Terça-feira, 29 de Setembro, 2020
Media

Jornais em suporte de papel querem atrair os "leitores de sofá" ao fim de semana

Uma boa notícia sobre o futuro dos jornais. Os diários estão a perder os “leitores do transporte público” e os “da mesa do escritório”, que são os que os compram de segunda a sexta-feira, mas descobriram que se podem refugiar no nicho dos “leitores de sofá”  -  os que aproveitam o fim-de-semana para ler sossegadamente, e já tiveram o primeiro impacto da actualidade. Querem agora uma informação mais elaborada, arrumada e contextualizada.

Assim começa um artigo de Félix Bahón, responsável pela área de  “Tendências do Jornalismo” na revista profissional Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria. E outra boa notícia: “parece que o nicho dos leitores motivados tem mais poder aquisitivo”.

O artigo de Félix Bahón explica que a concorrência para conquistar os quiosques de venda aos sábados e domingos já tem jornais a preparar ofertas que englobam os exemplares em papel, incluindo todos os suplementos, acrescentando o acesso gratuito aos conteúdos pagos das edições digitais do resto da semana. 

“O objectivo não é só o de conquistar a fidelidade e o contributo financeiro do desejado leitor. A publicidade também ganha espaço com novos suportes e outros preços. E um tipo de anunciante habitualmente alérgico a vir para os diários generalistas, como é o das marcas de luxo, encontrou uma boa montra para expor os seus produtos. E além disso, parece que o nicho dos leitores motivados tem mais poder aquisitivo”.

 

A ideia não é nova mas, como diz o autor, “o dinheiro é medroso e as mudanças nos negócios de grande envergadura são lentas”:

O primeiro diário que se atreveu a dar este passo foi La Presse, do Canadá (de Montréal, região do Québec), que desde o princípio do ano só tem edição em papel aos sábados. Desde Abril de 2013 já oferecia uma aplicação gratuita para os tablets, que chegou a cerca de meio milhão de transferências por semana, garantindo receitas de publicidade que já passam acima de 60% da sua receita total. 

“A empresa calcula que editar só um dia significará cerca de 30 milhões de dólares (28 milhões de euros) de poupança por ano. O problema é que muitos dos seus funcionários vêem esta medida com preocupação, porque pode querer dizer uma redução de pessoal, ainda não declarada, mas tida como certa.” 

Em Espanha, pela mão de Miguel Ángel Aguilar, o Ahora nasceu logo como um semanário em papel, com a correspondente edição digital. Só oferece cerca de 30% dos conteúdos em aberto, sendo o resto por assinatura. Na França, Les Echos acelerou a sua estratégia digital na mesma direcção, com um suplemento semanal, Les Echos Week-end, às sextas-feiras, por quatro euros, e com direito de acesso livre à versão digital.

 
Mais informação no artigo original, em Cuadernos de Periodistas

Connosco
Directora de Informação da BBC contra os "rufias das redes sociais" Ver galeria

A directora de Informação da BBC, Fran Unsworth, considera que os operadores públicos devem resistir à pressão exercida pelos grupos de interesse e noticiar de acordo com os seus próprios valores.

Durante a conferência anual da BBC, no Prix Italia, Unsworth considerou, ainda, que os serviços de informação têm a obrigação de ser plurais, já que os “revolucionários” não representam a voz de todos os cidadãos.

Dito isto, a directora de Informação deu o exemplo do “New York Times”, que pressionou a demissão da editora de opinião Bari Weiss, por esta não corresponder às expectativas dos utilizadores das redes sociais, lamentando o sucedida. 

“No meio do turbilhão, temos de continuar a pensar claramente. Temos de falar uns com os outros e não ceder à pressão dos ‘rufias das redes sociais’... Em última análise, são os editores que editam - não os grupos de interesse". Caso contrário, reiterou Unsworth, a democracia pode estar em risco.


“Media” franceses publicam carta de apoio ao “Charlie Hebdo” Ver galeria

Cerca de uma centena de “media” franceses publicaram uma carta aberta de apoio à revista “Charlie Hebdo”, em resposta a um apelo do director da publicação, Riss. Aliás, as antigas instalações da revista voltaram a testemunhar a violência: em 25 de Setembro, quatro pessoas ficaram feridas, naquele local, noutro ataque desta vez com arma branca.
O suspeito, um jovem paquistanês de 18 anos, que confessou a autoria do crime, confirmou que visava o "Charlie Hebdo", por este ter procedido à republicação dos "cartoons" sobre Maomé.

Em declarações à agência noticiosa France-Presse, Riss afirmou que a revista satírica francesa tinha sido, efectivamente,“mais uma vez ameaçada por organizações terroristas”, em pleno julgamento dos atentados de Janeiro de 2015, visando, igualmente, “todos os meios de comunicação e, mesmo, o Presidente”.

“Achámos necessário sugerir aos ‘media’ que pensassem na resposta colectiva que merecia ser dada a esta situação”, explicou.

Na carta aberta, intitulada “Juntos, vamos defender a liberdade”, os órgãos de comunicação social apelaram, então,  à defesa da imprensa.  “Hoje, em 2020, alguns de vós estão a receber ameaças de morte nas redes sociais quando expõem opiniões. Os meios de comunicação social são, abertamente, visados por organizações terroristas internacionais. Os Estados exercem pressões sobre os jornalistas franceses [considerados] ‘culpados’ de publicarem artigos críticos”, pode ler-se no documento.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



ver mais >
Opinião
Jornalistas: nem heróis nem vilões
Francisco Sarsfield Cabral
No  jornal “Público” de sábado,  J. Pacheco Pereira elogiou Vicente Jorge Silva porque “fez uma coisa rara entre nós – fez obra. Não tanto como jornalista, mas como criador no terreno da comunicação social”. E destacou o papel do jornal madeirense “Comércio do Funchal”, que, apesar da censura, conseguiu criticar o regime então vigente. Até ao 25 de Abril este jornal logrou,...
Uma crise sem precedentes
Dinis de Abreu
No meio de transferências milionárias, ao jeito do futebol de alta competição, em que se envolveram dois operadores privados de televisão, a paisagem mediática portuguesa, em vésperas da primeira  “silly season” da “nova normalidade”, está longe de respirar saúde e desafogo. Se a Imprensa regional e local vive em permanente ansiedade, devido ao sufoco financeiro que espartilha a maioria dos seus...
De acordo com Carlos Camponez , o «jornalismo de proximidade», porque realmente está mais próximo dos leitores da comunidade onde se integra, pode desempenhar um papel fundamental, «assumindo uma perspetiva de compromisso no incentivo à vida pública». Neste contexto, aquele investigador aponta para a ideia da criação de uma agenda do cidadão, o que, por sua vez, «obriga a que os media invistam em técnicas...
Uma certeza que nasceu nos últimos meses é a facilidade com que as pessoas mudam de hábitos. Em consequência o comportamento face ao consumo de conteúdos está a modificar-se cada vez de forma mais rápida e os mais novos são claramente os que com maior facilidade adoptam novidades. Durante o confinamento e a explosão de uso da internet houve uma aplicação que ganhou destaque em todo o mundo – o Tik Tok. Trata-se...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
07
Out
A perspectiva feminina em falta sobre a Covid-19
13:00 @ Sessões "online" Reuters Institute
14
Out
O que são os dados tendenciosos e como corrigi-los
13:00 @ Sessões "online" Reuters Institute
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas