Quarta-feira, 22 de Setembro, 2021
Opinião

O que une radicais de direita e de esquerda

por Francisco Sarsfield Cabral

Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.

 No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE. Este pequeno país de 2 milhões de habitantes fez parte da Jugoslávia. Independente desde 1991, aderiu à UE em 2004, juntamente com vários outros países da antiga órbita soviética.

A Eslovénia tem um primeiro-ministro, Janz Jansa, grande admirador de Trump e de V. Orbán. Não admira, assim, que a liberdade de imprensa seja atacada naquele país por duas vias: pela censura mais ou menos dissimulada e pela multiplicação de órgãos de mera propaganda governamental e de ataque a jornalistas independentes.    

“Jansa sempre foi um radical, primeiro era um comunista radical, depois tornou-se um anti-comunista radical”, disse à enviada do “Público” Sofia Lorena uma jornalista eslovena, acrescentando que  “é a mesma escola, Jansa acha que os media, principalmente os públicos, têm de estar ao seu serviço, ser ferramentas de propaganda do Governo.”


Ora aquilo que aproxima radicais de direita de radicais de esquerda inclui decerto não gostarem do jornalismo independente, mas é mais do que isso. Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”.

 

Os radicais não entendem que, na sociedade pluralista, os que pensam de maneira diferente da nossa sejam adversários com quem convivemos pacificamente, muito embora tentemos convencê-los democraticamente a mudar de ideias. Adversários que, como nós, têm os mesmos direitos de qualquer cidadão.

 

A democracia liberal é um acordo para discordar. A sua raiz histórica está na superação das guerras de religião, que flagelaram a Europa depois da reforma protestante e levaram milhões de europeus a emigrarem para a América do Norte, antes ainda da independência dos EUA. As guerras religiosas são as mais ferozes de todas, pois nesse caso o inimigo está contra o nosso Deus, é o diabo. E em relação ao diabo não pode haver convivência pacífica, vale tudo para calar e suprimir os que o servem.

 

É triste que hoje seja um americano, Trump, a liderar a ofensiva contra a democracia liberal, ofensiva seguida por vários autocratas. Até há quatro décadas atrás quem liderava esse lamentável combate era o comunismo soviético. Agora o implacável ditador chinês Xi Jinping quer mostrar ao mundo que a democracia liberal é “decadente”. E Putin, sem ideologia que não seja o poder pelo poder, também pretende atacar esse regime onde se concorda em discordar. 

 

Neste quadro de ataques à liberdade de expressão, pilar básico da democracia liberal, em Portugal é preocupante que a Assembleia da República tenha aprovado o já  célebre artigo 6.º da Lei n.º 27/2021. As intenções desta lei são respeitáveis, pois pretende defender-nos contra as notícias falsas. Mas a sua concretização abre a porta a um possível regresso da censura, com outro nome naturalmente. Alguns destacados deputados socialistas já o entenderam. Mas a maioria dos membros do Parlamento não percebeu o risco que a liberdade de expressão poderá correr se aquele artigo se mantiver com força de lei.         

 

(texto puiblicado originalmente no site de Rádio Renascença)


Connosco
World Press Photo em exposição no Parque dos Poetas em Oeiras Ver galeria

A 64.ª edição da World Press Photo estará patente no Parque dos Poetas, Entrada do Templo da Poesia, até ao dia 15 de Outubro, com entrada gratuita

Além da visita à exposição, haverá “workshops” de fotografia aos sábados, com fotojornalistas de renome. Estão já confirmados, nesta iniciativa, Arlindo Camacho, Rita Ferro Alvim, Gonçalo F. Santos e Marcos Borga.

Criado em 1955 pela organização homónima, o concurso World Press Photo premeia, anualmente, fotografias que dão a conhecer ao público questões e momentos cruciais e fracturantes, que marcam a actualidade de povos e de sociedades em todo o mundo.

Neste ano, o concurso recebeu 4 315 fotógrafos de 130 países, com 74 470 imagens inscritas. Os vencedores do concurso anual de fotografia World Press Photo são 45 fotógrafos de 28 países: Argentina, Arménia, Austrália, Bangladesh, Bielorrússia, Brasil, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos da América, França, Grécia, Holanda, Índia, Indonésia, Itália, Irão, Irlanda, México, Myanmar, Peru, Filipinas, Polónia, Portugal, Rússia, Eslovénia, Espanha, Suécia e Suíça.

