Sexta-feira, 18 de Janeiro, 2019
Media

Projecto quer neutralizar notícias falsas que se tornam “virais”

Uma regra fundamental na sabedoria das artes marciais é a de aprender a usar a força do próprio adversário para o derrotar. Nos meios online, a expressão “viral” tornou-se quase sinónimo de uma coisa boa  - visto que é procurada por tanta gente -  quando o seu sentido original é o de propagação de uma doença. Agora, um criador de novos softwares desenvolveu um projecto que pretende “usar o mesmo modelo de disseminação de notícias usado pelo site Buzzword para neutralizar a ‘viralização’ de notícias falsas”.

Está tudo muito no começo, mas a expectativa é grande, porque o tempo útil para conter um boato, ou notícia intencionalmente falsa, nas redes sociais, é nas suas primeiras doze horas  -  segundo o estudo apresentado por Carlos Castilho, editor do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Está na origem deste projecto Craig Silverman, editor do BuzzFeed Canada e membro da First Draft Coalition, uma das mais conhecidas plataformas de fact-checkers  -  à letra “verificadores dos factos”, grupos de trabalho em que jornalistas de investigação puxam “o fio da meada” até esclarecerem os equívocos envolvidos.

Neste caso, o BuzzFeed, que nasceu com uma reputação inicial de alguma ligeireza e jornalismo de infotainment, põe os seus recursos em matéria de notícias “virais” ao serviço da caça àquilo que mina a credibilidade de todo o jornalismo  -  a desinformação maliciosa.

O maior desafio para o BuzzFeed e os fact-checkers de todo o mundo é o modo de conseguir que os seus instrumentos “cheguem tão longe e tão depressa como os rumores falsos a que se dirigem”.

Essas doze horas de tempo médio actualmente gasto para detectar uma notícia falsa dão-lhe uma enorme vantagem à partida, e o objectivo da equipa é reduzi-la.

Diz Craig Silverman:

“O nosso grande desafio é tornar a desarticulação [das falsas notícias] mais partilhável e mais social, e fazê-la chegar a audiências que não estejam inclinadas a acreditar que alguma coisa não é verdade. Essa é a parte mais importante.”

“Isto envolve tudo o que aprendi no BuzzFeed, e todas as ferramentas, e aplicá-las para tornar a desarticulação mais social. Mas ainda não tenho ideia de como será.”

 

A notícia no Observatório da Imprensa, que contém os links para o projecto

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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