Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Media

Jornais em suporte de papel querem atrair os "leitores de sofá" ao fim de semana

Uma boa notícia sobre o futuro dos jornais. Os diários estão a perder os “leitores do transporte público” e os “da mesa do escritório”, que são os que os compram de segunda a sexta-feira, mas descobriram que se podem refugiar no nicho dos “leitores de sofá”  -  os que aproveitam o fim-de-semana para ler sossegadamente, e já tiveram o primeiro impacto da actualidade. Querem agora uma informação mais elaborada, arrumada e contextualizada.

Assim começa um artigo de Félix Bahón, responsável pela área de  “Tendências do Jornalismo” na revista profissional Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria. E outra boa notícia: “parece que o nicho dos leitores motivados tem mais poder aquisitivo”.

O artigo de Félix Bahón explica que a concorrência para conquistar os quiosques de venda aos sábados e domingos já tem jornais a preparar ofertas que englobam os exemplares em papel, incluindo todos os suplementos, acrescentando o acesso gratuito aos conteúdos pagos das edições digitais do resto da semana. 

“O objectivo não é só o de conquistar a fidelidade e o contributo financeiro do desejado leitor. A publicidade também ganha espaço com novos suportes e outros preços. E um tipo de anunciante habitualmente alérgico a vir para os diários generalistas, como é o das marcas de luxo, encontrou uma boa montra para expor os seus produtos. E além disso, parece que o nicho dos leitores motivados tem mais poder aquisitivo”.

 

A ideia não é nova mas, como diz o autor, “o dinheiro é medroso e as mudanças nos negócios de grande envergadura são lentas”:

O primeiro diário que se atreveu a dar este passo foi La Presse, do Canadá (de Montréal, região do Québec), que desde o princípio do ano só tem edição em papel aos sábados. Desde Abril de 2013 já oferecia uma aplicação gratuita para os tablets, que chegou a cerca de meio milhão de transferências por semana, garantindo receitas de publicidade que já passam acima de 60% da sua receita total. 

“A empresa calcula que editar só um dia significará cerca de 30 milhões de dólares (28 milhões de euros) de poupança por ano. O problema é que muitos dos seus funcionários vêem esta medida com preocupação, porque pode querer dizer uma redução de pessoal, ainda não declarada, mas tida como certa.” 

Em Espanha, pela mão de Miguel Ángel Aguilar, o Ahora nasceu logo como um semanário em papel, com a correspondente edição digital. Só oferece cerca de 30% dos conteúdos em aberto, sendo o resto por assinatura. Na França, Les Echos acelerou a sua estratégia digital na mesma direcção, com um suplemento semanal, Les Echos Week-end, às sextas-feiras, por quatro euros, e com direito de acesso livre à versão digital.

 
Mais informação no artigo original, em Cuadernos de Periodistas

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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