Publicações "online" devem diversificar oferta de conteúdos para captar jovens Ver galeria

Com a chegada da era digital, os jornais “online” passaram a focar-se na retenção de uma audiência jovem, como forma de conquistar a sua lealdade enquanto consumidores de notícias e de garantir a sustentabilidade financeira a longo prazo.

Apesar de todos os esforços, os jovens têm-se demonstrado reticentes quanto à subscrição de serviços noticiosos digitais, preferindo a consulta de informação através das redes sociais.

Agora, um estudo realizado pela Agência de Imprensa Alemã DPA, em conjunto com Associação Alemã de Editores Digitais e Editores de Jornais (BDZV), revelou o principal motivo deste fenómeno: os jovens não gostam de ser tratados como um grupo homogéneo.

Isto significa, conforme indica o documento, que, de forma a alcançarem o seu objectivo, as publicações “online” devem diversificar a sua oferta de conteúdos, indo ao encontro dos diferentes tópicos e problemáticas sociais.

Além disso, a pesquisa, atesta que há grandes diferenças dentro da mesma faixa etária. “Adolescentes e jovens têm hábitos de consumo, interesses, exigências e necessidades diferentes em relação ao conteúdo das notícias. Dentro da mesma faixa etária, as orientações são muito diferentes ”.

“Mais concretamente -- acrescenta o relatório -- enquanto alguns usam quase exclusivamente fontes jornalísticas para satisfazer a sua grande sede de informação (...), outros utilizadores preferem os conteúdos de comunicadores individuais, como actores e influenciadores”.

O estudo revela, da mesma forma, que os jovens sentem necessidade de ter uma relação próxima com as fontes de informação, como se as publicações falassem, especificamente, sobre os problemas que enfrentam no dia a dia.

O Clube


Recomeçamos. A pausa de agosto foi um tempo de análise e de reflexão sobre as delicadas circunstâncias que rodeiam e condicionam os media portugueses e as associações representativas do sector.
Enquanto as redacções encolhem e os jornais lutam pela sobrevivência, as grandes plataformas digitais tornam-se omnipresentes e absorvem a melhor publicidade.
Um estudo da ERC revela que dois terços dos inquiridos utiliza a internet, mas que, depois das televisões, as redes sociais aparecem já como fonte noticiosa preferencial, suplantando os jornais impressos.


A dificuldade da imprensa, com tiragens minguadas, influenciou a principal distribuidora de jornais e revistas no sentido de lançar uma taxa diária a cobrar aos quiosques e outros postos de venda.
Por agora, a cobrança está suspensa, no seguimento de uma providência cautelar aceite pelo tribunal, mas nada garante que o desfecho não venha a penalizar mais ainda a circulação da Imprensa.
A fragilidade das empresas de media agravou a sua dependência, e tornou-as gradualmente mais permeáveis aos desígnios do poder político.
Seja no audiovisual, seja nas publicações impressas, observa-se uma crescente uniformidade noticiosa, a par de uma actuação comprometida com as prioridades da agenda do Executivo.
Neste contexto, as associações do sector não têm a vida facilitada, quer pelo enfraquecimento do mecenato, quer pela apatia já antiga que se nota nos jornalistas no tocante ao associativismo.
Com 40 anos feitos de actividade ininterrupta, o Clube Português de Imprensa tem neste site uma forma de ligação privilegiada com associados e outros profissionais do sector, bem como com os estudantes dos cursos de jornalismo, apoiado em parcerias que são preciosas fontes complementares de informação e de análise.
Por aqui continuamos, com a consciência do desafio e do risco envolventes, e com a noção de partilha e de serviço que nos anima desde o início.


ver mais >
Opinião
Agenda
24
Set
28
Set
World News Media Congress
09:00 @ Taipei, Taiwan
04
Out
Jornalismo durante a pandemia: o que aprendemos?
10:00 @ Conferência "online" da FAPE
13
Out