Sábado, 1 de Outubro, 2022
Media

Relatório estabelece ligação entre operadores públicos e democracias

Os países que garantem o financiamento estável, bem como a independência editorial, dos operadores públicos de radiodifusão têm um modelo democrático mais saudável, uma vez que asseguram o direito à informação dos cidadãos.

Quem o diz é Joshua Benton que, após analisar um estudo publicado no “ International Journal of Press/Politics”, sublinhou, no “Nieman Lab”, a importância de continuar a financiar as emissoras públicas, numa altura em que o sector está sob ameaça.

No estudo em causa, intitulado “Funding Democracy: Public Media and Democratic Health in 33 Countries”, os investigadores analisaram a relação entre o funcionamento dos operadores públicos e as liberdades democráticas de cada país.

Através desta análise, os responsáveis pelo estudo concluíram que existem, actualmente, cinco modelos de financiamento dos operadores públicos, que variam entre a “administração estatal” – no Botswana e na Tunísia – e a “corporação democrática” – na Noruega, Suécia, Islândia e Alemanha, entre outros.

Nos modelos considerados “exemplares”, em que a Democracia é uma prioridade, o Estado garante um financiamento público estável, com uma estrutura forte, e com liberdade económica e política.

Por outro lado, nos regimes que procuram controlar o jornalismo, existe prática de auto-censura, e o investimento é condicionado.

Neste sentido, continuou Benton, há que ter em conta o rácio entre o PIB e o montante investido, per capita, nos operadores públicos de radiodifusão.

Países como Cabo Verde, o Reino Unido e a Dinamarca apresentam uma disparidade mínima entre o Produto Interno Bruto e o investimento na rádio e televisão públicas, com um rácio que varia entre 306 e 1670.

Por outro lado, os Estados Unidos, que apresentam um dos maiores PIBs de todos os países analisados, investem menos de 4 dólares per capita neste tipo de serviços, num rácio de 6380.

Assim, considerou Benton, os Estados Unidos continuam a incentivar a produção privada de conteúdos, e a criação de novas empresas jornalísticas, que se movem, sobretudo, por interesses comerciais.


Apesar de esta medida ser aplaudida pelos defensores do mercado livre, prosseguiu Benton, afigura-se que o panorama pode prejudicar os interesses dos cidadãos.


Isto porque, ao dependerem de investimentos de terceiros, as empresas jornalísticas privadas têm uma maior probabilidade de apresentarem conteúdos tendenciosos, e de cariz sensacionalista.


Por isso mesmo, Benton considera crucial que o governo norte-americano invista em emissoras públicas, como forma de oferecer informação fidedigna aos cidadãos, afastando-os das redes sociais e das “fake news”, e contrariando tendências de polarização.


Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


ver mais >
Opinião
Se a exibição cinematográfica em sala foi seriamente afectada pelo advento dos aparelhos de televisão, cada vez mais sofisticados (o cinema em casa), a difusão da Imprensa sofreu um impacto ainda maior com o desenvolvimento e democratização da Internet, desde o telemóvel ao computador doméstico. A divulgação regular das contas feitas pela APCT - Associação Portuguesa de Controlo de Tiragens, é...
Com o fim dos confinamentos ditados pela pandemia, a publicidade exterior deu um grande salto: na primeira metade deste ano o investimento dos anunciantes nas redes de outdoor cresceu mais de 73% comparado com igual período do ano passado. Mais significativo ainda - no total do primeiro semestre o outdoor captou cerca de 12% de todo o mercado publicitário português, colocando-se assim como o terceiro meio mais utilizado pelos anunciantes, depois da televisão (53%) e...
Se tudo correr bem, no início da próxima semana, Macau “liberta-se”, embora gradualmente, do primeiro grande surto de covid-19 desde Fevereiro de 2020. No total, desde 18 de Julho, foram detectados 1.117 casos de infecção, dos quais apenas cerca de 700 apresentaram sintomas, e houve um total de apenas seis mortos, todas senhoras idosas com doenças crónicas. Se tudo correr bem, o grande surto de covid em Macau durou três semanas. O...
Trump só aceita resultados eleitorais quando é declarado vencedor. Caso contrário, trata-se de uma fraude. Esta versão peculiar da democracia começa a fazer escola. É o caso de Bolsonaro. Os jornalistas são alvo da fúria de Trump e Bolsonaro. Donald Trump prepara a sua candidatura à presidência dos EUA em 2024. As sessões da comissão de inquérito do Congresso federal, que investiga o assalto ao...
Apesar de todo o meu passado de jornalista, tento cada vez mais colocar-me no presente de cidadão leitor, escutante ou visionador da atual torrente de notícias. Não ouso elevar-me ao papel de futurólogo desta relação entre receptor e emissor. Na verdade, isso interessa-me pouco. Quero fixar-me no hoje, já não tenho alma de vidente. E o hoje é a sociedade dos sentidos e das emoções. Li recentemente um pequeno ensaio do...
Agenda
05
Out
The Publisher Podcast Summit
09:00 @ Proud Cabaret City, Londres
06
Out
News Impact Summit
10:00 @ Praga, República Checa
10
Out