Terça-feira, 17 de Maio, 2022
Mundo

Portugal em 7º lugar no Índice de Liberdade de Imprensa

Os RSF publicaram a versão de 2022 do Índice Mundial de Liberdade de Imprensa, que analisa e compara as condições de trabalho de jornalistas em 180 países, com base em inquéritos realizados junto dos profissionais dos “media”.

Este ano, Portugal subiu três posições, passando para 7º lugar. De acordo com os RSF, o país destaca-se por usufruir de pluralidade noticiosa, além de um governo que, de forma geral, respeita o trabalho jornalístico.

Ainda assim, o relatório alerta para alguns abusos contra os “media” e os seus colaboradores”, recordando o “ciberataque” contra os “sites” da Impresa, e a agressão física contra um operador de câmara de TVI, à saída de um jogo de futebol.

Tal como tem acontecido nos últimos anos, os países nórdicos destacaram-se pela positiva, com a Noruega (1º), a Dinamarca (2º) e a Suécia (3º) a preencherem os lugares do “pódium”.

Por outro lado, foram vários os países e regiões que preocuparam a associação de defesa do jornalismo. A título de exemplo, Hong Kong desceu 68 posições, passando de 80º para 148º lugar.

Os RSF justificaram a “queda a pique” daquela região administrativa especial com a crescente intervenção do governo chinês, o que resultou no encerramento de diversos títulos independentes, bem como na perseguição e detenção de jornalistas e empresários dos “media”.

Além disso, continua o relatório dos RSF, a lei prevê penas de prisão para jornalistas que cometam “crimes de insubordinação”, “terrorismo”, ou “conluio com forças estrangeiras”.

Por isso mesmo, a associação conclui que Hong Kong deixou de ser uma região segura para o exercício de jornalismo livre. Ainda assim, a China subiu alguns lugares no “ranking”, passando de 177º para 175º lugar.

O panorama mediático chinês continua, contudo, a ser considerado preocupante, uma vez que 110 jornalistas se encontram, de momento, a cumprir penas de prisão.


Além disso,  Pequim acredita que os “media” devem funcionar, apenas, como porta-voz do governo.


Outro dos países que mais preocupam os RSF é a Rússia, que passou de 150º para 155º lugar, perante os crescentes ataques à imprensa independente, e a perseguição a jornalistas que se afastem da narrativa oficial do governo, especialmente no que diz respeito à invasão da Ucrânia.


A Rússia integra, por isso, a “lista vermelha”  do retrocesso da liberdade de imprensa, juntamente com a Bielorrússia (153º lugar), o Myanmar (176º lugar), o Turquemenistão (177º), o Irão (178º), a Eritreia (179º) e a Coreia do Norte (180º). 


Os RSF alertam, ainda, para a polarização dos “media”, particularmente nos Estados Unidos em França (26º lugar), nos Estados Unidos (42º) e na Polónia (66º). Neste último caso, a associação destaca o crescente controlo das autoridades sobre o trabalho desenvolvido pelos jornalistas.


Connosco
Jornalistas enfrentam “período negro” com risco de vida Ver galeria

O mês de Maio tem sido negro para os jornalistas, com o assassinato de quatro mulheres  jornalistas em apenas sete dias.

Conforme apontou o “Guardian”, dois dos homicídios ocorreram no México, um dos países mais perigosos para o exercício jornalístico. As vítimas foram Yesenia Mollinedo Falconi e Sheila Johana García Olivera, do “site”  “El Veraz”.

Semanas antes da sua morte, Yesenia Mollinedo Falconi, havia recebido ameaças de morte, na sequência das suas investigações sobre crime e corrupção. Ainda assim, aquela jornalista estava confiante de que não corria perigo.

Dois dias após a morte das profissionais mexicanas, foi noticiada outra tragédia: o assassinato de Shireen Abu Akleh, uma correspondente da Al Jazeera, que acompanhava o conflito israelo-árabe há vários anos.

O Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU mostrou-se “chocado” com a morte deste profissional e exigiu, entretanto,  uma “investigação independente e transparente” sobre o sucedido.

Também a directora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, se juntou no apelo a uma “investigação completa” à morte da jornalista.

“O assassinato de uma jornalista claramente identificada, numa zona de conflito, é uma violação do direito internacional“, disse Azoulay em comunicado, pedindo uma investigação para levar “os responsáveis à justiça”.

No dia a seguir, ficou conhecido o homicídio da jornalista colombiana Francisca Sandoval, morta durante a cobertura noticiosa de uma manifestação.


“Media” polacos apostam em conteúdos em ucraniano Ver galeria

Na Polónia, várias empresas mediáticas começaram a lançar produtos noticiosos em ucraniano, como forma de responder às necessidades dos três milhões de refugiados que chegaram ao país desde o início da guerra.

Conforme apontou o “Nieman Lab”, a Agência Noticiosa Polaca (Polska Agencja Prasowa, ou PAP) foi uma das primeiras organizações a partilhar artigos em ucraniano, graças a uma equipa de cinco jornalistas, que têm vindo a dedicar-se à tradução e produção de conteúdos.

Este serviço em ucraniano foi criado em apenas uma semana, e publica artigos diários sobre a invasão da Ucrânia.

“Esta guerra mudou tudo”, disse Jaros?aw Junko, coordenador dos serviços ucraniano e russo daquela agência noticiosa. “Todos os ‘sites’ informativos polacos de renome começaram a oferecer produtos em ucraniano. Esta é uma mudança importante, e mostra que a Polónia está a respeitar os ‘vizinhos’ que chegam ao país”.

Agora, a PAP quer expandir a editoria ucraniana, passando a incluir conteúdos sobre apoio legal, e ajuda económica para refugiados.

Outra das publicações que apostou em conteúdos ucranianos foi a “Onet” que, agora, partilha dez artigos diários sobre o conflito e, ainda, sobre a adaptação à vida na Polónia.

“Fazemos o nosso melhor para sermos um guia sobre a vida neste país”, explicou Kamil Turecki, coordenador da “Onet”.

Também o Grupo RMF decidiu ajudar esta causa, lançando uma nova estação de rádio em ucraniano, com frequências nas cidades fronteiriças de Przemysl e Hrubieszow.

O Clube


Os ciberataques passaram a fazer parte da paisagem mediática portuguesa. Depois do Grupo Impresa ter sido seriamente afectado, juntamente com a Cofina, embora esta em menor grau de exposição, chegou a vez do Grupo Trust in News, que detém o antigo portfólio de revistas de Balsemão, como é o caso do semanário “Visão”.
Outras empresas foram igualmente visadas, em maior ou menor escala, desde a multinacional Vodafone aos laboratórios Germano de Sousa.
Não cabe neste espaço qualquer comentário especializado a tal respeito, mas não nos isentamos de manifestar uma profunda preocupação relativamente à continuidade - e aparente impunidade - destes actos ilegais, que estão a pôr a nu as vulnerabilidades dos sistemas e redes, tanto públicos como privados.
Recorde-se que este site do Clube Português de Imprensa já foi alvo, também, de intrusões pontuais que bloquearam a sua actualização regular, o que voltou a acontecer, embora de uma forma indirecta, como consequência da inoperacionalidade do operador de telecomunicações atingido.

Oxalá estes ataques de “hackers”, já com um carácter mais “profissional”, tenha contribuído para alertar os especialistas e as autoridades competentes em cibersegurança no sentido de adoptarem as medidas de protecção que se impõem.
As fragilidades ficaram bem à vista.

 


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Agenda
19
Mai
2022 Collaborative Journalism Summit
10:00 @ Chicago, Estados Unidos
25
Jun
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor
27
Jun
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia
10
Jul
Washington Journalism and Media Conference (WJMC)
10:00 @ Universidade George Mason