Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

O ofício de informar nos media não pode ser fuga à realidade

O jornalista profissional tem razão para muitos motivos de perplexidade a respeito do que está a acontecer com o seu trabalho, ou do modo como a tecnologia acelerou as mudanças impostas à estrutura dos meios tradicionais, ou ainda da “interferência comercial na relação emissor e receptor”  -  mas esse questionamento pode estar a ser feito “de maneira equivocada”.

A proposta do jornalista Leonardo Rodrigues é a de prestarmos mais atenção ao que mudou na vida daquelas pessoas “que só assistiam da poltrona”, e agora têm “a possibilidade de transmitirem, gravarem, escreverem, opinarem e repercutirem a própria produção”. Aceitando que estes “novos comunicadores conquistam audiência com velocidade que causa inveja e crises existenciais aos antigos media”.

A sua reflexão foi publicada no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

É claro que esta avaliação pode e deve ser crítica. O autor começa por dizer que “o ofício de informar já não é tão simples”, e que “os rumos que a profissão de comunicador social está tomando causam mais perguntas do que respostas”. 

No decurso do seu texto, Leonardo Rodrigues admite que tanto o leitor/espectador, mergulhado na multiplicidade dos meios a que tem acesso, pode “subestimar a nova realidade”, como o próprio profissional, concentrado na reinvenção dos formatos dos meios tradicionais, pode chegar ao fim e descobrir que “a informação embalada em belos embrulhos comerciais apenas foge da realidade e afugenta uma massa que já não é mais fiel”. 

Segundo o autor, o caminho "para a recuperação de antigas plataformas passa por reconhecer que o modelo actual saturou. Passa na manutenção da ética e princípios pertinentes à responsabilidade, mas somados à flexibilidade de não só emitir, mas também receber, de ser canal e palco para aqueles que só ficavam na plateia".

 

O texto na íntegra, no Observatório da Imprensa; imagem sobre jornalismo-cidadão, do site newdiaspora.com

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


ver mais >
Opinião
Sobre a liberdade de expressão em Portugal
Francisco Sarsfield Cabral
O caso da participação num programa matinal da TVI de um racista, já condenado e tendo cumprido pena de prisão, Mário Machado, suscitou polémica. Ainda bem, porque as questões em causa são importantes. Mas, como é costume, o debate rapidamente derivou para um confronto entre a esquerda indignada por se ter dado tempo de antena a um criminoso fascista e a direita defendendo a liberdade de expressão e a dualidade de...
O panorama dos media
Manuel Falcão
Se olharmos para o top dos programas mais vistos na televisão generalista em 2018 vemos um claro domínio das transmissões desportivas, seguidas a grande distância pelos reality shows e, ainda mais para trás, pelas telenovelas. No entanto as transmissões televisivas produzem apenas picos de audiência e contribuem relativamente pouco para as médias e para planos continuados. O dilema das televisões generalistas está na...
Informar ou depender…
Dinis de Abreu
O título deste texto corresponde a um livro publicado nos anos 70 por Francisco Balsemão, numa altura em que já se ‘contavam espingardas’ para pôr termo ao Estado Novo, como veio a acontecer com o derrube de Marcello Caetano, em 25 de Abril de 74.  A obra foi polémica à época e justamente considerada um ‘grito de alma’, assinada por quem começara a sua vida profissional num jornal controlado pela família...
Há, na ideia de uma comunicação social estatizada ou ajudada pelo governo, uma contradição incontornável: como pode a imprensa depender da entidade que mais se queixa da imprensa? Uma parte da comunicação social portuguesa – televisão, rádio, imprensa escrita — é deficitária, está endividada e admite “problemas de tesouraria”. Mas acima desse, há outro problema, mais grave:...
O jornalismo estará a render-se à subjetividade, rainha e senhora de certas redes sociais. As ‘fake news’ e o futuro dos media foram dos temas mais falados na edição de 2018, da Web Summit. Usadas como arma de arremesso político e de intoxicação, as notícias falsas são uma praga. Invadem o espaço público, distorcem os factos, desviam a atenção, comprometem a reflexão. E pelo caminho...