null, 5 de Julho, 2020
Media

Jornais em suporte de papel querem atrair os "leitores de sofá" ao fim de semana

Uma boa notícia sobre o futuro dos jornais. Os diários estão a perder os “leitores do transporte público” e os “da mesa do escritório”, que são os que os compram de segunda a sexta-feira, mas descobriram que se podem refugiar no nicho dos “leitores de sofá”  -  os que aproveitam o fim-de-semana para ler sossegadamente, e já tiveram o primeiro impacto da actualidade. Querem agora uma informação mais elaborada, arrumada e contextualizada.

Assim começa um artigo de Félix Bahón, responsável pela área de  “Tendências do Jornalismo” na revista profissional Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria. E outra boa notícia: “parece que o nicho dos leitores motivados tem mais poder aquisitivo”.

O artigo de Félix Bahón explica que a concorrência para conquistar os quiosques de venda aos sábados e domingos já tem jornais a preparar ofertas que englobam os exemplares em papel, incluindo todos os suplementos, acrescentando o acesso gratuito aos conteúdos pagos das edições digitais do resto da semana. 

“O objectivo não é só o de conquistar a fidelidade e o contributo financeiro do desejado leitor. A publicidade também ganha espaço com novos suportes e outros preços. E um tipo de anunciante habitualmente alérgico a vir para os diários generalistas, como é o das marcas de luxo, encontrou uma boa montra para expor os seus produtos. E além disso, parece que o nicho dos leitores motivados tem mais poder aquisitivo”.

 

A ideia não é nova mas, como diz o autor, “o dinheiro é medroso e as mudanças nos negócios de grande envergadura são lentas”:

O primeiro diário que se atreveu a dar este passo foi La Presse, do Canadá (de Montréal, região do Québec), que desde o princípio do ano só tem edição em papel aos sábados. Desde Abril de 2013 já oferecia uma aplicação gratuita para os tablets, que chegou a cerca de meio milhão de transferências por semana, garantindo receitas de publicidade que já passam acima de 60% da sua receita total. 

“A empresa calcula que editar só um dia significará cerca de 30 milhões de dólares (28 milhões de euros) de poupança por ano. O problema é que muitos dos seus funcionários vêem esta medida com preocupação, porque pode querer dizer uma redução de pessoal, ainda não declarada, mas tida como certa.” 

Em Espanha, pela mão de Miguel Ángel Aguilar, o Ahora nasceu logo como um semanário em papel, com a correspondente edição digital. Só oferece cerca de 30% dos conteúdos em aberto, sendo o resto por assinatura. Na França, Les Echos acelerou a sua estratégia digital na mesma direcção, com um suplemento semanal, Les Echos Week-end, às sextas-feiras, por quatro euros, e com direito de acesso livre à versão digital.

 
Mais informação no artigo original, em Cuadernos de Periodistas

Connosco
Lei de transparência aprovada no Brasil encontra resistências Ver galeria

Os “fact-checkers” brasileiros uniram-se contra a aprovação da “Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet”.

Segundo aqueles profissionais, esta lei aumenta o poder do Senado perante os “media”, porque lhes permite distinguir, oficialmente, o que é informação do que é “fake news”

O texto estabelece, ainda, que as autoridades podem rastrear mensagens replicadas nas redes sociais.

Em entrevista ao instituto Poynter, Natália Leal, coordenadora da empresa de “fact-checking” Agência Lupa, constatou, ainda, que o documento permite ao Governo definir o que é a verificação de factos, e levantar condicionantes às suas actividades. Até porque, alguma figuras políticas, que apoiaram a aprovação da lei, consideram que o “fact-checking” não é mais do que um posicionamento ideológico.


A distribuidora Presstalis reaparece como France Messagerie Ver galeria

A Presstalis -- principal distribuidora de imprensa em França -- foi salva, depois de o Tribunal de Comércio de Paris ratificar a oferta de aquisição, apresentada pela Cooperativa de jornais diários franceses. 

A empresa, que foi rebaptizada de "France Messagerie", passará a empregar cerca de 300 pessoas, o que representa uma redução da força laboral para um terço.

"A prioridade da France Messagerie é, agora, construir relações de confiança, transparentes e duradouras com todos os actores do sector", sublinhou, num comunicado à imprensa Louis Dreyfus, Presidente da Cooperativa dos jornais diários, France Messagerie e do Conselho de Administração do Grupo Le Monde.

O “rebranding” da distribuidora é, contudo, apenas um primeiro passo, já que a empresa deverá fundir as operações com a Messageries Lyonnaises de Presse (MLP), no prazo de três anos.


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


ver mais >
Opinião
Uma certeza que nasceu nos últimos meses é a facilidade com que as pessoas mudam de hábitos. Em consequência o comportamento face ao consumo de conteúdos está a modificar-se cada vez de forma mais rápida e os mais novos são claramente os que com maior facilidade adoptam novidades. Durante o confinamento e a explosão de uso da internet houve uma aplicação que ganhou destaque em todo o mundo – o Tik Tok. Trata-se...
A internet e a liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
As notícias falsas, os insultos, os apelos ao ódio, etc. abundam na internet. Mas criar uma qualquer censura é muito perigoso e iliberal. A intolerância com os intolerantes costuma acabar mal, diz-nos a história. O presidente Trump, que tinha lamentado a morte pela polícia de Minneapolis de um negro que estava a ser aprisionado, reagiu às violentas manifestações naquela cidade, chamando “bandidos” aos manifestantes e...
À medida que a pandemia parece mais controlada e o regresso ao trabalho se faz, conforme as regras de desconfinamento gradual, instalou-se uma “guerra mediática” de contornos invulgares, favorecida pela trapalhada da distribuição de apoios anunciados pelo governo, supostamente,  através da compra antecipada de espaço para publicidade institucional. Primeiro assistiu-se a uma “guerra “ privada, entre a Cofina e o...
Numa era digital, marcada por uma constante e acelerada mudança, caracterizada por um globalismo padronizador de culturas e de costumes, muitas indústrias e profissões estão a alterar-se totalmente, ou até mesmo a desaparecer. Tudo isto se passa num ritmo freneticamente acelerado, que nos afoga literalmente num caudal de informação, muitas vezes difícil de filtrar e descodificar em tempo útil. A evolução...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague