Quarta-feira, 2 de Dezembro, 2020
O Clube

O historiador Rui Ramos é convidado no ciclo de jantares-debate

Está confirmado para 28 de Junho o próximo jantar-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, subordinado ao tema “Que Portugal queremos ser, que Portugal vamos ter?, tendo o historiador Rui Ramos como orador convidado.

Polémico e frontal, é um dos mais activos protagonistas de uma nova geração que se tem afirmado pela qualidade da sua intervenção no espaço público, sem concessões a tendências seguidas como moda e avesso, por natureza, ao politicamente correcto.

De acordo com a sua biografia pública, Rui Manuel Monteiro Lopes Ramos nasceu em Torres Vedras, em 1962,  e licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1985, onde teve uma breve passagem como assistente estagiário.  

Foi ainda professor convidado da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa (1998-2001) e, depois, do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa (desde 2001).

No Instituto de Ciências Sociais, foi membro da Comissão Permanente do Conselho Científico (2001-2004), vogal da Comissão de Pós-Graduação (1998-2000) e membro do conselho de redacção da revista Análise Social (2003-2004).

Enquanto historiador, especializou-se na história de Portugal dos séculos XIX e XX, estudando sobretudo os aspectos políticos e culturais. Tem-se dedicado, em particular, à investigação da época do final da monarquia constitucional e da I República.

Interessa-se, também, pela história das ideias políticas na Europa dos séculos XIX e XX, tema sobre o qual tem orientado vários seminários no Instituto de Ciências Sociais, no âmbito do programa de mestrado e doutoramento em Política Comparada. Doutorou-se em Ciência Política, pela Universidade de Oxford, em 1997.

É autor de dezenas de artigos publicados em revistas científicas portuguesas e estrangeiras, e de vários livros, entre os quais "A Segunda Fundação", 1994, Volume VI da História de Portugal dirigida por José Mattoso, "João Franco e o Fracasso do Reformismo Liberal", 2001, e a Biografia de D. Carlos I de Portugal, na série dos Reis de Portugal, de 2006.

Foi, ainda, um dos Coordenadores da obra, em três volumes, Dicionário Biográfico Parlamentar', e autor de A Monarquia Constitucional, de 2004-2005. Colaborou no projecto internacional El Léxico Político y Social de la Modernidad Iberoamericana (Proyecto Iberconceptos), que congrega investigadores de universidades espanholas, portuguesas e latino-americanas com vista à elaboração de um Dicionário de História dos Conceitos Políticos e Sociais no Mundo Ibero-Americano, entre 1750 e 1870.

Foi um dos fundadores e membro do Conselho de Redacção da  "Penélope. Revista de História e Ciências Sociais", entre 1988 e 2006 e um dos organizadores dos dois Congressos de "História Social das Elites", em 1991 e em 2003.

É vogal da Administração do jornal online Observador, presidida por António Carrapatoso.

Em Outubro de 2002, a Academia Europaea outorgou-lhe a distinção de Burgen Scholar "in recognition of excellent academic achievement".

Em 2009, recebeu o Prémio D. Dinis, conjuntamente com Bernardo de Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro pela obra História de Portugal.

A 7 de Junho de 2013 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Numa entrevista em 2010, Rui Ramos já advertia para  o facto de sermos “uma população que mostrou sempre uma grande disponibilidade para ter expectativas acima dos recursos que tem. Um Estado sempre com défice, com uma dívida gigantesca (…)”.

E interrogava-se : “o que é que isto revela?” E a sua resposta não podia ser mais incisiva: “ Revela uma sociedade aspiracional que não vive com os recursos que tem, que pretende proporcionar às gerações seguintes melhores condições de vida do que aquelas que conheceu. Também temos a verrina, a má-língua, o reduzir tudo a proporções mesquinhas. E, mais uma vez, são coisas ambivalentes: alguém que tem sucesso em Portugal, tem sucesso contra tanta coisa, que algum mérito há-de ter!”

Nessa mesma entrevista, encarava a sociedade portuguesa como uma das que “mais mudaram nos últimos 30 ou 40 anos”, com  um percurso que “outras sociedades seguiram em 50, 70, 100 anos”.

Para Rui Ramos, “passámos de uma sociedade rural para uma sociedade urbana, de uma ocupação agrícola para uma ocupação no sector dos serviços. Isto tudo no tempo de uma geração”.


É esta personalidade, com um recorte invulgar e um invejável currículo como historiador e  académico, que poderemos ouvir  na Sala da Biblioteca do Grémio Literário, num jantar-debate que, ao reflectir sobre o passado, perspectiva o presente e o futuro.

 

Connosco
Crescimento das assinaturas digitais não compensa as perdas na circulação impressa Ver galeria

A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.

Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.

Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.

Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.

Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.

No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.

Movimento de jornalistas franceses contra nova Lei de Segurança Ver galeria

Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.

Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.

Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.

Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.

Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.

A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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