Terça-feira, 17 de Maio, 2022
Estudo

Obercom concluiu que “streaming” ultrapassa TV tradicional e domina “identidade audiovisual"

Os paradigmas contemporâneos da comunicação são caracterizados por dois aspectos-chave, extensíveis a todas as dimensões da mediação em rede: a “hiper-aceleração” dos fluxos comunicacionais, e a “hiper-abundância” de conteúdos.

Este novo modelo verifica-se tanto na esfera da sociabilidade – através das redes e “media” sociais –, como na esfera noticiosa –  com cada vez mais fontes de informação –, e reflecte-se, em ambos os casos, no aumento do consumo de vídeo, através dos mais variados ecrãs.

Esta realidade foi, agora, analisada pelo Obercom que, através do relatório “Audiovisual 2022 – Paradigmas de consumo e de evolução da indústria em Portugal e Europa”, procurou identificar os principais traços dessa identidade contemporânea.

Conforme recordou o Obercom, a “nova identidade audiovisual” caracteriza-se, sobretudo, pelo abandono do cabo, e pela insurgência do “streaming”, que começou por dominar o sector do entretenimento e está, agora, a dar os primeiros passos no mundo informativo.

Através do método de catálogo, estas plataformas “on demand”  distinguem-se por oferecerem uma grande diversidade de conteúdos, que podem ser consumidos a qualquer hora, e em qualquer lugar.

Ou seja, graças ao “streaming”, os telespectadores deixaram de depender da curadoria dos canais de televisão, e passaram a poder estabelecer aquilo que querem ver, e quando querem fazê-lo.

Além disso, ao contrário do que acontece na televisão tradicional, os utilizadores recebem sugestões com base nas suas preferências, que são analisadas por algoritmos de Inteligência Artificial.

A recolha de dados dos utilizadores, a nível individual, apresenta-se, assim, como uma diferença fundamental entre a distribuição tradicional de televisão e o “streaming” na era digital.

Isto porque, embora a televisão tivesse ao seu dispor dados relativos à popularidade geral do conteúdo apresentado, não era possível monetizar esses dados ao nível individual. Por isso mesmo, a publicidade era utilizada como a principal forma de obter rendimentos. 


Neste âmbito, o Obercom recorda que, embora alguns serviços de “streaming” recorram à publicidade para financiar o seu funcionamento – como é o caso do Youtube – a grande maioria introduziu modelo de negócio Subscription Video on Demand (SVOD).


A Subscription Video on Demand (SVOD) foi adoptada por todas as grandes plataformas – a Netflix, Apple TV, Disney +, Amazon Prime, HBO, etc. – e consiste na oferta de um serviço, através de uma subscrição monetária, que permite aos consumidores acederem a um catálogo de conteúdos.

Ao contrário dos serviços de “streaming” de música, que apresentam catálogos de conteúdos semelhantes, as plataformas audiovisuais tendem a apresentar uma reduzida sobreposição de ofertas.


Deste modo, as plataformas audiovisuais tendem a distinguir-se mais

pelo conteúdo presente na sua plataforma, do que pelas suas diferentes características e funcionalidades.


Isto, sublinhou o Obercom, levou as plataformas a dedicarem-se à produção de novos filmes e séries. O maior exemplo disso mesmo é a Netflix, cuja maioria do catálogo (58%) consiste em conteúdos originais.


Com todas estas inovações, o “streaming” tem conseguido renovar as suas audiências, captando a atenção das gerações mais jovens. Como tal, outros sectores da comunicação procuraram investir neste tipo de serviços, uma vez que conquistar um novo público, que seja leal aos seus conteúdos durante vários anos, é um dos principais objectivos de muitas empresas mediáticas.


Em Portugal, isto verificou-se com a criação da Opto, a plataforma de “streaming” da SIC, que disponibiliza um catálogo com produções já emitidas no canal generalista, além de conteúdos exclusivos.


Já nos Estados Unidos, a nova aposta audiovisual estendeu-se ao jornalismo, com o aparecimento da CNN+, um serviço de “streaming” com boletins noticiosos e documentários de cariz jornalístico.


Contudo, esta nova vertente do “on demand” está, ainda, longe de se equiparar ao sector do entretenimento.


Connosco
Jornalistas enfrentam “período negro” com risco de vida Ver galeria

O mês de Maio tem sido negro para os jornalistas, com o assassinato de quatro mulheres  jornalistas em apenas sete dias.

