Segunda-feira, 29 de Novembro, 2021
Evento

Para Anne Teresa, Prémio Helena Vaz da Silva, a “coreografia ensina a viver em harmonia”

A Fundação Calouste Gulbenkian voltou a acolher a cerimónia de entrega do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído, este ano, à coreógrafa Anne Teresa De Keersmaeker.

A cerimónia, que contou com a moderação da secretária-geral da Europa Nostra, Sneška Quaedvlieg-Mihailovi?, foi, mais uma vez, transmitida em “lifestream”.

Este prémio europeu, instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI) recorda a jornalista, escritora, activista cultural e política portuguesa, Helena Vaz da Silva, bem como a sua contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus.

É atribuído, anualmente, a um cidadão europeu, cuja acção se destaca pela salvaguarda do património cultural, entendido no seu sentido mais amplo. Por isso mesmo, este ano, o júri do prémio concedeu, também, um Reconhecimento Especial à escritora e professora italiana, de origem arménia, Antonia Arslan.

Distinguida pela “sua contribuição” para a celebração do “Património Cultural europeu”, e pela capacidade de “difundir o vocabulário autêntico da dança [europeia] na América e na Ásia, Anne Teresa disse “sentir-se honrada por receber este prémio” e afirmou estar, permanentemente, à procura de uma definição para a função da coreografia no mundo.

Assim, a galardoada propôs que a coreografia fosse definida como a actividade de “organizar um grupo de pessoas, uma multidão", recordando que a covid-19 transpôs as características desta função artística para o dia-a-dia de todos os cidadãos.

“O que vimos nesta crise pandémica foi uma nova forma de coreografia. Estamos numa multidão, a executar uma ‘performance’ de procedimentos sanitários. Nesta coreografia, assistimos a uma desconfiança entre os corpos, à falta de toque, a rituais de monitorização”, afirmou.

Perante esta e outras calamidades contemporâneas, Anne Teresa disse acreditar que “a coreografia, talvez, tenha o potencial de oferecer mais do que conforto”, já que nos poderá ensinar a “desafiar a gravidade” e a “tomar decisões de forma imaginativa”, para que possamos viver em harmonia, “num mundo com tantas pessoas”.

Por sua vez, a escritora e professora Antonia Arslan --  que não esteve presente na cerimónia, mas que deixou uma mensagem de agradecimento -- elogiou a organização do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva “por incentivar os cidadãos europeus a reflectirem sobre a importância da  sua preciosa herança cultural”.


No arranque da entrega do prémio, Sneška Quaedvlieg-Mihailovi? começou por recordar o principal objectivo deste Prémio: “celebrar a Europa, a cultura e os valores que foram tão cruciais para a vida da extraordinária Helena Vaz da Silva”.

 

Já Guilherme de Oliveira Martins,  anfitrião da cerimónia,  na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, considerou que, ao distinguir o trabalho de Anne Teresa De Keersmaeker, o júri do galardão conseguiu valorizar um elemento que,  muitas vezes, não é referido no âmbito do património cultural: “ a capacidade criadora, de ligar os vários domínios da imaginação”.


Da mesma forma, a presidente do Centro Nacional de Cultura, Maria Calado, descreveu a laureada como “uma grande referência europeia e mundial, que tanto tem contribuído para a divulgação dos valores europeus, através da dança”.


Na sua intervenção, o presidente do Clube Português de Imprensa, Dinis de Abreu, lembrou Helena Vaz da Silva como alguém que deve estar inscrito ao lado “daqueles que lutaram e lutam, na Europa, pela sobrevivência das Artes, das Letras, da Ciência, ou do Jornalismo, e até da Fé, contra as fraquezas e permissividade dos mal-avisados, e como desafios permanentes que nos enriquecem e nos afastam das trevas”.


Dinis de Abreu salientou, depois, o trabalho de Anne Teresa enquanto “visionária da dança contemporânea, que nos convoca para o seu desassossego criativo, que é a essência do bailado moderno”.


O Presidente do CPI sublinhou, ainda, a ligação da coreógrafa com Lisboa, “onde criou uma peça para a Companhia Nacional de Bailado”, além de ter promovido “mais de uma dezena de espetáculos na capital e noutras cidades portuguesas”.


A ministra da Cultura, Graça Fonseca, esteve, também, presente, citando a coreógrafa como “um dos mais importantes nomes da dança contemporânea mundial”, que ao longo da sua carreira artística tem mantido uma “relação de proximidade com o nosso país”, e que, por isso, recebeu uma Medalha de Mérito Cultural, atribuída pelo governo português.


Apesar de não ter estado presente na cerimónia, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, deixou uma mensagem à laureada, reconhecendo ser um “admirador da carreira da artista e do seu exemplo extraordinário”.


