Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

O ofício de ser jornalista em novo ambiente tecnológico

A simples descrição das novas ferramentas ao dispor do jornalista pode tornar-se uma lista estonteante. A tentação de as usar todas ao mesmo tempo pode fazê-lo esquecer-se do esencial. A sua primeira missão continua a ser a de contar histórias, e a sua primeira responsabilidade a de ser credível. É deste modo que Humberto Martínez-Fresneda, jornalista e director da Graduação em Jornalismo da Universidade Francisco de Vitória, em Madrid, define o que é ser jornalista no actual novo ambiente tecnológico.

 

O artigo aqui citado é recolhido de Asociación de La Prensa de Madrid, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

 

Quando fala em contar histórias, o autor deste texto não está a fazê-lo de modo ligeiro. Recordando as grandes revoluções tecnológicas que nos trouxeram até ao jornalismo digital, Martínez-Fresneda evoca a frustração que devem ter sentido os monges copistas do séc.XV, quando chegou a impressora de Gutenberg: 

“Os novos monges copistas são os jornalistas, que vêem como deixaram de ser um dos principais protagonistas deste processo de comunicação. Crêem que perderam poder de intermediação, que perderam o seu papel.” 

“Diante disto é preciso abrir novos caminhos e procurar um novo discurso, que situem o jornalista no seu justo papel, que recupere o seu protagonismo e volte a ser o garante da informação e o guardião e vigilante do poder político.” 

Chegados aqui, o domínio das novas tecnologías é importante e indispensável, mas também insuficiente. O esencial, lembra o autor, está do lado da ética profissional e da responsabilidade social: 

“Esta responsabilidade responde ao princípio da justiça informativa: dar a informação que eticamente se deve oferecer à sua audiência. A informação nasce no público, é dele e a ele deve voltar. E o jornalista, pela sua actuação, deve contribuir para melhorar a sociedade.” 

Martínez-Fresneda cita e declara a sua adesão a uma frase do jornalista John Muller:

“Aquilo que a cultura print deve trazer à cultura online são os valores que sempre caracterizaram o jornalismo: o rigor, a obsessão pela busca da verdade, e não acreditar que as coisas são sempre como no-las contam.”

 

O artigo de Humberto Martínez-Fresneda

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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