Sábado, 1 de Outubro, 2022
Media

"New York Times" homenageia na primeira página as vítimas da pandemia

No final de Fevereiro, o “New York Times” decidiu prestar uma homenagem às 500 mil vítimas do coronavírus nos Estados Unidos, ao utilizar a técnica do pontilhismo na primeira página do jornal.

Esta ferramenta foi utilizada --por Lazaro Gamio, Lauren Leatherby, Bill Marsh e Andrew Sondern -- para elaborar um gráfico informal e quase sensorial, em que cada ponto representa uma vítima, e em que podemos, facilmente, observar, o aumento do número de fatalidades, com o passar dos meses.

Num artigo publicado no “site” do instituto Poynter, Roy Peter Clark descreveu o exercício como um “monólito, uma coluna de impressão bidimensional mórbida e sinistra”, assemelhando-se à retórica de um padre durante um velório.

“Seguindo os marcadores de tempo, os primeiros meses parecem mais cinzentos com algum espaço branco visível. À medida que a pandemia segue em direcção ao presente, os pontos preenchem mais, em menos tempo, e a imagem torna-se quase negra - uma sombra de morte”, continuou.

Além disso -- ressalvou Clark -- esta imagem tem uma componente quase poética. Isto porque, “na tipografia, um bloco impenetrável cinzento chama-se lápide”. Assim, “esta imagem é uma pedra tumular para os perdidos, uma torre gémea antes do seu colapso”.

Clark destaca, no mesmo sentido, o artigo que a jornalista Julie Bosman redigiu para acompanhar este gráfico.


“A jornalista começa com uma decisão sábia: revelar as verdades assustadoras da pandemia a partir de cadeias da linguagem decorativa, criando a ilusão de que os factos assustadores falam por si”.


“Com a ajuda dos seus colegas, a escritora sobrevoa toda a nação e desce para encontrar a ausência profundamente humana vivida pelos sobreviventes dos perdidos, para dar nomes a alguns dos mortos”.


Desta forma, “ao ‘aterrar’ nas cidades através da paisagem, Bosman cria uma sensação de perda nacional e universal”.

 

Com isto, Clark considera que, mais do que jornalismo, esta edição do “New York Times” desempenhou um papel que é, frequentemente, atribuído a padres.


“Mostraram-nos a realidade, mas, igualmente, consolo, uma visão de humanidade partilhada marcada pela tragédia, esperança, e, ainda, perda”.


Leia o artigo original em “Poynter”


Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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Opinião
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