Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

A "cultura do clique" ou o valor da notícia na era digital

A questão de saber qual é “o valor da notícia na era digital”, tema central do texto publicado pelo Observatório de Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém parceria, equaciona o constante conflito entre o mercado e a sociedade. O artigo em causa cita Suzana Singer, ex-Ombudsman (Provedora do Leitor) da Folha de S. Paulo, e aborda ainda o dilema entre 'transformar o que é importante em interessante’.”

O autor é o jornalista Luís Humberto Rocha Carrijo que começa o seu artigo por uma breve descrição da revolução digital, cujas “inovações democratizaram, em tese, o acesso das pessoas ao conhecimento e mudou a forma de se consumir notícias: a audiência agora quer tudo em excesso de maneira instantânea”.

Mas houve outras consequências para a comunicação: a sua “função social de fortalecer a liberdade de expressão, educar e provocar reflexão, promovendo de maneira equânime diferentes pontos de vista, (...) foi colocada em xeque em nome da sobrevivência económica, com implicações na forma de se produzir notícias”.

 

As receitas da publicidade emigraram para outras plataformas e canais, e os meios de comunicação passaram a estar mais dependentes da procura voluntária pelo seu público. Citando “o conceituado jornalista britânico, Peter Oborne, ex-Daily Telegraph, a introdução da ‘cultura do clique’, no qual o mérito da reportagem está na quantidade de visitas online e não na importância do assunto, está consolidada”. (...) 

“O linguista francês Patrick Charaudeau aponta para mais uma das mutações na cobertura noticiosa por conta da pressão dos accionistas por maiores lucros. Ele explica que, às voltas de um problema de ordem económica, os veículos de comunicação precisam dirigir-se a um grande número de pessoas, satisfazendo um público com diferentes graus de saberes. Daí, a necessidade de se construir uma linguagem que desperte o interesse do maior número possível de destinatários. (...)  Com a vulgarização do texto, passou-se a correr também o risco de o conteúdo ser deformado.” 

Segue-se uma reflexão sobre a “Publicidade Nativa”, que “nada mais é do que uma forma de propaganda revestida de reportagem que segue o mesmo padrão gráfico e editorial do veículo de comunicação que o divulga. (...)  O leitor será induzido a pensar que aquela reportagem patrocinada é isenta e de interesse público. Logo, veremos conteúdos patrocinados encomendados por grandes grupos económicos envolvidos em corrupção”. 

A conclusão do artigo declara com toda a franqueza:

(...)  “Esse novo pensamento deve partir da premissa de que os órgãos de comunicação não conseguem sozinhos produzir conteúdos relevantes em quantidade que atenda a demanda sem a ajuda dos Relações Públicas e de seus clientes. Eles estão cada vez mais dependentes de quem realmente constrói a agenda noticiosa: as fontes de informação. As organizações devem deixar de priorizar as informações comoditizadas e passar a dar melhor tratamento a conteúdos, de forma a também tornar interessante o que é importante e, se possível, conferir importância ao que é apenas atraente.” 

O autor, Luís Humberto Carrijo, é também o proprietário da Agência Rapport, cujo projecto é apresentado, no respectivo site.


O artigo citado, no Observatório da Imprensa

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Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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