Quarta-feira, 14 de Novembro, 2018
Media

A "cultura do clique" ou o valor da notícia na era digital

A questão de saber qual é “o valor da notícia na era digital”, tema central do texto publicado pelo Observatório de Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém parceria, equaciona o constante conflito entre o mercado e a sociedade. O artigo em causa cita Suzana Singer, ex-Ombudsman (Provedora do Leitor) da Folha de S. Paulo, e aborda ainda o dilema entre 'transformar o que é importante em interessante’.”

O autor é o jornalista Luís Humberto Rocha Carrijo que começa o seu artigo por uma breve descrição da revolução digital, cujas “inovações democratizaram, em tese, o acesso das pessoas ao conhecimento e mudou a forma de se consumir notícias: a audiência agora quer tudo em excesso de maneira instantânea”.

Mas houve outras consequências para a comunicação: a sua “função social de fortalecer a liberdade de expressão, educar e provocar reflexão, promovendo de maneira equânime diferentes pontos de vista, (...) foi colocada em xeque em nome da sobrevivência económica, com implicações na forma de se produzir notícias”.

 

As receitas da publicidade emigraram para outras plataformas e canais, e os meios de comunicação passaram a estar mais dependentes da procura voluntária pelo seu público. Citando “o conceituado jornalista britânico, Peter Oborne, ex-Daily Telegraph, a introdução da ‘cultura do clique’, no qual o mérito da reportagem está na quantidade de visitas online e não na importância do assunto, está consolidada”. (...) 

“O linguista francês Patrick Charaudeau aponta para mais uma das mutações na cobertura noticiosa por conta da pressão dos accionistas por maiores lucros. Ele explica que, às voltas de um problema de ordem económica, os veículos de comunicação precisam dirigir-se a um grande número de pessoas, satisfazendo um público com diferentes graus de saberes. Daí, a necessidade de se construir uma linguagem que desperte o interesse do maior número possível de destinatários. (...)  Com a vulgarização do texto, passou-se a correr também o risco de o conteúdo ser deformado.” 

Segue-se uma reflexão sobre a “Publicidade Nativa”, que “nada mais é do que uma forma de propaganda revestida de reportagem que segue o mesmo padrão gráfico e editorial do veículo de comunicação que o divulga. (...)  O leitor será induzido a pensar que aquela reportagem patrocinada é isenta e de interesse público. Logo, veremos conteúdos patrocinados encomendados por grandes grupos económicos envolvidos em corrupção”. 

A conclusão do artigo declara com toda a franqueza:

(...)  “Esse novo pensamento deve partir da premissa de que os órgãos de comunicação não conseguem sozinhos produzir conteúdos relevantes em quantidade que atenda a demanda sem a ajuda dos Relações Públicas e de seus clientes. Eles estão cada vez mais dependentes de quem realmente constrói a agenda noticiosa: as fontes de informação. As organizações devem deixar de priorizar as informações comoditizadas e passar a dar melhor tratamento a conteúdos, de forma a também tornar interessante o que é importante e, se possível, conferir importância ao que é apenas atraente.” 

O autor, Luís Humberto Carrijo, é também o proprietário da Agência Rapport, cujo projecto é apresentado, no respectivo site.


O artigo citado, no Observatório da Imprensa

Connosco
Agravam-se as ameças sobre os jornalistas na Europa Ver galeria

Jornalistas queimados em efígie, insultados e ameaçados, desacreditados pelos dirigentes dos seus próprios países. Processados, assaltados, alvo de ameaças de violação ou de morte, e em vários casos efectivamente assassinados. É este, hoje, o ambiente em que trabalham muitos jornalistas na Europa.

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O Clube

Bettany Hughes, inglesa, historiadora, autora e também editora e apresentadora de programas de televisão e de rádio, é a vencedora do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2018.

O Prémio pretende homenagear a personalidade excecional de Hughes, demonstrada repetidamente na sua maneira de comunicar o passado de forma popular e entusiasmante.

A cerimónia de atribuição do prémio terá lugar no dia 15 de novembro 2018 na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.


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