Conforme apontou o “Guardian”, dois dos homicídios ocorreram no México, um dos países mais perigosos para o exercício jornalístico. As vítimas foram Yesenia Mollinedo Falconi e Sheila Johana García Olivera, do “site”  “El Veraz”.

Semanas antes da sua morte, Yesenia Mollinedo Falconi, havia recebido ameaças de morte, na sequência das suas investigações sobre crime e corrupção. Ainda assim, aquela jornalista estava confiante de que não corria perigo.

Dois dias após a morte das profissionais mexicanas, foi noticiada outra tragédia: o assassinato de Shireen Abu Akleh, uma correspondente da Al Jazeera, que acompanhava o conflito israelo-árabe há vários anos.

O Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU mostrou-se “chocado” com a morte deste profissional e exigiu, entretanto,  uma “investigação independente e transparente” sobre o sucedido.

Também a directora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, se juntou no apelo a uma “investigação completa” à morte da jornalista.

“O assassinato de uma jornalista claramente identificada, numa zona de conflito, é uma violação do direito internacional“, disse Azoulay em comunicado, pedindo uma investigação para levar “os responsáveis à justiça”.

No dia a seguir, ficou conhecido o homicídio da jornalista colombiana Francisca Sandoval, morta durante a cobertura noticiosa de uma manifestação.


“Media” polacos apostam em conteúdos em ucraniano Ver galeria

Na Polónia, várias empresas mediáticas começaram a lançar produtos noticiosos em ucraniano, como forma de responder às necessidades dos três milhões de refugiados que chegaram ao país desde o início da guerra.

Conforme apontou o “Nieman Lab”, a Agência Noticiosa Polaca (Polska Agencja Prasowa, ou PAP) foi uma das primeiras organizações a partilhar artigos em ucraniano, graças a uma equipa de cinco jornalistas, que têm vindo a dedicar-se à tradução e produção de conteúdos.

Este serviço em ucraniano foi criado em apenas uma semana, e publica artigos diários sobre a invasão da Ucrânia.

“Esta guerra mudou tudo”, disse Jaros?aw Junko, coordenador dos serviços ucraniano e russo daquela agência noticiosa. “Todos os ‘sites’ informativos polacos de renome começaram a oferecer produtos em ucraniano. Esta é uma mudança importante, e mostra que a Polónia está a respeitar os ‘vizinhos’ que chegam ao país”.

Agora, a PAP quer expandir a editoria ucraniana, passando a incluir conteúdos sobre apoio legal, e ajuda económica para refugiados.

Outra das publicações que apostou em conteúdos ucranianos foi a “Onet” que, agora, partilha dez artigos diários sobre o conflito e, ainda, sobre a adaptação à vida na Polónia.

“Fazemos o nosso melhor para sermos um guia sobre a vida neste país”, explicou Kamil Turecki, coordenador da “Onet”.

Também o Grupo RMF decidiu ajudar esta causa, lançando uma nova estação de rádio em ucraniano, com frequências nas cidades fronteiriças de Przemysl e Hrubieszow.

O Clube


Os ciberataques passaram a fazer parte da paisagem mediática portuguesa. Depois do Grupo Impresa ter sido seriamente afectado, juntamente com a Cofina, embora esta em menor grau de exposição, chegou a vez do Grupo Trust in News, que detém o antigo portfólio de revistas de Balsemão, como é o caso do semanário “Visão”.
Outras empresas foram igualmente visadas, em maior ou menor escala, desde a multinacional Vodafone aos laboratórios Germano de Sousa.
Não cabe neste espaço qualquer comentário especializado a tal respeito, mas não nos isentamos de manifestar uma profunda preocupação relativamente à continuidade - e aparente impunidade - destes actos ilegais, que estão a pôr a nu as vulnerabilidades dos sistemas e redes, tanto públicos como privados.
Recorde-se que este site do Clube Português de Imprensa já foi alvo, também, de intrusões pontuais que bloquearam a sua actualização regular, o que voltou a acontecer, embora de uma forma indirecta, como consequência da inoperacionalidade do operador de telecomunicações atingido.

Oxalá estes ataques de “hackers”, já com um carácter mais “profissional”, tenha contribuído para alertar os especialistas e as autoridades competentes em cibersegurança no sentido de adoptarem as medidas de protecção que se impõem.
As fragilidades ficaram bem à vista.

 


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Agenda
19
Mai
2022 Collaborative Journalism Summit
10:00 @ Chicago, Estados Unidos
25
Jun
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor
27
Jun
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia
10
Jul
Washington Journalism and Media Conference (WJMC)
10:00 @ Universidade George Mason