Sábado, 1 de Outubro, 2022
Mundo

A propósito de um livro sobre as “meme wars” e a sua relação com jornalistas

Os “memes” têm sido utilizados para atingir grupos marginalizados há, pelo menos, uma década, e são, muitas vezes, armas de desinformação, escreveu Hanaa’ Tameez para a NiemanLab.

De forma a documentar este fenómeno, os investigadores do Shorenstein Center on Media, Politics and Public Policy de Harvard publicaram o livro “Meme Wars: The Untold Story of the Online Battles Upending Democracy in America”. Nesta publicação, foram mencionados alguns episódios como o movimento “Stop the Steal”, que alegava corrupção nas eleições norte-americanas de 2020.

Hanaa’ Tameez entrevistou, por isso, os investigadores Joan Donovan e Brian Friedberg, e a jornalista Emily Dreyfuss, para perceber como é que os profissionais de comunicação se podem adaptar a esta cultura de “memes”.

Numa comunicação política e num envio de mensagens cada vez mais próximos da polarização, segundo Friedberg, a população encontra-se fatigada, existindo um confronto da comunicação entre a maioria das facções políticas dos EUA.

Quando questionados sobre o momento em que a imprensa falhou, Donovan referiu que os jornalistas, no combate ao extremismo, em vez de serem directos sobre o que estava a ocrorrer, “utilizaram memes que tinham sido embebidos por estes grupos, que procuravam especificamente um rebranding”. 

Além disso, Dreyfuss apontou a sintonia da imprensa com as tendências do Twitter como, talvez, “um dos erros fundamentais que permitiu que os “meme warriors” alcançassem todos”. Na era que o jornalismo enfrenta, “tornou-se ainda mais importante que os jornalistas escrevessem mais, tivessem muito conteúdo e cobrissem aquilo de que todos falavam”.

Quanto aos “hate facts” e às estatísticas pouco representativas que, muitas vezes, acabam por fazer com que as comunidades visem, ainda mais, os grupos marginalizados, a imprensa acaba por contribuir para a sua perpetuação.

Isto porque, segundo os entrevistados, o facto de existirem “substituições” de termos, por parte dos jornalistas, ao abordar determinados assuntos, bem como a adopção acrítica de declarações oficiais que criminalizam as comunidades já marginalizadas, acabam por se revelar nas principais formas da imprensa “perpetuar muitas destas narrativas”.

Relativamente à posição dos jornalistas face às “meme wars”, Donovan realçou a dificuldade que é, para os profissionais, perceber “de que lado se está a jogar”. Na verdade, “os jornalistas podem ver algo a surgir e pensarem que é interessante, mas não compreenderem que pode fazer parte de uma campanha de manipulação, visando-os directamente”, acrescentou.

Assim, o investigador aconselhou os profissionais a questionarem-se: “Será que chamar a atenção para estes memes vai melhorar a compreensão do público? Será que a cobertura disto vai ser prejudicial de alguma forma? Será que vai dar oxigénio àqueles que estão a tentar travar guerras culturais?”.

Dreyfuss realçou que as “meme wars” são uma evolução das guerras culturais, onde “a criação e a escalada em massa dos meios de comunicação social, a infra-estrutura da internet social, e a forma como essas coisas colocam o poder de alcançar milhares de milhões de pessoas nas mãos de todos, mudou a natureza da forma como essas guerras culturais podem ser travadas em linha”.

Também, Joan Donovan reforçou a teoria de que as guerras de memes impulsionam o que está online a transpor-se para o mundo real, “não havendo mais offline”.

A concluir a entrevista o investigador alertou ainda para a necessidade de que “os jornalistas compreendam que estão na linha da frente das "meme wars", e que podem realmente mudar o equilíbrio ao mudarem as personalidades e grupos que destacam e as histórias que escolhem para contar”.

Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


ver mais >
Opinião
Se a exibição cinematográfica em sala foi seriamente afectada pelo advento dos aparelhos de televisão, cada vez mais sofisticados (o cinema em casa), a difusão da Imprensa sofreu um impacto ainda maior com o desenvolvimento e democratização da Internet, desde o telemóvel ao computador doméstico. A divulgação regular das contas feitas pela APCT - Associação Portuguesa de Controlo de Tiragens, é...
Com o fim dos confinamentos ditados pela pandemia, a publicidade exterior deu um grande salto: na primeira metade deste ano o investimento dos anunciantes nas redes de outdoor cresceu mais de 73% comparado com igual período do ano passado. Mais significativo ainda - no total do primeiro semestre o outdoor captou cerca de 12% de todo o mercado publicitário português, colocando-se assim como o terceiro meio mais utilizado pelos anunciantes, depois da televisão (53%) e...
Se tudo correr bem, no início da próxima semana, Macau “liberta-se”, embora gradualmente, do primeiro grande surto de covid-19 desde Fevereiro de 2020. No total, desde 18 de Julho, foram detectados 1.117 casos de infecção, dos quais apenas cerca de 700 apresentaram sintomas, e houve um total de apenas seis mortos, todas senhoras idosas com doenças crónicas. Se tudo correr bem, o grande surto de covid em Macau durou três semanas. O...
Trump só aceita resultados eleitorais quando é declarado vencedor. Caso contrário, trata-se de uma fraude. Esta versão peculiar da democracia começa a fazer escola. É o caso de Bolsonaro. Os jornalistas são alvo da fúria de Trump e Bolsonaro. Donald Trump prepara a sua candidatura à presidência dos EUA em 2024. As sessões da comissão de inquérito do Congresso federal, que investiga o assalto ao...
Apesar de todo o meu passado de jornalista, tento cada vez mais colocar-me no presente de cidadão leitor, escutante ou visionador da atual torrente de notícias. Não ouso elevar-me ao papel de futurólogo desta relação entre receptor e emissor. Na verdade, isso interessa-me pouco. Quero fixar-me no hoje, já não tenho alma de vidente. E o hoje é a sociedade dos sentidos e das emoções. Li recentemente um pequeno ensaio do...
Agenda
05
Out
The Publisher Podcast Summit
09:00 @ Proud Cabaret City, Londres
06
Out
News Impact Summit
10:00 @ Praga, República Checa
10
Out