Sexta-feira, 16 de Novembro, 2018
Media

Projecto quer neutralizar notícias falsas que se tornam “virais”

Uma regra fundamental na sabedoria das artes marciais é a de aprender a usar a força do próprio adversário para o derrotar. Nos meios online, a expressão “viral” tornou-se quase sinónimo de uma coisa boa  - visto que é procurada por tanta gente -  quando o seu sentido original é o de propagação de uma doença. Agora, um criador de novos softwares desenvolveu um projecto que pretende “usar o mesmo modelo de disseminação de notícias usado pelo site Buzzword para neutralizar a ‘viralização’ de notícias falsas”.

Está tudo muito no começo, mas a expectativa é grande, porque o tempo útil para conter um boato, ou notícia intencionalmente falsa, nas redes sociais, é nas suas primeiras doze horas  -  segundo o estudo apresentado por Carlos Castilho, editor do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Está na origem deste projecto Craig Silverman, editor do BuzzFeed Canada e membro da First Draft Coalition, uma das mais conhecidas plataformas de fact-checkers  -  à letra “verificadores dos factos”, grupos de trabalho em que jornalistas de investigação puxam “o fio da meada” até esclarecerem os equívocos envolvidos.

Neste caso, o BuzzFeed, que nasceu com uma reputação inicial de alguma ligeireza e jornalismo de infotainment, põe os seus recursos em matéria de notícias “virais” ao serviço da caça àquilo que mina a credibilidade de todo o jornalismo  -  a desinformação maliciosa.

O maior desafio para o BuzzFeed e os fact-checkers de todo o mundo é o modo de conseguir que os seus instrumentos “cheguem tão longe e tão depressa como os rumores falsos a que se dirigem”.

Essas doze horas de tempo médio actualmente gasto para detectar uma notícia falsa dão-lhe uma enorme vantagem à partida, e o objectivo da equipa é reduzi-la.

Diz Craig Silverman:

“O nosso grande desafio é tornar a desarticulação [das falsas notícias] mais partilhável e mais social, e fazê-la chegar a audiências que não estejam inclinadas a acreditar que alguma coisa não é verdade. Essa é a parte mais importante.”

“Isto envolve tudo o que aprendi no BuzzFeed, e todas as ferramentas, e aplicá-las para tornar a desarticulação mais social. Mas ainda não tenho ideia de como será.”

 

A notícia no Observatório da Imprensa, que contém os links para o projecto

Connosco
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O Clube

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Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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