null, 17 de Outubro, 2021
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A lógica digital e a “economia criativa” como futuro dos “media”

Os criadores de conteúdo “online” aproveitaram o período de confinamento, imposto pela pandemia, para atrair novas audiências e conseguir estabelecer parcerias lucrativas com grandes plataformas digitais, notou Ismael Nafría num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com o autor, este fenómeno verificou-se, igualmente, no sector da imprensa, que começou a entrar em contacto com jornalistas de nicho, com o objectivo de desenvolver novos formatos mediáticos, como os “podcasts” e as “newsletters”.

Assim, começou a surgir uma “economia criativa”, que, conforme indicou Nafría, depende de dois principais factores. O primeiro são os criadores de conteúdo que, através do seu processo criativo têm a capacidade de satisfazer as exigências do público. O segundo são as plataformas, através das quais os profissionais podem divulgar os seus produtos.

Embora os produtos de “nicho” não sejam, exactamente, uma novidade, a transição digital, impulsionada pela pandemia, fez com que os “media” passassem a estar mais atentos à criação deste tipo de formatos, com o objectivo de atrair novas audiências.

Além disso, hoje em dia, os criadores de conteúdo dispõem de ferramentas de edição inovadores, que permitem o desenvolvimento de reportagens originais, assentes nos princípios do jornalismo multiplataforma.

Estas valências passaram, também, a ser exploradas no formato áudio, destacando-se, neste âmbito, a plataforma Clubhouse, que começou a remunerar os criadores de conteúdos, consoante o número de novos utilizadores que conseguem atrair.

Este fenómeno começou, então, a ser analisado por alguns especialistas em modelos de negócio, como é o caso de Li Jin que, num artigo publicado na “Harvard Business Review” explicou que a “economia criativa” pode tornar-se numa solução para muitos profissionais desempregados.

Neste artigo, Li Jin explica que, "neste momento, a economia criativa em plataformas como o YouTube e o Instagram parece-se muito com a economia dos EUA: há alguns grandes vencedores e muitas pessoas que lutam para ganhar a vida, mas que mal conseguem sobreviver”


“Mas não tem de ser assim -- continua Li Jin --  As plataformas podem ser, e por vezes são, os novos veículos do sonho americano, oferecendo rendimentos estáveis para a classe média e a promessa de mobilidade ascendente".


Agora, o mercado da “economia criativa” conta com um número significativo de colaboradores, apontam alguns estudos. A título de exemplo, a empresa  SignalFire estima que 50 milhões de criadores independentes estejam a obter rendimentos através das redes sociais.


Entretanto, a empresa Antler identificou mais de 220 plataformas que podem ajudar os utilizadores a "transformar o seu ‘hobby’ numa profissão remunerada".


O estudo da Antler listou , também, algumas das principais tendências para o futuro próximo da indústria criativa, que incluem o aumento das subscrições digitais - tanto na oferta como no número de utilizadores que decidem contribuir com dinheiro para os meios de comunicação social.


Além disso, sublinha Nafría, a lógica criativa já demonstrou ter efeitos positivos nos “media” tradicionais que apostaram na sua transição digital, bem como no desenvolvimento de conteúdos multiplataforma.


O maior caso de sucesso, recorda o autor, é o jornal norte-americano “New York Times”, que, graças às suas apostas inovadoras, conta, agora, com  7 milhões de subscritores digitais.


Leia o artigo original em “Cuadernos de Periodistas”


 


Connosco
Jornalistas bielorrussos independentes tentam resistir a perseguições e ameaças Ver galeria

Na Bielorrússia, os jornalistas independentes enfrentam diversos obstáculos ao exercício das suas funções, sendo alvo de perseguição e ameaça por parte das autoridades.

Como tal, muitos destes profissionais são obrigados a pedir asilo político em países vizinhos, como forma de continuarem a informar o seu público, e a denunciar as injustiças praticadas pelo regime de Alexander Lukashenko.

É esse o caso de Stepan Putilo, um jovem bielorrusso radicado na Polónia, responsável pela criação de um dos formatos noticiosos mais conhecidos de sempre: o “Nexta”.

Conforme apontou Charles McPhedran num artigo publicado na “Columbia Journalism Review”, Putilo criou o “Nexta” em 2018, com o objectivo de desenvolver um novo formato noticioso, que aliasse a informação às tendências da internet.

Assim, através da rede social Telegram, Putilo começou a partilhar vídeos informativos, com monólogos sobre a situação política e social na Bielorrúsia, e caracterizados por um tom humorístico e sarcástico.

