Sábado, 1 de Outubro, 2022
Media

Os desafios do jornalismo “freelance” em contexto pandémico

Os efeitos e consequências da pandemia têm sido, particularmente, desafiantes para os jornalistas “freelancer” de países em desenvolvimento, de acordo com um estudo realizado por Damian Radcliffe e analisado por Laura Oliver no “site” do “Reuters Institute for Journalism”.

Radcliffe baseou o relatório em entrevistas com 55 jornalistas , de 26 países, e concluiu que os profissionais independentes, de países como o Brasil, a Índia e o Vietname, têm tido dificuldades acrescidas na adaptação ao contexto pandémico.

Segundo indicou Oliver na sua análise, isto acontece porque, nestes países, existem, por norma, menos oportunidades para jornalistas independentes.

Além disso, nestas zonas, o acesso à internet e a “workshops” de formação é muito limitado, em comparação com os níveis registados em países desenvolvidos.

Outra das razões apontadas passa pelas questões de segurança e protecção contra o vírus. Ou seja, muitas vezes, os jornalistas “freelancer” destas zonas, deixam de realizar determinadas reportagens, devido ao risco de infecção.

O jornalista brasileiro Diogo Rodriguez afirmou, neste âmbito, que “as poupanças pessoais foram cruciais para sobreviver”, nos primeiros meses de pandemia.

“Quando a pandemia começou, as publicações deixaram de requisitar o meu trabalho”, disse.

Da mesma forma, a jornalista indiana  Jaishree Kumar recordou que, com o aparecimento do coronavírus, deixou de haver tantos programas de apoio a jovens profissionais.


Por outro lado, o profissional nigeriano Kehinde Ogunyale considerou que o regime “freelancer” é uma boa solução para jornalistas que tenham ficado desempregados.


Neste sentido, Ogunyale afirmou que a situação pandémica lhe trouxe novas oportunidades, apesar das dificuldades, inicialmente, enfrentadas.


Isto porque, ao passar mais tempo em casa, Ogunyale conseguiu desenvolver novas capacidades ao nível da verificação de factos.


Esta visão é partilhada pela jornalista vietnamita Sen Nguyen que viu na pandemia uma “oportunidade para crescer”.


Além disso, estes profissionais dizem ter sido obrigados a tornar-se mais criativos, procurando entrevistar novas fontes e aprendendo a trabalhar de forma remota.


Posto isto, Laura Oliver conclui que, embora a pandemia tenha criado algumas novas oportunidades, exacerbou, igualmente, as desigualdades nos países em desenvolvimento. 


Assim, a autora considera essencial assegurar o reforço de programas de apoio aos “media”, bem como a criação de iniciativas que lutem 

pela manutenção da liberdade de imprensa.


Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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Opinião
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