Segunda-feira, 29 de Novembro, 2021
Media

Inteligência Artificial como recurso complementar do jornalismo

Com a era digital, os “media” e as novas tecnologias passaram a ser conceitos indissociáveis, já que as ferramentas “online” são, agora, algo crucial para o sucesso das publicações jornalísticas.

Ainda assim, os cidadãos continuam a desconfiar da informação distribuída por “sites” noticiosos, devido ao fluxo de notícias falsas que tem vindo a circular nas redes sociais.

Perante este cenário, diversos especialistas em “media” começaram a reunir-se, de forma a debaterem a melhor forma de reconquistar a confiança dos cidadãos, e de desenvolver novas estratégias para distribuir conteúdos noticiosos.

Foi isso mesmo que aconteceu num debate organizado pela publicação “Maddyness”, que juntou alguns jornalistas e empresários franceses, a fim de definir medidas para estabelecer uma relação com o público, recorrendo a ferramentas digitais.

Neste contexto, o director de inovação do Grupo TF1, Arnaud Mopin, afirmou que os consumidores continuam a procurar “informações fidedignas”.

Por isso mesmo, continuou aquele responsável, os “media” poderão recorrer a ferramentas de elaboração de gráficos e ilustrações em 3D para fornecer dados mais pormenorizados, e esclarecer as dúvidas dos cidadãos.

“A utilização da tecnologia permite-nos enriquecer a experiência do consumidor”, rematou Mopin.

Da mesma forma, Yassine Tahi, CEO da “startup” Kinetix que colabora com o Grupo TF1, afirmou que “o 3D torna a informação mais compreensível, tanto para jovens, como para idosos”

“Isso permite-nos oferecer diferentes pontos de vista, e interagir com o público digital”, afirmou.

Já Benoît Raphaël, fundador da Flint Media, sublinhou a importância de filtrar notícias falsas, e de melhorar os níveis de literacia mediática dos cidadãos.


“Na Flint, usamos, por exemplo, inteligência artificial para seleccionar e personalizar informações, protegendo o utilizador de notícias falsas e da sobrecarga de informações”, disse.


Os jornalistas presentes no debate destacaram, ainda, a importância da Inteligência Artificial para acelerar a elaboração de peças noticiosas simples, permitindo que os repórteres se dediquem à redacção de artigos mais complexos.


Através da utilização das novas tecnologias, estes profissionais esperam, ainda, ter uma melhor compreensão dos interesses de cada um dos seus leitores.

Connosco
Jornalismo resiste apesar das restrições editoriais Ver galeria

O jornalismo no Brasil está a atravessar uma fase de grande interesse para o público, devido às disputas políticas e à gestão da crise sanitária, causada pela pandemia.

Contudo, ressalvou Carlos Wagner num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria , as publicações estão a ter dificuldades em acompanhar estes eventos, devido à falta de colaboradores e de materiais de reportagem.

De acordo com o autor, este cenário começou a surgir no início da década de 2000, quando os jornais passaram, lentamente, a desenvolver o seu processo de digitalização.

Até então, continuou Wagner, de forma a garantirem a sua sustentabilidade financeira, os títulos jornalísticos investiam em estratégias de captação de leitores e de publicidade.

Além disso, cada colaborador tinha funções bem definidas, e o principal objectivo era conseguir a melhor manchete, para vender um número significativo de exemplares em cada edição.

Tudo isso mudou com a digitalização: os empresários tiveram dificuldade em adaptar-se aos novos modelos de negócio, foram forçados a fazer cortes orçamentais, e exigiram que os jornalistas produzissem conteúdos multiplataforma.

Desta forma, os colaboradores dos “media” tiveram que passar a dominar diferentes áreas -- desde o texto à fotografia, passando pelo vídeo e pelos gráficos digitais -- trabalhando mais do que nunca, e recebendo um ordenado pouco satisfatório.

 

As “fake news” no Brasil carecem de regulamentação Ver galeria

No Brasil, a maioria dos políticos e dos cidadãos considera que o combate às “fake news” é algo que necessita a intervenção regulatória do Estado, recordou Paulo Victor Melo num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Aliás, conforme apontou o autor, o Projecto de Lei Nº 2630, que institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, está pronto a ser votado pelo Grupo de Trabalho (GT-NET) da Câmara dos Deputados, que foi criado para dar um parecer sobre o tema.

E, perante as “teorias da conspiração” que circulam “online”, e que podem pôr em risco a segurança e o bem-estar dos cidadãos, o articulista considera que o documento deve ser votado o mais depressa possível.

Este documento, indicou Melo, procura encontrar respostas regulatórias para as plataformas digitais, sem interferir com o direito à liberdade de expressão e à liberdade de comunicação.

Além disso, este texto quer garantir uma coordenação entre a responsabilização das empresas tecnológicas e a regulação estatal, de forma a acrescentar concepção “tecnologicamente neutra”, que concentre a atenção nas actividades desenvolvidas pelas plataformas.

O Clube


O associativismo já conheceu melhores dias. Ao contrário do que se observa aqui mesmo ao lado em Espanha, onde a APM – Associacion de la Prensa de Madrid – uma das mais antigas e conceituadas instituições ao serviço dos media, do jornalismo e dos jornalistas - desenvolve uma actividade multidisciplinar e intervém com regularidade no espaço público sobre problemas do sector, em Portugal as organizações de jornalistas são escassas e sobrevivem com não poucas dificuldades.
Há uma certa apatia dos profissionais em relação a associações onde deveriam estar representados, o que contribui para a falta de reconhecimento público da sua importância.
Claro que a precariedade que afecta as redacções e, em particular, os jornalistas mais jovens, não estimula o convívio e, menos ainda, a participação em debates regulares sobre o exercício da profissão e os seus condicionamentos.
E, no entanto, nunca foi tão urgente a análise sobre os desafios complexos que se colocam ao jornalismo, seja no plano ético, seja na interacção com os leitores/consumidores da informação, seja ainda no plano tecnológico, que tem progredido a um ritmo impressionante.
Hoje já se medem competências pelo número de “clicks” e há quem cultive a ideia de que um jornalista deverá ser remunerado em função da audiência que um seu texto mereça junto da comunidade de leitores. Uma perversão.
É para estes e outros temas conexos que o CPI continuará a olhar neste site e fora dele, porque uma democracia não se consolida sem jornais e outros media e um jornalista não pode ser substituído por um qualquer arrivista nas redes sociais.
Por isso teimamos em continuar, passados 40 anos.


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Opinião
Há bem pouco tempo, a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) publicou um relatório alarmado com a insegurança que atinge um número crescente de jornalistas no exercício da sua actividade. E denunciou que, só este ano, já foram mortos 35 jornalistas por motivos relacionados com as suas práticas profissionais. Uma lista negra.A publicação deste documento da FIJ coincidiu com o Dia Internacional das...
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Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
Agenda
09
Fev
Masterclass : Using data to tell stories
18:00 @ Conferência "Online" leccionada por Juliet Ferguson
06
Abr
International Journalism Festival 2022
10:00 @ Perúgia, Itália
27
Jun
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia