Sábado, 1 de Outubro, 2022
Opinião

O crescimento da publicidade de rua

por Manuel Falcão


Com o fim dos confinamentos ditados pela pandemia, a publicidade exterior deu um grande salto: na primeira metade deste ano o investimento dos anunciantes nas redes de outdoor cresceu mais de 73% comparado com igual período do ano passado. Mais significativo ainda - no total do primeiro semestre o outdoor captou cerca de 12% de todo o mercado publicitário português, colocando-se assim como o terceiro meio mais utilizado pelos anunciantes, depois da televisão (53%) e do digital (27%).

Para termos uma ideia mais precisa o outdoor significa nesta altura sensivelmente o mesmo valor que a publicidade em canais de cabo.

A rádio é o quarto meio, com cerca de 6% do total e a imprensa anda perto dos 2% - há uns anos a imprensa era o segundo meio com maior investimento captado. Há relativamente pouco tempo o outdoor e a rádio andavam com valores próximos, mas agora o investimento em publicidade exterior duplica o que é conseguido pela rádio.

Há boas razões para isto. Comecemos pelas que são específicas do outdoor. Nos últimos anos deu-se uma reconfiguração do mercado. Existiam quatro operadores com uma presença significativa: a JC Decaux, a Cinemark (ex-Cemusa), a MOP e a Spectacolor (rede multibanco).

Entretanto um outro operador, que já existia, ampliou muito a sua capacidade instalada, a Dreammedia, que está em fase de crescimento e expansão. Alguns concursos de concessão da exploração da publicidade exterior em vários municípios, e o mais importante é Lisboa, poderão alterar o peso relativo dos principais players deste mercado.

Por outro lado os operadores deixaram de estar só na rua e desde há uns anos cresceram as suas redes para dentro de centros comerciais, hipermercados e parques de estacionamento. Hoje em dia a contabilização do Out Of Home (OOH), como tecnicamente este meio é conhecido, tem equipamentos de rua, a publicidade das caixas multibanco e equipamentos em espaços cobertos.

O outdoor deixou de estar só nas ruas das cidades e vilas, nos abrigos de transportes públicos ou nas estradas mais movimentadas e tornou-se uma presença junto ao ponto onde as compras são feitas - as lojas dos centros comerciais.

Além disto os equipamentos das redes estão a ser modernizados e, num futuro próximo, grande parte serão digitais, o que diminui os custos da produção da publicidade que é colocada, permite outras criatividades e alivia muito a logística da operação.

Finalmente, desde este ano, existe um estudo que proporciona indicadores sobre os resultados de audiência/visibilidade obtidos em outdoor. O estudo, que já é disponibilizado, está ser melhorado, já é utilizado pela indústria, e permite, já em vários casos, saber como foi o comportamento de determinada rede que foi utilizada numa campanha publicitária. Os responsáveis pelo estudo prometem melhorá-lo e ele será um importante argumento para atrair ainda mais investimento ao sector da publicidade exterior.

O sector, como se vê, está num momento de grande transformação interna. Mas do ponto de vista externo há também uma nova realidade. A atenção dos consumidores está cada vez mais fragmentada, entre os canais generalistas de televisão, dezenas de canais de cabo e os canais de streaming que estão também a crescer. Além disso o digital - quer nas edições online de meios de comunicação, quer nas redes sociais -  divide ainda mais a atenção das pessoas.

Conseguir numa paisagem tão saturada e fragmentada fazer chegar a mensagem é cada vez mais difícil.  Mas o outdoor surge muitas vezes como uma boa alternativa: garante uma cobertura ampla e se a sua criatividade for bem feita, capta a atenção e transmite a mensagem.

É esta capacidade de cobertura, em contraste com a fragmentação de outros meios, que torna o outdoor tão atraente para muitos anunciantes e é aí que reside a explicação para o crescimento que tem tido. E que, tudo indica, ainda tem espaço para ampliar.

Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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