null, 22 de Maio, 2022
Evento

Para Anne Teresa, Prémio Helena Vaz da Silva, a “coreografia ensina a viver em harmonia”

A Fundação Calouste Gulbenkian voltou a acolher a cerimónia de entrega do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído, este ano, à coreógrafa Anne Teresa De Keersmaeker.

A cerimónia, que contou com a moderação da secretária-geral da Europa Nostra, Sneška Quaedvlieg-Mihailovi?, foi, mais uma vez, transmitida em “lifestream”.

Este prémio europeu, instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI) recorda a jornalista, escritora, activista cultural e política portuguesa, Helena Vaz da Silva, bem como a sua contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus.

É atribuído, anualmente, a um cidadão europeu, cuja acção se destaca pela salvaguarda do património cultural, entendido no seu sentido mais amplo. Por isso mesmo, este ano, o júri do prémio concedeu, também, um Reconhecimento Especial à escritora e professora italiana, de origem arménia, Antonia Arslan.

Distinguida pela “sua contribuição” para a celebração do “Património Cultural europeu”, e pela capacidade de “difundir o vocabulário autêntico da dança [europeia] na América e na Ásia, Anne Teresa disse “sentir-se honrada por receber este prémio” e afirmou estar, permanentemente, à procura de uma definição para a função da coreografia no mundo.

Assim, a galardoada propôs que a coreografia fosse definida como a actividade de “organizar um grupo de pessoas, uma multidão", recordando que a covid-19 transpôs as características desta função artística para o dia-a-dia de todos os cidadãos.

“O que vimos nesta crise pandémica foi uma nova forma de coreografia. Estamos numa multidão, a executar uma ‘performance’ de procedimentos sanitários. Nesta coreografia, assistimos a uma desconfiança entre os corpos, à falta de toque, a rituais de monitorização”, afirmou.

Perante esta e outras calamidades contemporâneas, Anne Teresa disse acreditar que “a coreografia, talvez, tenha o potencial de oferecer mais do que conforto”, já que nos poderá ensinar a “desafiar a gravidade” e a “tomar decisões de forma imaginativa”, para que possamos viver em harmonia, “num mundo com tantas pessoas”.

Por sua vez, a escritora e professora Antonia Arslan --  que não esteve presente na cerimónia, mas que deixou uma mensagem de agradecimento -- elogiou a organização do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva “por incentivar os cidadãos europeus a reflectirem sobre a importância da  sua preciosa herança cultural”.


No arranque da entrega do prémio, Sneška Quaedvlieg-Mihailovi? começou por recordar o principal objectivo deste Prémio: “celebrar a Europa, a cultura e os valores que foram tão cruciais para a vida da extraordinária Helena Vaz da Silva”.

 

Já Guilherme de Oliveira Martins,  anfitrião da cerimónia,  na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, considerou que, ao distinguir o trabalho de Anne Teresa De Keersmaeker, o júri do galardão conseguiu valorizar um elemento que,  muitas vezes, não é referido no âmbito do património cultural: “ a capacidade criadora, de ligar os vários domínios da imaginação”.


Da mesma forma, a presidente do Centro Nacional de Cultura, Maria Calado, descreveu a laureada como “uma grande referência europeia e mundial, que tanto tem contribuído para a divulgação dos valores europeus, através da dança”.


Na sua intervenção, o presidente do Clube Português de Imprensa, Dinis de Abreu, lembrou Helena Vaz da Silva como alguém que deve estar inscrito ao lado “daqueles que lutaram e lutam, na Europa, pela sobrevivência das Artes, das Letras, da Ciência, ou do Jornalismo, e até da Fé, contra as fraquezas e permissividade dos mal-avisados, e como desafios permanentes que nos enriquecem e nos afastam das trevas”.


Dinis de Abreu salientou, depois, o trabalho de Anne Teresa enquanto “visionária da dança contemporânea, que nos convoca para o seu desassossego criativo, que é a essência do bailado moderno”.


O Presidente do CPI sublinhou, ainda, a ligação da coreógrafa com Lisboa, “onde criou uma peça para a Companhia Nacional de Bailado”, além de ter promovido “mais de uma dezena de espetáculos na capital e noutras cidades portuguesas”.


A ministra da Cultura, Graça Fonseca, esteve, também, presente, citando a coreógrafa como “um dos mais importantes nomes da dança contemporânea mundial”, que ao longo da sua carreira artística tem mantido uma “relação de proximidade com o nosso país”, e que, por isso, recebeu uma Medalha de Mérito Cultural, atribuída pelo governo português.


Apesar de não ter estado presente na cerimónia, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, deixou uma mensagem à laureada, reconhecendo ser um “admirador da carreira da artista e do seu exemplo extraordinário”.


O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, também ausente por incompatibilidade de agenda, enviou uma mensagem de vídeo, na qual apontou Anne Teresa De Keersmaeker como uma das "coreógrafas de referência do nosso tempo”.


