Sábado, 1 de Outubro, 2022
Media

Jornalistas deverão ser curadores seleccionando conteúdos em harmonia com os leitores

Com a democratização do acesso à internet e às informações disseminadas “online”, o consumo de notícias fidedignas deixou de ser suficiente para os cidadãos que querem manter-se a par da actualidade, afirmou Carlos Castilho num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Agora, destacou o autor, as notícias deixaram de ser uma verdade absoluta e, por isso, devem ser, apenas, um ponto de partida para uma pesquisa mais aprofundada sobre um determinado tema.

Conforme apontou Castilho, isto acontece, sobretudo, porque uma mesma informação pode ter interpretações diferentes, dependendo do sector de actividade, ou dos interesses dos leitores de informação.

Ou seja, conforme exemplificou o articulista, uma notícia sobre a valorização do dólar pode ser considerada positiva para quem é exportador, uma catástrofe para quem depende da importação, ou uma arma político/eleitoral para um candidato presidencial.

Ora, esta é uma mudança de atitude que afecta, profundamente, a forma como a imprensa e o jornalismo autónomo abordam uma mesma notícia, disse Castilho.

Além disso, os jornalistas estão condicionados pelas suas próprias experiências e ideologias, por muito que tentem exercer as suas funções da forma mais objectiva possível.

E estas limitações humanas, continuou Castilho, não servem, de maneira satisfatória, os consumidores da era digital, que têm acesso a uma imensidão de diferentes perspectivas, com apenas um “click”.
Perante esta nova realidade, prosseguiu o autor,  os jornalistas deverão assumir o papel de curadores, seleccionando os conteúdos de acordo com os interesses de diferentes públicos, para que todos os cidadãos tenham acesso a informações fidedignas, independentemente do seu contexto socioeconómico.

Por sua vez, os consumidores de notícias deverão modificar o seu posicionamento, e assumir uma conduta crítica.


Isto não significa, contudo, que os leitores devam ser cépticos quanto ao trabalho desenvolvido pelos profissionais dos “media”. Em vez disso, deverão procurar contextualizar a informação que consomem, e procurar respostas concretas, consoante as suas circunstâncias pessoais.


Castilho sublinha, neste contexto, que as empresas jornalísticas deverão afastar-se das agendas noticiosas pré-estabelecidas, já que a forma de interpretar a realidade está a alterar-se, caracterizando-se por uma maior pluralidade de perspectivas e contextos.


Leia o artigo original em “Observatório da Imprensa”

Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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Opinião
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