Terça-feira, 5 de Julho, 2022
Media

Onde se fala de possíveis modelos de financiamento para imprensa de âmbito local

Os jornais locais são publicações importantes para muitas comunidades, já que informam os cidadãos sobre os principais acontecimentos, decisões dos governos regionais, alterações do horário de serviços, etc.

Ainda assim, estes títulos têm dificuldade em manter a sua sustentabilidade financeira, já que dependem, muitas vezes, de investimentos publicitários, que têm vindo a diminuir no último ano.

Por isso mesmo, a jornalista Anya Schiffrin, do “Columbia Journalism Reviews”, falou com alguns especialistas em jornalismo e economia, de forma a apurar qual o modelo de financiamento mais viável para a imprensa local nos Estados Unidos.

A autora começou por recordar que algumas destas publicações querem a aprovação do Local Journalism Sustainability Act, que prevê a atribuição de subsídios directos.

Por outro lado, as empresas de “media” têm vindo a apoiar o Journalism Competition and Preservation Act, que permitiria negociações conjuntas com empresas de tecnologia, como a Google ou o Facebook.

Contudo, os economistas defendem outros métodos.

Aliás, em entrevista para o “CJR”, os especialistas em “media” Robert McChesney e Steve Waldman defenderam, por seu lado, a criação de um “Novo Acordo para o Jornalismo”, enquanto as economistas Andrea Prat e Julia Cagé reiteraram que a solução passa pela criação de “vouchers”.

McChesney e Waldman acreditam que os governos locais deveriam conceder cerca de 200 dólares a cada cidadão adulto, para a aquisição de jornais locais.

 

“Idealmente, teríamos outro fundo, para a contratação e retenção de jornalistas”, acrescentou Waldman.


McChesney reiterou, porém, que deve haver alguma regulamentação na atribuição dos apoios.


“Precisamos de financiar jornais locais que sejam independentes, competitivos e profissionais. Esse dinheiro deve ser atribuído pelo governo, mas não podemos permitir que o governo escolha quem recebe o dinheiro”.


Ambos os especialistas acreditam que esta opção seria, particularmente, vantajosa, até porque já conta com o apoio de diversos congressistas.


Ainda assim, não há nenhuma garantia de que os cidadãos irão usar este crédito extra.


Por sua vez, a economista Andrea Prat acredita que a solução passa pela distribuição de “vouchers” pelas diferentes redacções.


Isto porque, de acordo com a especialista, os apoios deveriam ser distribuídos consoante o nível de desinformação. Ou seja, os “vouchers” seriam distribuídos em maior número, nas áreas em que a literacia política apresenta níveis mais reduzidos.


Ora, isto não aconteceria com a medida do crédito extra, que seria repartido consoante o interesse dos cidadãos em determinados jornais.


Assim, seria provável que parte dos apoios remetesse para jornais que já são financeiramente sustentáveis, como o “New York Times”.


A economista Julia Cagé partilha a opinião de Prat, já que estes “vouchers” poderiam ser distribuídos com base nas declarações fiscais. Aliás, recordou, Cagé, este método tem sido utilizado para apoiar diferentes organizações religiosas.


Além disso, Cagé acredita que, através deste método, poderia limitar-se o número de “vouchers” por redacção, para assegurar apoios mais igualitários.


Leia o texto original em “Columbia Journalism Review”

 


Connosco
Intensifica-se vaga de crimes no México contra jornalistas Ver galeria

O jornalista António de la Cruz, de 47 anos, e a sua filha, de 23 anos, foram assassinados ao sair de sua casa em Ciudad Victoria, capital de Tamaulipas, no México. Somam-se, agora, doze homicídios de profissionais dos “media” mexicanos desde o início do ano.

O “Expreso”, órgão de comunicação onde o jornalista trabalhava, é alvo de constantes ataques e ameaças. A título de exemplo, em 2012, uma organização criminosa fez explodir um carro bomba junto às portas da sede daquele jornal.

Várias figuras políticas reagiram, entretanto, à morte deste profissional.

Foi esse o caso do governador de Tamaulipas, Francisco García Cabeza de Vaca, que lamentou o desaparecimento do jornalista e afirmou, no Twitter, ter “pedido à Procuradoria Geral do Estado o compromisso de esclarecer os factos”, para que o crime não permanecesse “impune”.

A Procuradoria, por sua vez, afirmou que será destacada, para o caso, uma equipa especializada em crimes contra a liberdade de expressão.

