Sábado, 1 de Outubro, 2022
Media

Onde as imagens e os gráficos reforçam a mensagem noticiosa

A utilização de gráficos e de recursos visuais é essencial para captar a atenção dos leitores que dizem desconfiar do jornalismo, concluiu um estudo do Reuters Institute for the Study of Journalism, que contou com a participação de 100 leitores, de 47 países.

Conforme apontou o relatório, os consumidores cépticos desenvolveram a sua própria fórmula para a navegação noticiosa, procurando elementos que captem o seu interesse, e que validem a factualidade dos conteúdos.

Como tal, a utilização de vídeos, fotografias e gráficos é algo essencial. Até porque, sublinha o estudo, este tipo de elementos fornece informações instantâneas, importantes para os consumidores que não querem fazer leituras aprofundadas.

O relatório inclui, ainda, excertos de entrevistas com os participantes, que explicam aquilo que os leva a afastarem-se do consumo de notícias.

“Uma fórmula que utilizo para determinar o nível de confiança das notícias são as manchetes. Se este elemento for incendiário, tendo a não ler o conteúdo do artigo”, afirmou um participante de 25 anos, dos Estados Unidos.


Por outro lado, outro jovem leitor, do Reino Unido, destacou a importância da captação de vídeos por cidadãos comuns. “Eu não confio em grandes organizações noticiosas. Prefiro quando alguém grava um vídeo com o telemóvel, por estar a vivenciar aquele momento. Assim, é impossível desmentir as imagens”, afirmou.


Da mesma forma, um outro participante dos Estados Unidos ressalvou a escolha das “imagens certas” para aumentar os factores de interesse e de credibilidade.  “Eu sou uma pessoa visual. Então, se as fotografias não captarem a minha atenção, não vou ler os artigos”, revelou.


Este estudo sugere, assim, alguns elementos que podem ser introduzidos pelos editores, para conquistar um maior número de leitores, incluindo os consumidores mais desconfiados.


“Os editores devem analisar, com maior cuidado, a estrutura das manchetes e com o uso das imagens, uma vez que isto pode ter efeito da percepção do público”, considerou Amy Ross Arguedas, responsável pelo estudo, em entrevista para o Instituto Poynter.


“A nossa pesquisa revelou, ainda, a importância de esforços contínuos para reforçar o reconhecimento e familiaridade das marcas noticiosas”, concluiu. 

Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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Opinião
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