O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva conta, também, com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.


Reveja aqui a cerimónia

Connosco
Onde se defende a promoção de novos “media” contra jornalismo superficial Ver galeria

Os jornalistas devem manter-se fiéis aos valores de ética e deontologia, reconhecendo a importância do seu trabalho para a vida democrática, e lutando para melhorar as condições de trabalho no sector mediático, considerou Miguel Ormaetxea num texto publicado no “site” Media-Tics.

Conforme apontou Ormaetxea, o jornalismo em Espanha está a enfrentar um período difícil, uma vez que, de forma a conseguirem emprego, os profissionais dos “media” aceitam escrever peças de pouco interesse, limitando-se a partilhar informações superficiais “ad nauseam”.

Além disso, continuou o autor, os profissionais espanhóis parecem ir todos atrás das mesmas histórias, resultando em bancas de jornais repletas de “manchetes” semelhantes e, por vezes, contraditórias.

Perante este cenário, Ormaetxea pede aos jornalistas que contrariem o “status quo”, deixando de sucumbir às vontades de grandes empresários de “media”, que “só sabem demitir, cortar salários e despesas”.

Até porque, de acordo com o articulista, a sobrevivência do jornalismo depende do investimento em “ qualidade, em inovação, em novas tecnologias,  e em talento''. 

Neste sentido, Ormaetxea considera essencial que os jornalistas deixem, também, de aceitar as exigências do governo, que promovem conferências de imprensa sem a possibilidade de intervenção dos repórteres, o que representa um ataque à liberdade de imprensa.

Da mesma forma, o autor recorda que os profissionais dos “media” devem parar de arriscar a sua vida “em troca de uns tostões”, e de “peças mal amanhadas”. 


Jornalistas venezuelanos forçados a serem criativos “fora de portas” Ver galeria

A instabilidade política e social na Venezuela levou muitos jornalistas a radicaram-se em países vizinhos, como forma de garantir a sua segurança e subsistência financeira.

Foi esse o caso de Pierina Sora, uma jornalista de Caracas que, em 2018, se mudou para o Peru. No entanto, esta profissional continua a informar os cidadãos venezuelanos, lutando pela liberdade de imprensa, conforme explicou em entrevista ao “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com Sora, a Venezuela está, de momento, a “atravessar uma complexa crise humanitária”, que levou muitos outros cidadãos a seguirem o seu exemplo, e a mudarem-se para o Peru. 

Foi perante este cenário que Sora decidiu criar o projecto “Cápsula Migrante”, um “site” lançado em Maio de 2020, no contexto da crise pandémica, com o objectivo de apoiar “a comunidade migrante”.

Este projecto serve, também, como alternativa aos cidadãos que continuam na Venezuela, e que têm dificuldade em aceder a jornalismo de qualidade, devido às restrições impostas pelo governo.

Tal como explicou Sora, as dificuldades na Venezuela verificam-se tanto a nível de ataques físicos aos colaboradores dos “media”, como na restrição do acesso ao papel para imprimir jornais, e, ainda, no bloqueio da internet.

Assim, o “Cápsula Migrante”, juntamente com outros projectos de jornalismo local e hiperlocal, tem tentado “dedicar-se às comunidades”, dando-lhes poder através da “informação de qualidade”.


O Clube


Os ciberataques passaram a fazer parte da paisagem mediática portuguesa. Depois do Grupo Impresa ter sido seriamente afectado, juntamente com a Cofina, embora esta em menor grau de exposição, chegou a vez do Grupo Trust in News, que detém o antigo portfólio de revistas de Balsemão, como é o caso do semanário “Visão”.
Outras empresas foram igualmente visadas, em maior ou menor escala, desde a multinacional Vodafone aos laboratórios Germano de Sousa.
Não cabe neste espaço qualquer comentário especializado a tal respeito, mas não nos isentamos de manifestar uma profunda preocupação relativamente à continuidade - e aparente impunidade - destes actos ilegais, que estão a pôr a nu as vulnerabilidades dos sistemas e redes, tanto públicos como privados.
Recorde-se que este site do Clube Português de Imprensa já foi alvo, também, de intrusões pontuais que bloquearam a sua actualização regular, o que voltou a acontecer, embora de uma forma indirecta, como consequência da inoperacionalidade do operador de telecomunicações atingido.

Oxalá estes ataques de “hackers”, já com um carácter mais “profissional”, tenha contribuído para alertar os especialistas e as autoridades competentes em cibersegurança no sentido de adoptarem as medidas de protecção que se impõem.
As fragilidades ficaram bem à vista.

 


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Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
Agenda
01
Jun
Digital Media Europe 2022
10:00 @ Oslo, Noruega
25
Jun
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor
27
Jun
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia
10
Jul
Washington Journalism and Media Conference (WJMC)
10:00 @ Universidade George Mason