Perante a actual vaga de violência contra jornalistas, a União Nacional de Editores de Imprensa mexicana (SNRP) acusou o governo de não combater, eficazmente, “a delinquência e o crime”, que prejudicam “ o Estado de Direito, a aplicação das leis e toda a Constituição”.
A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) reiterou, entretanto, a sua preocupação com “a alarmante onda de violência contra os colaboradores da imprensa”, que está a transformar o México “num dos países mais perigosos para o exercício da profissão”.
O México encontra-se em 127º lugar no Índice de Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras, entre 180 países.

"Washington Post" quer fidelizar leitores para o próximo meio século Ver galeria


O “Washington Post” está a oferecer planos de subscrição anuais de 50 euros, para os próximos 50 anos. Ou seja, os novos assinantes têm oportunidade de pagar uma taxa anual fixa, pelo serviço noticioso digital, até 2072.

Conforme apontou Joshua Benton num artigo publicado no “Nieman Lab”, apesar de ser impossível adivinhar como estará o mundo daqui a 50 anos, esta é uma estratégia de “marketing”, que espelha o “WP” enquanto uma instituição jornalística.

Até porque, segundo recordou Benton, o “WP” celebrou, agora, os 50 anos da divulgação do “caso Watergate”. Logo, esta oferta de subscrição vem oferecer mais meio século de jornalismo de investigação e de confiança.

Isto ajuda, também, a marcar a diferença entre o “Washington Post”, que consegue assegurar o seu funcionamento, e os muitos títulos que foram forçados a fechar as portas no decorrer das últimas décadas.

Portanto, explicou Benton, através deste pacote de assinatura, o “Washington Post” quer, igualmente, passar uma ideia de robustez, tanto do seu trabalho jornalístico, como do seu modelo de negócio.

Além disso, esta estratégia ajuda a garantir uma base de subscritores fixos, e a diminuir a taxa de cancelamento, que, actualmente, ronda os 0,85% semanais.

O Clube


Os ciberataques passaram a fazer parte da paisagem mediática portuguesa. Depois do Grupo Impresa ter sido seriamente afectado, juntamente com a Cofina, embora esta em menor grau de exposição, chegou a vez do Grupo Trust in News, que detém o antigo portfólio de revistas de Balsemão, como é o caso do semanário “Visão”.
Outras empresas foram igualmente visadas, em maior ou menor escala, desde a multinacional Vodafone aos laboratórios Germano de Sousa.
Não cabe neste espaço qualquer comentário especializado a tal respeito, mas não nos isentamos de manifestar uma profunda preocupação relativamente à continuidade - e aparente impunidade - destes actos ilegais, que estão a pôr a nu as vulnerabilidades dos sistemas e redes, tanto públicos como privados.
Recorde-se que este site do Clube Português de Imprensa já foi alvo, também, de intrusões pontuais que bloquearam a sua actualização regular, o que voltou a acontecer, embora de uma forma indirecta, como consequência da inoperacionalidade do operador de telecomunicações atingido.

Oxalá estes ataques de “hackers”, já com um carácter mais “profissional”, tenha contribuído para alertar os especialistas e as autoridades competentes em cibersegurança no sentido de adoptarem as medidas de protecção que se impõem.
As fragilidades ficaram bem à vista.

 


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Opinião
Convivi com Mário Mesquita no Diário de Notícias, a partir de janeiro de 1976, quando ambos aceitámos o desafio de Vítor Cunha Rego para reabrir o jornal e enfrentar a profunda crise em que este tinha mergulhado, sob a anterior direcção liderada por José Saramago e Luís de Barros, afectos ao Partido Comunista.Com o desfecho do movimento do 25 de novembro e o fim do PREC, a publicação do jornal fora suspensa, para ser...
Mário Mesquita não era um amigo. Era muito mais. Estava naquela plataforma superior onde se instalam certos espíritos de que bebemos as palavras antes de bebermos o café acidental que nos reúne. Mário Mesquita era muito amigo de alguns amigos meus e isso tornava-o uma figura esfíngica que, embora pudesse encontrar-se em fato de banho a desfiar uma dourada, tinha a capacidade permanente de conectar o Tico e o Teco (os dois únicos...
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Agenda
10
Jul
Washington Journalism and Media Conference (WJMC)
10:00 @ Universidade George Mason
10
Jul
European Conference of Science Journalism 2022
10:00 @ Leiden, Países Baixos
12
Jul
Literacia Digital em acção contra a “desinfodemia”
19:00 @ Conferência "Online" do Cenjor