Sábado, 1 de Outubro, 2022
Evento

Para Anne Teresa, Prémio Helena Vaz da Silva, a “coreografia ensina a viver em harmonia”

A Fundação Calouste Gulbenkian voltou a acolher a cerimónia de entrega do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído, este ano, à coreógrafa Anne Teresa De Keersmaeker.

A cerimónia, que contou com a moderação da secretária-geral da Europa Nostra, Sneška Quaedvlieg-Mihailovi?, foi, mais uma vez, transmitida em “lifestream”.

Este prémio europeu, instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI) recorda a jornalista, escritora, activista cultural e política portuguesa, Helena Vaz da Silva, bem como a sua contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus.

É atribuído, anualmente, a um cidadão europeu, cuja acção se destaca pela salvaguarda do património cultural, entendido no seu sentido mais amplo. Por isso mesmo, este ano, o júri do prémio concedeu, também, um Reconhecimento Especial à escritora e professora italiana, de origem arménia, Antonia Arslan.

Distinguida pela “sua contribuição” para a celebração do “Património Cultural europeu”, e pela capacidade de “difundir o vocabulário autêntico da dança [europeia] na América e na Ásia, Anne Teresa disse “sentir-se honrada por receber este prémio” e afirmou estar, permanentemente, à procura de uma definição para a função da coreografia no mundo.

Assim, a galardoada propôs que a coreografia fosse definida como a actividade de “organizar um grupo de pessoas, uma multidão", recordando que a covid-19 transpôs as características desta função artística para o dia-a-dia de todos os cidadãos.

“O que vimos nesta crise pandémica foi uma nova forma de coreografia. Estamos numa multidão, a executar uma ‘performance’ de procedimentos sanitários. Nesta coreografia, assistimos a uma desconfiança entre os corpos, à falta de toque, a rituais de monitorização”, afirmou.

Perante esta e outras calamidades contemporâneas, Anne Teresa disse acreditar que “a coreografia, talvez, tenha o potencial de oferecer mais do que conforto”, já que nos poderá ensinar a “desafiar a gravidade” e a “tomar decisões de forma imaginativa”, para que possamos viver em harmonia, “num mundo com tantas pessoas”.

Por sua vez, a escritora e professora Antonia Arslan --  que não esteve presente na cerimónia, mas que deixou uma mensagem de agradecimento -- elogiou a organização do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva “por incentivar os cidadãos europeus a reflectirem sobre a importância da  sua preciosa herança cultural”.


No arranque da entrega do prémio, Sneška Quaedvlieg-Mihailovi? começou por recordar o principal objectivo deste Prémio: “celebrar a Europa, a cultura e os valores que foram tão cruciais para a vida da extraordinária Helena Vaz da Silva”.

 

Já Guilherme de Oliveira Martins,  anfitrião da cerimónia,  na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, considerou que, ao distinguir o trabalho de Anne Teresa De Keersmaeker, o júri do galardão conseguiu valorizar um elemento que,  muitas vezes, não é referido no âmbito do património cultural: “ a capacidade criadora, de ligar os vários domínios da imaginação”.


Da mesma forma, a presidente do Centro Nacional de Cultura, Maria Calado, descreveu a laureada como “uma grande referência europeia e mundial, que tanto tem contribuído para a divulgação dos valores europeus, através da dança”.


Na sua intervenção, o presidente do Clube Português de Imprensa, Dinis de Abreu, lembrou Helena Vaz da Silva como alguém que deve estar inscrito ao lado “daqueles que lutaram e lutam, na Europa, pela sobrevivência das Artes, das Letras, da Ciência, ou do Jornalismo, e até da Fé, contra as fraquezas e permissividade dos mal-avisados, e como desafios permanentes que nos enriquecem e nos afastam das trevas”.


Dinis de Abreu salientou, depois, o trabalho de Anne Teresa enquanto “visionária da dança contemporânea, que nos convoca para o seu desassossego criativo, que é a essência do bailado moderno”.


O Presidente do CPI sublinhou, ainda, a ligação da coreógrafa com Lisboa, “onde criou uma peça para a Companhia Nacional de Bailado”, além de ter promovido “mais de uma dezena de espetáculos na capital e noutras cidades portuguesas”.


A ministra da Cultura, Graça Fonseca, esteve, também, presente, citando a coreógrafa como “um dos mais importantes nomes da dança contemporânea mundial”, que ao longo da sua carreira artística tem mantido uma “relação de proximidade com o nosso país”, e que, por isso, recebeu uma Medalha de Mérito Cultural, atribuída pelo governo português.


Apesar de não ter estado presente na cerimónia, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, deixou uma mensagem à laureada, reconhecendo ser um “admirador da carreira da artista e do seu exemplo extraordinário”.


O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, também ausente por incompatibilidade de agenda, enviou uma mensagem de vídeo, na qual apontou Anne Teresa De Keersmaeker como uma das "coreógrafas de referência do nosso tempo”.


O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva conta, também, com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.


Reveja aqui a cerimónia

Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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Opinião
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