Quinta-feira, 17 de Janeiro, 2019
Media

A "cultura do clique" ou o valor da notícia na era digital

A questão de saber qual é “o valor da notícia na era digital”, tema central do texto publicado pelo Observatório de Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém parceria, equaciona o constante conflito entre o mercado e a sociedade. O artigo em causa cita Suzana Singer, ex-Ombudsman (Provedora do Leitor) da Folha de S. Paulo, e aborda ainda o dilema entre 'transformar o que é importante em interessante’.”

O autor é o jornalista Luís Humberto Rocha Carrijo que começa o seu artigo por uma breve descrição da revolução digital, cujas “inovações democratizaram, em tese, o acesso das pessoas ao conhecimento e mudou a forma de se consumir notícias: a audiência agora quer tudo em excesso de maneira instantânea”.

Mas houve outras consequências para a comunicação: a sua “função social de fortalecer a liberdade de expressão, educar e provocar reflexão, promovendo de maneira equânime diferentes pontos de vista, (...) foi colocada em xeque em nome da sobrevivência económica, com implicações na forma de se produzir notícias”.

 

As receitas da publicidade emigraram para outras plataformas e canais, e os meios de comunicação passaram a estar mais dependentes da procura voluntária pelo seu público. Citando “o conceituado jornalista britânico, Peter Oborne, ex-Daily Telegraph, a introdução da ‘cultura do clique’, no qual o mérito da reportagem está na quantidade de visitas online e não na importância do assunto, está consolidada”. (...) 

“O linguista francês Patrick Charaudeau aponta para mais uma das mutações na cobertura noticiosa por conta da pressão dos accionistas por maiores lucros. Ele explica que, às voltas de um problema de ordem económica, os veículos de comunicação precisam dirigir-se a um grande número de pessoas, satisfazendo um público com diferentes graus de saberes. Daí, a necessidade de se construir uma linguagem que desperte o interesse do maior número possível de destinatários. (...)  Com a vulgarização do texto, passou-se a correr também o risco de o conteúdo ser deformado.” 

Segue-se uma reflexão sobre a “Publicidade Nativa”, que “nada mais é do que uma forma de propaganda revestida de reportagem que segue o mesmo padrão gráfico e editorial do veículo de comunicação que o divulga. (...)  O leitor será induzido a pensar que aquela reportagem patrocinada é isenta e de interesse público. Logo, veremos conteúdos patrocinados encomendados por grandes grupos económicos envolvidos em corrupção”. 

A conclusão do artigo declara com toda a franqueza:

(...)  “Esse novo pensamento deve partir da premissa de que os órgãos de comunicação não conseguem sozinhos produzir conteúdos relevantes em quantidade que atenda a demanda sem a ajuda dos Relações Públicas e de seus clientes. Eles estão cada vez mais dependentes de quem realmente constrói a agenda noticiosa: as fontes de informação. As organizações devem deixar de priorizar as informações comoditizadas e passar a dar melhor tratamento a conteúdos, de forma a também tornar interessante o que é importante e, se possível, conferir importância ao que é apenas atraente.” 

O autor, Luís Humberto Carrijo, é também o proprietário da Agência Rapport, cujo projecto é apresentado, no respectivo site.


O artigo citado, no Observatório da Imprensa

Connosco
António Martins da Cruz em Janeiro no ciclo de jantares-debate “Portugal: que País vai a votos?” Ver galeria

O próximo orador-convidado do novo ciclo de jantares-debate subordinado ao tema “Portugal: que País vai a votos?” é o embaixador António Martins da Cruz, um observador atento, persistente e ouvido da realidade portuguesa, que aceitou estar connosco.

A conferência está marcada para o próximo dia 24 de Janeiro na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, dando continuidade à iniciativa lançada há cinco anos pelo CPI -  Clube Português de Imprensa, em parceria com o CNC – Centro Nacional de Cultura e o próprio Grémio.

Político e diplomata, António Manuel de Mendonça Martins da Cruz nasceu a 28 de Dezembro de 1946, em Lisboa. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, fez ainda estudos de pós-graduação na Universidade de Genebra, na Suíça.

Edição especial de "Charlie Hebdo" no aniversário do atentado Ver galeria

A revista satírica francesa Charlie Hebdo recordou o atentado de 7 de Janeiro de 2015, contra a sua redacção, publicando uma edição especial com a capa acima reproduzida, mostrando a imagem de um cardeal católico e um imã muçulmano soprando a chama de uma vela. Partindo desta imagem, o jornalista Rui Martins sugere que “ambos desejam a mesma coisa, em nome de Jesus ou Maomé: o advento do obscurantismo, para se apagar, enfim, o Iluminismo e mergulharmos novamente num novo período de trevas”.

Segundo afirma, “esse número especial não quer apenas relembrar a chacina, Charlie Hebdo vai mais longe”:
“Esse novo milénio, profetizado pelo francês André Malraux como religioso, será mais que isso. Será fundamentalista, fanático, intolerante e irá pouco a pouco asfixiar os livres pensadores até acabar por completo com o exercício da livre expressão.”

No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube

O Novo Ano não se antevê fácil para os media e para o jornalismo.

Sobram os indicadores pessimistas, nos jornais, com a queda acentuada de  vendas,  e nas televisões, temáticas ou generalistas, com audiências degradadas e uma tendência em ambos os casos para a tabloidização, como forma  já desesperada de fidelização de  leitores e espectadores, atraídos por outras fontes de informação e de entretenimento.


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