null, 17 de Outubro, 2021
Media

"Stress" profissional dos jornalistas agravado pela pandemia

Os jornalistas são dos profissionais com maior propensão a desenvolver problemas do foro psicológico, devido às condições de trabalho a que estão sujeitos, à falta de motivação para completar tarefas e à exposição a situações traumáticas, explicou María Miret García num artigo publicado nos “Cuardernos de Periodistas”, editados pela APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Para chegar a esta conclusão, García analisou diversos artigos sobre o esgotamento emocional de jornalistas, incluindo uma investigação sobre “conflitos de valor, falta de recompensas e sentido de comunidade” desenvolvida pelo Departamento de Psicologia e Sociologia da Universidade de Saragoça, que contou com testemunhos de três mil jornalistas.

Neste estudo, os investigadores dão conta de que, em 2019, cerca de 69,9% dos inquiridos disseram ter sofrido níveis de “stress” baixos ou moderados, enquanto 27,4% experienciaram “stress” elevado ou “muito elevado”. Além disso, 53,3% não sentiam que estavam a desempenhar eficazmente o seu trabalho; 44,4% sofriam de exaustão emocional; 19,1% de despersonalização; e quase 18% de esgotamento profissional.

Tudo isto, diz outro estudo, foi agravado pelo período pandémico. Neste âmbito , mais de 80% dos jornalistas entrevistados pelo Centro Internacional de Jornalistas dizem ter registado uma deterioração significativa da sua saúde mental.

Este fenómeno, explica García, pode ser explicado através de um simples elemento: falta de motivação.

Isto porque, afirma autora, enquanto podemos argumentar que os médicos e os enfermeiros registaram grandes níveis de “stress” no contexto pandémico, sabemos, também, que estas classes profissionais continuam a receber incentivos, tanto pecuniários como emocionais, já que estavam a contribuir para um “bem maior”.

Por outro lado, há vários anos que o sector dos “media” tem vindo a implementar  cortes drásticos nas redacções, juntamente com um excesso no número e variedade de tarefas a realizar, bem como uma  constante actualização em noções relacionadas com as novas tecnologias.


Tudo isto foi exacerbado pela pandemia, recorda a autora, já que passou a ser exigido que os jornalistas trabalhassem a um ritmo recorde, muitas vezes sem terem contacto directo com os seus colegas de profissão, e sem terem confiança na informação que estavam a partilhar, devido à rápida disseminação de notícias falsas e boatos sobre o coronavírus.


Podemos falar, assim, de um nível exaustivo de hiperconectividade, já que esta nova realidade obrigou os profissionais dos “media” a produzirem cada vez mais conteúdo, e a partilharem as suas ideias através de videoconferências. A este cenário acrescem, ainda, os salários baixos e os longos horários de trabalho.


Além disso, por norma, os jornalistas são expostos a situações traumáticas, o que pode aumentar a probabilidade de virem a desenvolver problemas do foro psicológico. 


Assim, alguns especialistas defendem que os responsáveis pela redacção devem estar atentos aos sinais de esgotamento mental, mostrando-se empáticos com a situação. 


A autora recorda, neste sentido, que algumas empresas já começaram a implementar sistemas de apoio para jornalistas, que consistem em promover a comunicação aberta, o debate, a educação para a saúde mental e o reconhecimento do sofrimento dos profissionais.

Leia o artigo original em "Cuaderno de Periodistas"

Connosco
Jornalistas bielorrussos independentes tentam resistir a perseguições e ameaças Ver galeria

Na Bielorrússia, os jornalistas independentes enfrentam diversos obstáculos ao exercício das suas funções, sendo alvo de perseguição e ameaça por parte das autoridades.

Como tal, muitos destes profissionais são obrigados a pedir asilo político em países vizinhos, como forma de continuarem a informar o seu público, e a denunciar as injustiças praticadas pelo regime de Alexander Lukashenko.

É esse o caso de Stepan Putilo, um jovem bielorrusso radicado na Polónia, responsável pela criação de um dos formatos noticiosos mais conhecidos de sempre: o “Nexta”.

Conforme apontou Charles McPhedran num artigo publicado na “Columbia Journalism Review”, Putilo criou o “Nexta” em 2018, com o objectivo de desenvolver um novo formato noticioso, que aliasse a informação às tendências da internet.

Assim, através da rede social Telegram, Putilo começou a partilhar vídeos informativos, com monólogos sobre a situação política e social na Bielorrúsia, e caracterizados por um tom humorístico e sarcástico.

Graças a estes “boletins noticiosos” e à colaboração de Roman Pratasevich, outro jovem jornalista, o “Nexta” tornou-se o maior canal de sempre do Telegram, contando com mais de um milhão de seguidores.

Contudo, afirmou McPhedran, o projecto de Putilo e Pratasevich está longe de ser politicamente isento, já que todos os seus conteúdos são críticos de Lukashenko, e pretendem reforçar o movimento da oposição.

Alunos de jornalismo pessimistas quanto ao futuro em Portugal Ver galeria

A maioria dos alunos de jornalismo está pessimista quanto ao seu futuro profissional, considerando que será difícil encontrar um primeiro emprego, e que os salários serão baixos e precários, de acordo com um estudo da Universidade de Coimbra, citado pelo jornal digital “Observador”.

Conforme indica uma nota enviada à imprensa, os responsáveis pelo estudo realizaram um inquérito junto de 1.091 estudantes, que frequentaram 38 cursos de licenciatura ou mestrado em jornalismo e comunicação social, no ano lectivo 2020/2021.

Do número total de inquiridos, dois terços consideraram, de alguma forma, improvável “encontrar um primeiro emprego no jornalismo”. Uma percentagem semelhante de estudantes admitiu que será difícil conseguir um contrato laboral estável e com um salário condizente com o estatuto e responsabilidade da profissão.

Ainda assim, apenas 2,9% dos alunos admitiram a possibilidade de abandonar o curso para ingressar noutra área de formação e apenas cerca de 10% disseram não ter intenção de trabalhar em jornalismo.

“Os estudantes entram com o objectivo de serem jornalistas e motivados para esse futuro profissional”, disse o investigador João Miranda, realçando, porém, que existe “um paradoxo” face às baixas expectativas que têm para o futuro.
O estudo analisou, igualmente, as tendências de consumo noticioso dos alunos, realçando uma forte inclinação para consulta das redes sociais, como o Facebook e o Instagram.

O Clube


Recomeçamos. A pausa de agosto foi um tempo de análise e de reflexão sobre as delicadas circunstâncias que rodeiam e condicionam os media portugueses e as associações representativas do sector.
Enquanto as redacções encolhem e os jornais lutam pela sobrevivência, as grandes plataformas digitais tornam-se omnipresentes e absorvem a melhor publicidade.
Um estudo da ERC revela que dois terços dos inquiridos utiliza a internet, mas que, depois das televisões, as redes sociais aparecem já como fonte noticiosa preferencial, suplantando os jornais impressos.


A dificuldade da imprensa, com tiragens minguadas, influenciou a principal distribuidora de jornais e revistas no sentido de lançar uma taxa diária a cobrar aos quiosques e outros postos de venda.
Por agora, a cobrança está suspensa, no seguimento de uma providência cautelar aceite pelo tribunal, mas nada garante que o desfecho não venha a penalizar mais ainda a circulação da Imprensa.
A fragilidade das empresas de media agravou a sua dependência, e tornou-as gradualmente mais permeáveis aos desígnios do poder político.
Seja no audiovisual, seja nas publicações impressas, observa-se uma crescente uniformidade noticiosa, a par de uma actuação comprometida com as prioridades da agenda do Executivo.
Neste contexto, as associações do sector não têm a vida facilitada, quer pelo enfraquecimento do mecenato, quer pela apatia já antiga que se nota nos jornalistas no tocante ao associativismo.
Com 40 anos feitos de actividade ininterrupta, o Clube Português de Imprensa tem neste site uma forma de ligação privilegiada com associados e outros profissionais do sector, bem como com os estudantes dos cursos de jornalismo, apoiado em parcerias que são preciosas fontes complementares de informação e de análise.
Por aqui continuamos, com a consciência do desafio e do risco envolventes, e com a noção de partilha e de serviço que nos anima desde o início.


ver mais >
Opinião
O impacto da pandemia no universo mediático está longe de encontrar-se esgotado, apesar das promessas de “libertação” da sociedade, ensaiadas por vários governos, entre os quais o português, em doses apreciáveis.O jornalismo tornou-se mais fechado, confirmando uma tendência que não é nova de os jornalistas recorrerem à Internet e às redes sociais como fonte predominante de informação.Os...
O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
Agenda
01
Nov
The African Investigative Journalism Conference
10:00 @ Joanesburgo, África do Sul
02
Nov
Global Investigative Journalism Conference
10:00 @ Evento "Online" da GIJN
18
Nov
22
Nov
28
Nov
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor