Sábado, 1 de Outubro, 2022
Opinião

O declínio da Imprensa escrita

por Dinis de Abreu

Se a exibição cinematográfica em sala foi seriamente afectada pelo advento dos aparelhos de televisão, cada vez mais sofisticados (o cinema em casa), a difusão da Imprensa sofreu um impacto ainda maior com o desenvolvimento e democratização da Internet, desde o telemóvel ao computador doméstico.

A divulgação regular das contas feitas pela APCT - Associação Portuguesa de Controlo de Tiragens, é reveladora da continuada degradação das vendas de jornais ou revistas, em banca ou por assinatura .

Por muito que se esforcem alguns títulos para iludirem a realidade, o certo é que a quebra de tiragens é aflitivamente notória e o declínio parece imparável.

Portugal nunca foi um país muito consumidor de imprensa, sempre leu pouco e há muito que se esgotou o tempo em que os leitores esperavam pelo seu jornal, designadamente, na província, aonde chegava tarde e a más horas.

O País mudou e, apesar da melhoria das vias de comunicação, encurtando as distâncias, a imprensa perdeu audiências e o hábito de comprar ou assinar o jornal ou revista sofreu um recuo significativo.  
Ao contrário de outros países onde os hábitos de leitura, de jornais ou livros, foram e são incentivados desde os bancos de escola, por aqui a simplificação do ensino, associada à oferta online, enfraqueceram  o papel do suporte impresso.

As mudanças tecnológicas tardaram a ser interiorizadas, tanto pelos responsáveis editoriais como pelos “patrões” da imprensa.

E se é certo que o fenómeno não é exclusivamente português - longe disso -, a realidade é que somos uma das comunidades onde mais se tem notado a deserção de leitores, com vantagem para as versões digitais e, principalmente, para as chamadas redes sociais.

Em comparação com outras latitudes, onde se tem testado alternativas e feito experiências com resultados promissores, por cá a inércia tem ditado as suas leis.

À imprensa, tal como ao cinema na “sala escura”, estará muito provavelmente reservado um mercado de nicho.

Se for aproveitado com inteligência e sentido de inovação, como complemento cultural e de exercício de cidadania, terá futuro.

De outro modo, será inevitável o ocaso, perante o fascínio da tecnologia de consumo. E do culto da imagem e da instantaneidade da informação. E nada será mais velho do que o jornal da véspera…

Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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