O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, também ausente por incompatibilidade de agenda, enviou uma mensagem de vídeo, na qual apontou Anne Teresa De Keersmaeker como uma das "coreógrafas de referência do nosso tempo”.


O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva conta, também, com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.


Reveja aqui a cerimónia

Connosco
Jornalismo resiste apesar das restrições editoriais Ver galeria

O jornalismo no Brasil está a atravessar uma fase de grande interesse para o público, devido às disputas políticas e à gestão da crise sanitária, causada pela pandemia.

Contudo, ressalvou Carlos Wagner num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria , as publicações estão a ter dificuldades em acompanhar estes eventos, devido à falta de colaboradores e de materiais de reportagem.

De acordo com o autor, este cenário começou a surgir no início da década de 2000, quando os jornais passaram, lentamente, a desenvolver o seu processo de digitalização.

Até então, continuou Wagner, de forma a garantirem a sua sustentabilidade financeira, os títulos jornalísticos investiam em estratégias de captação de leitores e de publicidade.

Além disso, cada colaborador tinha funções bem definidas, e o principal objectivo era conseguir a melhor manchete, para vender um número significativo de exemplares em cada edição.

Tudo isso mudou com a digitalização: os empresários tiveram dificuldade em adaptar-se aos novos modelos de negócio, foram forçados a fazer cortes orçamentais, e exigiram que os jornalistas produzissem conteúdos multiplataforma.

Desta forma, os colaboradores dos “media” tiveram que passar a dominar diferentes áreas -- desde o texto à fotografia, passando pelo vídeo e pelos gráficos digitais -- trabalhando mais do que nunca, e recebendo um ordenado pouco satisfatório.

 

As “fake news” no Brasil carecem de regulamentação Ver galeria

No Brasil, a maioria dos políticos e dos cidadãos considera que o combate às “fake news” é algo que necessita a intervenção regulatória do Estado, recordou Paulo Victor Melo num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Aliás, conforme apontou o autor, o Projecto de Lei Nº 2630, que institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, está pronto a ser votado pelo Grupo de Trabalho (GT-NET) da Câmara dos Deputados, que foi criado para dar um parecer sobre o tema.

E, perante as “teorias da conspiração” que circulam “online”, e que podem pôr em risco a segurança e o bem-estar dos cidadãos, o articulista considera que o documento deve ser votado o mais depressa possível.

Este documento, indicou Melo, procura encontrar respostas regulatórias para as plataformas digitais, sem interferir com o direito à liberdade de expressão e à liberdade de comunicação.

Além disso, este texto quer garantir uma coordenação entre a responsabilização das empresas tecnológicas e a regulação estatal, de forma a acrescentar concepção “tecnologicamente neutra”, que concentre a atenção nas actividades desenvolvidas pelas plataformas.

O Clube


O associativismo já conheceu melhores dias. Ao contrário do que se observa aqui mesmo ao lado em Espanha, onde a APM – Associacion de la Prensa de Madrid – uma das mais antigas e conceituadas instituições ao serviço dos media, do jornalismo e dos jornalistas - desenvolve uma actividade multidisciplinar e intervém com regularidade no espaço público sobre problemas do sector, em Portugal as organizações de jornalistas são escassas e sobrevivem com não poucas dificuldades.
Há uma certa apatia dos profissionais em relação a associações onde deveriam estar representados, o que contribui para a falta de reconhecimento público da sua importância.
Claro que a precariedade que afecta as redacções e, em particular, os jornalistas mais jovens, não estimula o convívio e, menos ainda, a participação em debates regulares sobre o exercício da profissão e os seus condicionamentos.
E, no entanto, nunca foi tão urgente a análise sobre os desafios complexos que se colocam ao jornalismo, seja no plano ético, seja na interacção com os leitores/consumidores da informação, seja ainda no plano tecnológico, que tem progredido a um ritmo impressionante.
Hoje já se medem competências pelo número de “clicks” e há quem cultive a ideia de que um jornalista deverá ser remunerado em função da audiência que um seu texto mereça junto da comunidade de leitores. Uma perversão.
É para estes e outros temas conexos que o CPI continuará a olhar neste site e fora dele, porque uma democracia não se consolida sem jornais e outros media e um jornalista não pode ser substituído por um qualquer arrivista nas redes sociais.
Por isso teimamos em continuar, passados 40 anos.


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Opinião
Há bem pouco tempo, a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) publicou um relatório alarmado com a insegurança que atinge um número crescente de jornalistas no exercício da sua actividade. E denunciou que, só este ano, já foram mortos 35 jornalistas por motivos relacionados com as suas práticas profissionais. Uma lista negra.A publicação deste documento da FIJ coincidiu com o Dia Internacional das...
O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
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Masterclass : Using data to tell stories
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International Journalism Festival 2022
10:00 @ Perúgia, Itália
27
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12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia