso à Imprensa, rádio e TV”.

Com a Internet, multiplicaram-se os meios de uso individual, “mas também aumentam as formas de censurar, reprimir, intimidar os que transmitem conteúdo que desagrade a poderosos”.

Segue-se uma descrição das fórmulas possíveis dessa repressão, com exemplos recentes, nomeadamente da iniciativa de Estados, mas também de outros movimentos, instituições ou interesses, como o extremismo religioso, o narcotráfico e o crime organizado.

O autor cita depois a má relação do candidato Donald Trump, nos EUA, com a Imprensa, e casos de delegados policiais, juízes e promotores que colocam acções contra jornalistas, ocorridos no Brasil. 

O texto conclui:

“Esses factos demonstram como é frágil o actual estado da liberdade de expressão e de imprensa no mundo, o que traz preocupações graves sobre o futuro da democracia.”

 

O artigo na íntegra, no Observatório da Imprensa.

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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