Quinta-feira, 4 de Março, 2021
Media

"Le Monde" escreve sobre o próprio jornal com acontecimentos que marcaram a sua história

O jornal francês “Monde” criou uma nova editoria, intitulada “Le Monde et Vous”, com o objectivo de recordar os acontecimentos que marcaram a história da publicação.

Assim, num dos primeiros artigos publicados nesta nova secção, a equipa do “Monde” dedicou-se a celebrar a luta do jornal pela liberdade de imprensa e de expressão.

Fundado em 1944 pelo jornalista Hubert Beuve-Méry, o “Monde” estabeleceu-se, desde logo, como uma referência de independência e isenção.

Aliás, segundo recordam os autores deste artigo, no primeiro editorial do “Monde”, Beuve-Méry esclareceu que o principal objectivo do título passava por fornecerem informação “clara, verdadeira e, na medida do possível, rápida e completa''.

De acordo com os actuais redactores , o fundador do jornal cultivou uma preocupação dupla, para combinar a credibilidade editorial do jornal com o equilíbrio financeiro da empresa. Ou seja: informar os leitores sem perder dinheiro.

Aliás, esta missão foi assumida por todos os directores-editoriais que lhe sucederam.

Ainda assim, os autores garantem que a independência e a liberdade não são tomadas como dados adquiridos, e que os jornalistas do “Monde” lutam, todos os dias, para  assegurá-las.

 

Isto porque, de acordo com os colaboradores do jornal, a imprensa é, constantemente, condicionada por interesses políticos e financeiros, o que, por vezes, afecta a linha editorial do título.


Esta realidade verificou-se em 1951, quando os accionistas se mostraram insatisfeitos perante o escrutínio realizado ao governo, e foi-se repetindo ao longo das décadas -- particularmente, nas alturas em que os recursos financeiros escasseavam.


Com isto, os jornalistas garantem que manter a independência e objectividade tem sido uma batalha permanente,  travada em todas as gerações de colaboradores e em todos os artigos publicados.


Agora, o cumprimento dos valores que fundaram o jornal é assegurado pelo Grupo de Independência do “Monde”, criado em 2010.


Desta forma, os autores concluem que, ao longo dos anos, o “Monde” aprendeu que a independência não é uma questão natural, mas um fruto de vigilância constante e de lutas, permanentemente, renovadas. 


Até porque estes valores constituem “a base do contrato de confiança com o leitor”, sendo por isso, o bem mais precioso de um jornal.


Connosco
Jornalismo recupera-se como serviço público na era digital Ver galeria

Com a digitalização da imprensa, os “media” estão a abandonar a função de “vendedores de notícias”, para voltarem a exercer um serviço público, afirmou Carlos Castilho num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com Castilho, esta será uma transição lenta, que se caracterizará por uma relação mais próxima entre produtores e consumidores de conteúdos noticiosos, bem como pela valorização da informação fidedigna.

Ou seja, agora que o modelo publicitário passou a ser considerado pouco sustentável, os “media” podem, finalmente, focar-se na produção de artigos de alta qualidade.

Contudo, esta mudança de paradigma exige, igualmente, a adopção de regras e valores por parte do público, que deverá estar disposto a pagar pela nova e melhorada versão do jornalismo “online”.

Esta nova ideologia pode traduzir-se na introdução de “paywalls” nos “sites” de jornalismo, ou noutros modelos de financiamento do trabalho noticioso, como é o caso do “crowdfunding”.

Segundo o autor, os consumidores de informação podem, assim, escolher apoiar as causas com as quais se identificam, ou que consideram essenciais para a tomada de decisões conscientes.

Coligação de "media" denuncia situação de mulheres jornalistas Ver galeria

A One Free Press Coalition -- coligação internacional de “media” em defesa da liberdade de imprensa -- compilou uma lista de mulheres jornalistas detidas ou sob ameaça em vários países: na Síria, Egipto, Bielorrússia, México, Vietname, Filipinas, Turquia, Índia e China.

Esta lista mensal, organizada em função do Dia Internacional da Mulher, começa por denunciar o caso da síria Tal al-Mallohi, uma profissional que foi detida sem acusação, por ordem de um conselheiro de segurança de Bashar al-Assad.

O segundo caso é o da “freelancer” egípcia Solafa Magdy. De acordo com a One Free Press Coalition o estado de saúde desta profissional está em rápida deterioração, devido a negligência médica e abusos sofridos na prisão.

Seguem-se as bielorrussas Katsiaryna Andreyeva e Darya Chultsova, jornalista independente e operadora de câmara respectivamente, que foram condenadas a dois anos de prisão por cobrirem os protestos antigovernamentais.

A One Free Press Coalition pede, ainda, que as autoridades intervenham no caso da mexicana Maria Elena Ferral Hernández, assassinada em Março do ano passado, no Estado de Veracruz.

O quinto alerta diz respeito à vietnamita Pham Doan Trang, repórter na internet e fundadora de uma revista, detida desde Outubro, e a aguardar julgamento.
Além disso, a coligação alerta para os casos de Neha Dixit, na Índia, que tem vindo a receber ameaças de morte, bem como da jornalista chinesa Haze Fan, da “Bloomberg News”, que está detida por suspeitas de ameaças à segurança nacional.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Opinião
Limites da liberdade de expressão
Francisco Sarsfield Cabral
Na internet não deve continuar a prevalecer a lei da selva. O que não é um apelo à censura, muito menos se ela for praticada pelos gestores das empresas tecnológicas. Cabe à política, e não às empresas, assegurar o bem comum. Quem escreve na internet deverá sujeitar-se às condições jurídicas que não permitam atos que são considerados crimes nos media tradicionais.Não há...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Notas breves
José Leite Pereira
1 - Assistir a entrevistas na televisão tornou-se um ato penoso. As entrevistas fizeram-se para que alguém possa transmitir a terceiros o que entende dever ser transmitido. Ao jornalista cabe o papel de intermediário e intérprete do que julga ser a curiosidade do público. A entrevista é um ato de esclarecimento. Diferente de um texto de opinião ou de uma comunicação pura e simples exatamente por causa da presença do...
Agenda
22
Abr
International Symposium on Online Journalism
10:00 @ Conferência "Online"
17
Jun
4th International Conference Stereo & Immersive Media 2021
09:30 @ Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
24
Jun
International Congress of Audiovisual Researchers
09:00 @ Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias