Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Media

O ofício de ser jornalista em novo ambiente tecnológico

A simples descrição das novas ferramentas ao dispor do jornalista pode tornar-se uma lista estonteante. A tentação de as usar todas ao mesmo tempo pode fazê-lo esquecer-se do esencial. A sua primeira missão continua a ser a de contar histórias, e a sua primeira responsabilidade a de ser credível. É deste modo que Humberto Martínez-Fresneda, jornalista e director da Graduação em Jornalismo da Universidade Francisco de Vitória, em Madrid, define o que é ser jornalista no actual novo ambiente tecnológico.

 

O artigo aqui citado é recolhido de Asociación de La Prensa de Madrid, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

 

Quando fala em contar histórias, o autor deste texto não está a fazê-lo de modo ligeiro. Recordando as grandes revoluções tecnológicas que nos trouxeram até ao jornalismo digital, Martínez-Fresneda evoca a frustração que devem ter sentido os monges copistas do séc.XV, quando chegou a impressora de Gutenberg: 

“Os novos monges copistas são os jornalistas, que vêem como deixaram de ser um dos principais protagonistas deste processo de comunicação. Crêem que perderam poder de intermediação, que perderam o seu papel.” 

“Diante disto é preciso abrir novos caminhos e procurar um novo discurso, que situem o jornalista no seu justo papel, que recupere o seu protagonismo e volte a ser o garante da informação e o guardião e vigilante do poder político.” 

Chegados aqui, o domínio das novas tecnologías é importante e indispensável, mas também insuficiente. O esencial, lembra o autor, está do lado da ética profissional e da responsabilidade social: 

“Esta responsabilidade responde ao princípio da justiça informativa: dar a informação que eticamente se deve oferecer à sua audiência. A informação nasce no público, é dele e a ele deve voltar. E o jornalista, pela sua actuação, deve contribuir para melhorar a sociedade.” 

Martínez-Fresneda cita e declara a sua adesão a uma frase do jornalista John Muller:

“Aquilo que a cultura print deve trazer à cultura online são os valores que sempre caracterizaram o jornalismo: o rigor, a obsessão pela busca da verdade, e não acreditar que as coisas são sempre como no-las contam.”

 

O artigo de Humberto Martínez-Fresneda

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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