Terça-feira, 17 de Maio, 2022
Media

Relatório estabelece ligação entre operadores públicos e democracias

Os países que garantem o financiamento estável, bem como a independência editorial, dos operadores públicos de radiodifusão têm um modelo democrático mais saudável, uma vez que asseguram o direito à informação dos cidadãos.

Quem o diz é Joshua Benton que, após analisar um estudo publicado no “ International Journal of Press/Politics”, sublinhou, no “Nieman Lab”, a importância de continuar a financiar as emissoras públicas, numa altura em que o sector está sob ameaça.

No estudo em causa, intitulado “Funding Democracy: Public Media and Democratic Health in 33 Countries”, os investigadores analisaram a relação entre o funcionamento dos operadores públicos e as liberdades democráticas de cada país.

Através desta análise, os responsáveis pelo estudo concluíram que existem, actualmente, cinco modelos de financiamento dos operadores públicos, que variam entre a “administração estatal” – no Botswana e na Tunísia – e a “corporação democrática” – na Noruega, Suécia, Islândia e Alemanha, entre outros.

Nos modelos considerados “exemplares”, em que a Democracia é uma prioridade, o Estado garante um financiamento público estável, com uma estrutura forte, e com liberdade económica e política.

Por outro lado, nos regimes que procuram controlar o jornalismo, existe prática de auto-censura, e o investimento é condicionado.

Neste sentido, continuou Benton, há que ter em conta o rácio entre o PIB e o montante investido, per capita, nos operadores públicos de radiodifusão.

Países como Cabo Verde, o Reino Unido e a Dinamarca apresentam uma disparidade mínima entre o Produto Interno Bruto e o investimento na rádio e televisão públicas, com um rácio que varia entre 306 e 1670.

Por outro lado, os Estados Unidos, que apresentam um dos maiores PIBs de todos os países analisados, investem menos de 4 dólares per capita neste tipo de serviços, num rácio de 6380.

Assim, considerou Benton, os Estados Unidos continuam a incentivar a produção privada de conteúdos, e a criação de novas empresas jornalísticas, que se movem, sobretudo, por interesses comerciais.


Apesar de esta medida ser aplaudida pelos defensores do mercado livre, prosseguiu Benton, afigura-se que o panorama pode prejudicar os interesses dos cidadãos.


Isto porque, ao dependerem de investimentos de terceiros, as empresas jornalísticas privadas têm uma maior probabilidade de apresentarem conteúdos tendenciosos, e de cariz sensacionalista.


Por isso mesmo, Benton considera crucial que o governo norte-americano invista em emissoras públicas, como forma de oferecer informação fidedigna aos cidadãos, afastando-os das redes sociais e das “fake news”, e contrariando tendências de polarização.


Connosco
Jornalistas enfrentam “período negro” com risco de vida Ver galeria

O mês de Maio tem sido negro para os jornalistas, com o assassinato de quatro mulheres  jornalistas em apenas sete dias.

Conforme apontou o “Guardian”, dois dos homicídios ocorreram no México, um dos países mais perigosos para o exercício jornalístico. As vítimas foram Yesenia Mollinedo Falconi e Sheila Johana García Olivera, do “site”  “El Veraz”.

Semanas antes da sua morte, Yesenia Mollinedo Falconi, havia recebido ameaças de morte, na sequência das suas investigações sobre crime e corrupção. Ainda assim, aquela jornalista estava confiante de que não corria perigo.

Dois dias após a morte das profissionais mexicanas, foi noticiada outra tragédia: o assassinato de Shireen Abu Akleh, uma correspondente da Al Jazeera, que acompanhava o conflito israelo-árabe há vários anos.

O Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU mostrou-se “chocado” com a morte deste profissional e exigiu, entretanto,  uma “investigação independente e transparente” sobre o sucedido.

Também a directora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, se juntou no apelo a uma “investigação completa” à morte da jornalista.

“O assassinato de uma jornalista claramente identificada, numa zona de conflito, é uma violação do direito internacional“, disse Azoulay em comunicado, pedindo uma investigação para levar “os responsáveis à justiça”.

No dia a seguir, ficou conhecido o homicídio da jornalista colombiana Francisca Sandoval, morta durante a cobertura noticiosa de uma manifestação.


“Media” polacos apostam em conteúdos em ucraniano Ver galeria

Na Polónia, várias empresas mediáticas começaram a lançar produtos noticiosos em ucraniano, como forma de responder às necessidades dos três milhões de refugiados que chegaram ao país desde o início da guerra.

Conforme apontou o “Nieman Lab”, a Agência Noticiosa Polaca (Polska Agencja Prasowa, ou PAP) foi uma das primeiras organizações a partilhar artigos em ucraniano, graças a uma equipa de cinco jornalistas, que têm vindo a dedicar-se à tradução e produção de conteúdos.

Este serviço em ucraniano foi criado em apenas uma semana, e publica artigos diários sobre a invasão da Ucrânia.

“Esta guerra mudou tudo”, disse Jaros?aw Junko, coordenador dos serviços ucraniano e russo daquela agência noticiosa. “Todos os ‘sites’ informativos polacos de renome começaram a oferecer produtos em ucraniano. Esta é uma mudança importante, e mostra que a Polónia está a respeitar os ‘vizinhos’ que chegam ao país”.

Agora, a PAP quer expandir a editoria ucraniana, passando a incluir conteúdos sobre apoio legal, e ajuda económica para refugiados.

Outra das publicações que apostou em conteúdos ucranianos foi a “Onet” que, agora, partilha dez artigos diários sobre o conflito e, ainda, sobre a adaptação à vida na Polónia.

“Fazemos o nosso melhor para sermos um guia sobre a vida neste país”, explicou Kamil Turecki, coordenador da “Onet”.

Também o Grupo RMF decidiu ajudar esta causa, lançando uma nova estação de rádio em ucraniano, com frequências nas cidades fronteiriças de Przemysl e Hrubieszow.

O Clube


Os ciberataques passaram a fazer parte da paisagem mediática portuguesa. Depois do Grupo Impresa ter sido seriamente afectado, juntamente com a Cofina, embora esta em menor grau de exposição, chegou a vez do Grupo Trust in News, que detém o antigo portfólio de revistas de Balsemão, como é o caso do semanário “Visão”.
Outras empresas foram igualmente visadas, em maior ou menor escala, desde a multinacional Vodafone aos laboratórios Germano de Sousa.
Não cabe neste espaço qualquer comentário especializado a tal respeito, mas não nos isentamos de manifestar uma profunda preocupação relativamente à continuidade - e aparente impunidade - destes actos ilegais, que estão a pôr a nu as vulnerabilidades dos sistemas e redes, tanto públicos como privados.
Recorde-se que este site do Clube Português de Imprensa já foi alvo, também, de intrusões pontuais que bloquearam a sua actualização regular, o que voltou a acontecer, embora de uma forma indirecta, como consequência da inoperacionalidade do operador de telecomunicações atingido.

Oxalá estes ataques de “hackers”, já com um carácter mais “profissional”, tenha contribuído para alertar os especialistas e as autoridades competentes em cibersegurança no sentido de adoptarem as medidas de protecção que se impõem.
As fragilidades ficaram bem à vista.

 


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Opinião
Impressiona saber que há mais de 600 mil portugueses a lerem jornais e revistas através da plataforma WhatsApp, conforme foi revelado por um estudo recente da Netsonda, o qual, apesar da margem de erro considerada, amplia as audiências da Imprensa.Segundo o estudo, realizado num universo de 470 entrevistas online, concluiu-se que o recurso àquela plataforma “potencializa até 6,5 vezes o alcance dos jornais e revistas em Portugal, quando comparados com os...
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Venham mais 40!...
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No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
Agenda
19
Mai
2022 Collaborative Journalism Summit
10:00 @ Chicago, Estados Unidos
25
Jun
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor
27
Jun
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia
10
Jul
Washington Journalism and Media Conference (WJMC)
10:00 @ Universidade George Mason