Sábado, 17 de Novembro, 2018
Media

O ofício de ser jornalista em novo ambiente tecnológico

A simples descrição das novas ferramentas ao dispor do jornalista pode tornar-se uma lista estonteante. A tentação de as usar todas ao mesmo tempo pode fazê-lo esquecer-se do esencial. A sua primeira missão continua a ser a de contar histórias, e a sua primeira responsabilidade a de ser credível. É deste modo que Humberto Martínez-Fresneda, jornalista e director da Graduação em Jornalismo da Universidade Francisco de Vitória, em Madrid, define o que é ser jornalista no actual novo ambiente tecnológico.

 

O artigo aqui citado é recolhido de Asociación de La Prensa de Madrid, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

 

Quando fala em contar histórias, o autor deste texto não está a fazê-lo de modo ligeiro. Recordando as grandes revoluções tecnológicas que nos trouxeram até ao jornalismo digital, Martínez-Fresneda evoca a frustração que devem ter sentido os monges copistas do séc.XV, quando chegou a impressora de Gutenberg: 

“Os novos monges copistas são os jornalistas, que vêem como deixaram de ser um dos principais protagonistas deste processo de comunicação. Crêem que perderam poder de intermediação, que perderam o seu papel.” 

“Diante disto é preciso abrir novos caminhos e procurar um novo discurso, que situem o jornalista no seu justo papel, que recupere o seu protagonismo e volte a ser o garante da informação e o guardião e vigilante do poder político.” 

Chegados aqui, o domínio das novas tecnologías é importante e indispensável, mas também insuficiente. O esencial, lembra o autor, está do lado da ética profissional e da responsabilidade social: 

“Esta responsabilidade responde ao princípio da justiça informativa: dar a informação que eticamente se deve oferecer à sua audiência. A informação nasce no público, é dele e a ele deve voltar. E o jornalista, pela sua actuação, deve contribuir para melhorar a sociedade.” 

Martínez-Fresneda cita e declara a sua adesão a uma frase do jornalista John Muller:

“Aquilo que a cultura print deve trazer à cultura online são os valores que sempre caracterizaram o jornalismo: o rigor, a obsessão pela busca da verdade, e não acreditar que as coisas são sempre como no-las contam.”

 

O artigo de Humberto Martínez-Fresneda

Connosco
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Guilherme d’Oliveira Martins, anfitrião da cerimónia, na qualidade de administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Bettany Hughes como “uma historiadora que dedicou os últimos vinte cinco anos à comunicação do passado”, não numa visão retrospectiva, mas sim com “uma leitura dinâmica das raízes, da História, do tempo, das culturas, dos encontros e desencontros, numa palavra: da complexidade”.

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“Sabe bem evocar o seu exemplo, numa época instável e amiúde caótica, onde a responsabilidade se dilui por entre sombras e vazios, ocupados por populismos e extremismos, de esquerda e de direita, que vicejam e agravam as incertezas” – disse.

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O Clube

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Temos dedicado , também, um espaço significativo às grandes questões em debate sobre a evolução do espaço mediático, designadamente,  em termos éticos e deontológicos,  a par da  transformação das redes sociais em fontes primárias de informação, sobretudo  por parte das camadas mais jovens.


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