Sábado, 1 de Outubro, 2022
Media

O papel do jornalista num mundo cada vez mais digital

É cada vez maior o número de utilizadores com acesso às redes sociais e ao “jornalismo cidadão”, tomando assim conhecimento de vários acontecimentos mundiais. Alessandra Galloni, directora da Agência Reuters, realça a diversidade e o volume de vozes que vão surgindo no meio digital, conforme citam os Cuadernos de Periodismo, editados pela APM.

Nesse sentido, importa reflectir sobre o papel dos meios de comunicação nesta “guerra TikTok” (Guerra da Ucrânia), já que mais informação e melhor acesso não são sinónimos de melhor informação.

Isto porque, “a digitalização da informação facilitou a obtenção de notícias do outro lado do planeta, mas também tornou mais fácil o acesso a realidades não verificáveis e distorcidas”, sublinhou. Por isso, torna-se essencial o papel do jornalismo, ao analisar informações transmitidas, quer por cidadãos comuns, quer pelos próprios políticos.

Galloni dá vários exemplos, e relembra a importância do jornalismo objectivo e independente, já que as informações erradas são, muitas vezes, difíceis de corrigir.

Mais do que transmitir informação, é importante procurá-la, mesmo que, para isso, seja preciso sair à rua para procurar outras fontes que possam responder às nossas questões, afirma. Além disso, não “vale tudo” para dar a notícia em primeiro lugar. É preciso que a informação seja verificada, com neutralidade, e corrigir os erros que possam ser cometidos.

Alessandra Galloni relembra a cobertura feita da COVID-19, com a existência de informação abundante e, do lado oposto, governos preocupados em desvalorizar a informação. Em alguns casos, os jornalistas foram criticados e obrigados a fechar departamentos, como no Iraque, por partilharem informações da pandemia de certos países.

Nesse contexto, a directora da Reuters fala numa “época perigosa para os jornalistas”. A violência, as restrições, as mortes e todos os obstáculos ao trabalho dos jornalistas tem vindo a fazer parte do dia-a-dia dos profissionais. Tem sido criada, por parte de alguns governantes, uma desconfiança em relação ao trabalho da imprensa.

Apesar de todos os obstáculos, um estudo realizado pelo Instituto Reuters, demonstra que a confiança nas notícias aumentou durante a pandemia, com 44% dos inquiridos satisfeitos com a informação recebida.

Esta confiança deve-se, segundo refere Galloni, à importância que as informações transmitidas pelos “media” tiveram na vida das pessoas, que tomaram decisões com base no que ouviam.

Foi, também, durante a pandemia que os média recorreram mais à opinião de especialistas e, talvez, tenha sido uma das razões para o melhorar a confiança. A directora da Reuters distinguiu, ainda, a importância de os jornalistas saberem escolher os seus interlocutores, de forma a manter a credibilidade junto do público.

Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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Opinião
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Apesar de todo o meu passado de jornalista, tento cada vez mais colocar-me no presente de cidadão leitor, escutante ou visionador da atual torrente de notícias. Não ouso elevar-me ao papel de futurólogo desta relação entre receptor e emissor. Na verdade, isso interessa-me pouco. Quero fixar-me no hoje, já não tenho alma de vidente. E o hoje é a sociedade dos sentidos e das emoções. Li recentemente um pequeno ensaio do...
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