null, 17 de Novembro, 2019
Media

Jornais em suporte de papel querem atrair os "leitores de sofá" ao fim de semana

Uma boa notícia sobre o futuro dos jornais. Os diários estão a perder os “leitores do transporte público” e os “da mesa do escritório”, que são os que os compram de segunda a sexta-feira, mas descobriram que se podem refugiar no nicho dos “leitores de sofá”  -  os que aproveitam o fim-de-semana para ler sossegadamente, e já tiveram o primeiro impacto da actualidade. Querem agora uma informação mais elaborada, arrumada e contextualizada.

Assim começa um artigo de Félix Bahón, responsável pela área de  “Tendências do Jornalismo” na revista profissional Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria. E outra boa notícia: “parece que o nicho dos leitores motivados tem mais poder aquisitivo”.

O artigo de Félix Bahón explica que a concorrência para conquistar os quiosques de venda aos sábados e domingos já tem jornais a preparar ofertas que englobam os exemplares em papel, incluindo todos os suplementos, acrescentando o acesso gratuito aos conteúdos pagos das edições digitais do resto da semana. 

“O objectivo não é só o de conquistar a fidelidade e o contributo financeiro do desejado leitor. A publicidade também ganha espaço com novos suportes e outros preços. E um tipo de anunciante habitualmente alérgico a vir para os diários generalistas, como é o das marcas de luxo, encontrou uma boa montra para expor os seus produtos. E além disso, parece que o nicho dos leitores motivados tem mais poder aquisitivo”.

 

A ideia não é nova mas, como diz o autor, “o dinheiro é medroso e as mudanças nos negócios de grande envergadura são lentas”:

O primeiro diário que se atreveu a dar este passo foi La Presse, do Canadá (de Montréal, região do Québec), que desde o princípio do ano só tem edição em papel aos sábados. Desde Abril de 2013 já oferecia uma aplicação gratuita para os tablets, que chegou a cerca de meio milhão de transferências por semana, garantindo receitas de publicidade que já passam acima de 60% da sua receita total. 

“A empresa calcula que editar só um dia significará cerca de 30 milhões de dólares (28 milhões de euros) de poupança por ano. O problema é que muitos dos seus funcionários vêem esta medida com preocupação, porque pode querer dizer uma redução de pessoal, ainda não declarada, mas tida como certa.” 

Em Espanha, pela mão de Miguel Ángel Aguilar, o Ahora nasceu logo como um semanário em papel, com a correspondente edição digital. Só oferece cerca de 30% dos conteúdos em aberto, sendo o resto por assinatura. Na França, Les Echos acelerou a sua estratégia digital na mesma direcção, com um suplemento semanal, Les Echos Week-end, às sextas-feiras, por quatro euros, e com direito de acesso livre à versão digital.

 
Mais informação no artigo original, em Cuadernos de Periodistas

Connosco
Centro Báltico ensaia novos modelos para o jornalismo investigativo Ver galeria

Um dos principais actores no campo do jornalismo colaborativo no Báltico é o Re:Baltica – Centro Báltico para a Investigação do Jornalismo de Investigação. O projecto está sediado na capital da Letónia, Riga, e foi criado há oito anos, introduzindo duas ideias inovadoras para a prática do jornalismo na região.

O Centro realiza pesquisas e cria uma história e, posteriormente, fornece-a, a título gratuito, aos meios de comunicação. Em segundo lugar, adoptou um novo modelo de negócio, que depende principalmente de doações e concessões.

O Observatório Europeu de Jornalismo falou recentemente com Inga Springe, questionando-a sobre o trabalho quotidiano de uma organização de comunicação social, sem fins lucrativos, e os desafios que actualmente enfrenta.

Springe defende que que o problema não é o das pessoas lerem o jornal "certo" ou "errado". O problema é não lerem os media tradicionais. Esse foi o motivo que a levou a impulsionar com o projecto Re:Baltica Light e várias reportagens sob a rubrica #StarpCitu (#ByTheWay), disponíveis no YouTube e no Facebook.

Um artigo sobre a organização foi publicado, pela primeira vez, no site do Observatório Europeu de Jornalismo e reproduzido no site da GIJN, do qual a Re:Baltica é membro.

O “LeKiosk” muda para “Cafeyn” e alarga oferta a assinantes Ver galeria

O serviço de notícias LeKiosk mudou de nome para Cafeyn e passou a apresentar-se como um serviço de streaming de informações. O quiosque digital permite a consulta de mais de mil títulos de imprensa francesa e internacional por 9,99 euros por mês.

A mudança de nome e de visual têm como objectivo atrair um público mais numeroso e fazer frente à Apple News+.

De salientar que a alteração da designação é, também, explicada por uma batalha jurídica, iniciada em 2012, entre LeKiosk Monkiosque.fr, publicada pelo Grupo Toutabo.

O departamento de propriedade intelectual da União Europeia decidiu, em Março, que havia um risco de confusão para o público, e que a Toutabo tinha registado a sua marca antes da LeKiosk.

Cafeyn tem, atualmente, cerca de um milhão de utilizadores activos por mês, em comparação com os 200 mil em 2017, que lêem uma média de 15 revistas diferentes. A maior parte destes assinantes foram obtidos através de operadores de telecomunicações, como a Bouygues Telecom e a Free, que oferecem o acesso a alguns dos seus clientes.

Isto permitiu à empresa aumentar o seu volume de negócios, que quintuplicou em três anos.

Em breve deverão ser anunciadas parcerias internacionais.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


ver mais >
Opinião
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Agenda
19
Nov
Connections Europe
09:00 @ Marriott Hotel, Amsterdão
19
Nov
19
Nov
Dia da Comunicação
10:00 @ Teatro Tivoli
21
Nov