Graças a estes “boletins noticiosos” e à colaboração de Roman Pratasevich, outro jovem jornalista, o “Nexta” tornou-se o maior canal de sempre do Telegram, contando com mais de um milhão de seguidores.

Contudo, afirmou McPhedran, o projecto de Putilo e Pratasevich está longe de ser politicamente isento, já que todos os seus conteúdos são críticos de Lukashenko, e pretendem reforçar o movimento da oposição.

Alunos de jornalismo pessimistas quanto ao futuro em Portugal Ver galeria

A maioria dos alunos de jornalismo está pessimista quanto ao seu futuro profissional, considerando que será difícil encontrar um primeiro emprego, e que os salários serão baixos e precários, de acordo com um estudo da Universidade de Coimbra, citado pelo jornal digital “Observador”.

Conforme indica uma nota enviada à imprensa, os responsáveis pelo estudo realizaram um inquérito junto de 1.091 estudantes, que frequentaram 38 cursos de licenciatura ou mestrado em jornalismo e comunicação social, no ano lectivo 2020/2021.

Do número total de inquiridos, dois terços consideraram, de alguma forma, improvável “encontrar um primeiro emprego no jornalismo”. Uma percentagem semelhante de estudantes admitiu que será difícil conseguir um contrato laboral estável e com um salário condizente com o estatuto e responsabilidade da profissão.

Ainda assim, apenas 2,9% dos alunos admitiram a possibilidade de abandonar o curso para ingressar noutra área de formação e apenas cerca de 10% disseram não ter intenção de trabalhar em jornalismo.

“Os estudantes entram com o objectivo de serem jornalistas e motivados para esse futuro profissional”, disse o investigador João Miranda, realçando, porém, que existe “um paradoxo” face às baixas expectativas que têm para o futuro.
O estudo analisou, igualmente, as tendências de consumo noticioso dos alunos, realçando uma forte inclinação para consulta das redes sociais, como o Facebook e o Instagram.

O Clube


Recomeçamos. A pausa de agosto foi um tempo de análise e de reflexão sobre as delicadas circunstâncias que rodeiam e condicionam os media portugueses e as associações representativas do sector.
Enquanto as redacções encolhem e os jornais lutam pela sobrevivência, as grandes plataformas digitais tornam-se omnipresentes e absorvem a melhor publicidade.
Um estudo da ERC revela que dois terços dos inquiridos utiliza a internet, mas que, depois das televisões, as redes sociais aparecem já como fonte noticiosa preferencial, suplantando os jornais impressos.


A dificuldade da imprensa, com tiragens minguadas, influenciou a principal distribuidora de jornais e revistas no sentido de lançar uma taxa diária a cobrar aos quiosques e outros postos de venda.
Por agora, a cobrança está suspensa, no seguimento de uma providência cautelar aceite pelo tribunal, mas nada garante que o desfecho não venha a penalizar mais ainda a circulação da Imprensa.
A fragilidade das empresas de media agravou a sua dependência, e tornou-as gradualmente mais permeáveis aos desígnios do poder político.
Seja no audiovisual, seja nas publicações impressas, observa-se uma crescente uniformidade noticiosa, a par de uma actuação comprometida com as prioridades da agenda do Executivo.
Neste contexto, as associações do sector não têm a vida facilitada, quer pelo enfraquecimento do mecenato, quer pela apatia já antiga que se nota nos jornalistas no tocante ao associativismo.
Com 40 anos feitos de actividade ininterrupta, o Clube Português de Imprensa tem neste site uma forma de ligação privilegiada com associados e outros profissionais do sector, bem como com os estudantes dos cursos de jornalismo, apoiado em parcerias que são preciosas fontes complementares de informação e de análise.
Por aqui continuamos, com a consciência do desafio e do risco envolventes, e com a noção de partilha e de serviço que nos anima desde o início.


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Opinião
O impacto da pandemia no universo mediático está longe de encontrar-se esgotado, apesar das promessas de “libertação” da sociedade, ensaiadas por vários governos, entre os quais o português, em doses apreciáveis.O jornalismo tornou-se mais fechado, confirmando uma tendência que não é nova de os jornalistas recorrerem à Internet e às redes sociais como fonte predominante de informação.Os...
O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
Agenda
01
Nov
The African Investigative Journalism Conference
10:00 @ Joanesburgo, África do Sul
02
Nov
Global Investigative Journalism Conference
10:00 @ Evento "Online" da GIJN
18
Nov
22
Nov
28
Nov
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor