Quarta-feira, 30 de Novembro, 2022
Estudo

Interesse noticioso diminui em Portugal segundo o OberCom

O interesse geral por notícias caiu cerca de 18 pontos percentuais desde o ano passado, revela o estudo do OberCom. No entanto, o nível de confiança dos portugueses nas notícias continua elevado. Portugal ocupa a segunda posição no grupo de 46 países estudados, sendo apenas ultrapassado pela Finlândia. O relatório destaca que no nosso país, entre 2017 e 2022, a proporção de inquiridos a afirmar que confia nas notícias não variou mais de 5,6 pontos percentuais.

Entre os anos de 2021 e 2022, 51,1% dos inquiridos dizem ter interesse em conteúdos noticiosos em geral face a 68,6%.

Em 2021, a proporção de inquiridos a declararem “não ter interesse em notícias” mais do que duplicou, aumentando em 5,5 pontos percentuais face ao ano anterior. Segundo o relatório, a quebra geral no interesse por notícias poderá estar relacionada com a excessiva dupla-tematização da agenda noticiosa em torno dos temas pandemia e eleições legislativas 2022.

Entre os portugueses que utilizam a Internet, “observa-se que o interesse por notícias em geral aumenta com a idade, rendimento do agregado familiar e escolaridade dos inquiridos e que as quebras no interesse por conteúdos noticiosos são transversais a toda a sociedade portuguesa, em todas as demografias, registando-se, no entanto, quebras mais acentuadas entre os portugueses com menores rendimentos e escolaridade mais baixa”.

Os utilizadores da Internet quando questionados sobre as principais motivações para o acompanhamento da agenda noticiosa, “tendem relacionar o seu interesse com aspectos relacionados com a importância e utilidade da informação”.

Na faixa etária acima dos 35 anos, entre os inquiridos mais velhos “há uma identificação mais clara com a importância / utilidade pessoal e o dever cívico de estar informado”. Cerca de seis em cada 10 indivíduos nessa categoria identifica esses dois factores como os principais motivos para estar a par do que se passa, em termos informativos.

Como razões apresentadas para a recusa voluntária de notícias o relatório identifica; “o excesso de notícias sobre a Covid-19 (36,1%), o cansaço com o excesso de notícias em geral (25,8%), e o facto de as notícias afectarem negativamente o humor (20,2%)”.

No que respeita à confiança nos órgãos de informação, o relatório considera o panorama positivo. “Num total de 15 marcas, existem em Portugal nove nas quais mais de 70% da amostra diz confiar”; RTP, SIC, Jornal de Notícias, RFM, Rádio Comercial, Expresso, Público, TSF e RDP Antena 1.

A RTP, SIC e Jornal de Notícias destacam-se, particularmente, com mais de três quartos dos portugueses que utilizam a Internet a afirmar que confiam nestas marcas (77,8%, 77,6% e 76,0%, respectivamente).

No respeitante ao uso da Internet, 36,2% dos utilizadores dizem concordar com a afirmação dos websites noticiosos usarem os seus dados pessoais de forma responsável.

No entanto, no caso das redes sociais, há menos portugueses a concordar que as plataformas usam os dados dos utilizadores de forma responsável (32,4%, sendo que 34,2% dos inquiridos dizem efectivamente discordar).

O smartphone continua o equipamento mais utilizado para aceder às notícias, atingindo 85,1%, assegurando o consumo de notícias para 74,8% dos portugueses utilizadores de Internet.

O computador, portátil ou de secretária para acesso a notícias é, actualmente, usado por cerca de menos de metade dos inquiridos, enquanto o tablet continua a apresentar percentagens de utilização menores quando comparado com os outros aparelhos.

Pagar pelas notícias continua a não ter, em Portugal, uma dimensão expressiva. Em 2022, o Reuters DNR revelou que “apenas 12% dos portugueses afirmam ter pago por notícias em formato digital no ano anterior o que representa menos 5 pontos percentuais face à média global de 17%”.

Os conteúdos pelos quais os portugueses mais pagam são o streaming de filmes / séries, com 21,5% dos utilizadores da Internet a subscrever pelo menos uma destas ofertas e 9,5% a subscrever duas.

Para consultar o relatório completo vá a: https://obercom.pt/wp-content/uploads/2022/06/DNRPT_2022_FINAL_14Jun.pdf

Connosco
Maestrina Oksana Lyniv recebeu o Prémio Helena Vaz da Silva na Fundação Gulbenkian Ver galeria

Numa cerimónia realizada no auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, foi homenageada a maestrina ucraniana Oksana Lyniv, vencedora do Prémio Helena Vaz da Silva, atribuído anualmente pelo Centro Nacional de Cultura, com o apoio da Europa Nostra e do Clube Português de Imprensa.

Na cerimónia, presidida pelo Ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, e sendo anfitrião Guilherme de Oliveira Martins, administrador da Fundação, a figura e a carreira de Oksana Lyniv foi apresentada pela maestrina Joana Carneiro.

Impossibilitada de se deslocar a Portugal, por motivos pessoas insuperáveis, foi o seu pai quem recebeu o prémio, em sua representação.

Recorde-se que a vencedora da décima edição do Prémio Helena Vaz da Silva concedeu, entretanto, uma entrevista ao semanário Expresso, na qual declarou que a invasão russa do seu país é uma clara tentativa de destruir uma nação, tendo sido, completamente, motivada por ódio.

Em relação à família que tem na Ucrânia, a vencedora do prémio revelou que estes querem permanecer no país, dedicando-se a acolher e ajudar várias famílias de refugiados.

Lyniv comentou, também, o papel dos artistas na guerra, descrevendo as grandes obras artísticas como “canais para comunicar algo importante”. De acordo com a maestrina, “quando olhamos [para] a história da cultura, e estudamos as obras e o contexto em que foram criadas, vemos que os grandes artistas — Michelangelo, Mozart ou Beethoven — agiram dentro de uma sociedade, por vezes uns passos à frente dela”.

No entanto, Lyniv admitiu que o papel que a arte e os artistas assumem tem vindo a ser cada vez mais explorado e usado para fins de propaganda, como é o caso do maestro russo Valery Gergiev, que se tornou “uma bandeira do regime ditatorial de Putin”.

Em relação à sua carreira profissional, Lyniv revelou que a sua decisão para se tornar maestrina foi tomada aos 18 anos, depois de descobrir que as mulheres podiam ocupar esse cargo. Após obter o seu diploma na Academia de Música de Lviv e ganhar o terceiro prémio no Concurso Gustav Mahler, em 2004, a maestrina prosseguiu a sua formação em Dresden, na Alemanha.

Lyniv acrescentou, igualmente, que “o seu primeiro cargo fixo veio da Ópera Nacional de Odessa, como maestrina assistente”, tendo também oportunidade de trabalhar na Ópera do Estado da Bavária, como assistente de Kirill Petrenko.

Apesar de ser a directora musical do Teatro Comunale di Bologna, sendo “a primeira mulher à frente de uma casa de ópera italiana”, Lyniv confessou que inclui sempre compositores ucranianos em todos os seus concertos, o que passou a constituir a sua “imagem de marca”.

Numa última reflexão acerca das mulheres na regência de orquestras, Lyniv admitiu que “já existem jovens maestrinas fantásticas” e que tudo indica que se trata de um movimento imparável.

A transformação digital dos "media" e os vários modelos utilizados Ver galeria

Os media estão, actualmente, a passar por uma transformação digital, mudança que ganhou mais balanço após a pandemia ter “acelerado a quebra da circulação e publicidade das edições impressas” e a invasão russa da Ucrânia ter “disparado os preços da tinta e do papel”.

Apesar de não existir um modelo específico para a transformação dos media, o director do Evoca Media, Pepe Cerezo, sublinhou que são essenciais três “pilares” para “estabelecer uma estratégia de negócios digitais”, nomeadamente, inovação e adaptação, diversificação, e hibridização.

Estes três elementos implicam que as fontes de receita devem ser obtidas a partir de diversas fontes (assinaturas, publicidade, lojas online), utilizando modelos que se adaptam a diferentes públicos e mercados e que respondem às necessidades e aos hábitos de consumo dos utilizadores.

O aumento da publicidade digital, uma das maiores fontes de receita, hoje em dia, tem vindo a desacelerar, devido, em parte, à mudança a que esta foi sujeita, causada pela “pelo desaparecimento dos cookies de terceiros”.

A falta de cookies de terceiros torna mais difícil aspectos como a criação de perfis de utilizadores, a sua monotorização e a adaptação às suas necessidades, implicando que as empresas devem desenvolver um “relacionamento individual com os utilizadores” para recolher esses dados.

Existe, também, a opção de utilizar “tecnologia baseada na recolha, armazenamento e análise de cookies”, que permite adaptar a publicidade aos hábitos do utilizador, baseando-se, por exemplo, no seu histórico de navegação, pesquisas, compras anteriores e links clicados. 

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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Opinião
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Ligados ou desligados? A Publicidade na era da hiperestimulação
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