Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

Degradação da liberdade de Imprensa condiciona o jornalismo independente

O relatório anual da organização não-governamental Repórteres sem Fronteiras descreve “uma degradação profunda e preocupante da liberdade da Imprensa no mundo”.  O índice utilizado, desde 2013, na sua Classificação Mundial da Liberdade da Imprensa, subiu de 3.719 pontos, no ano passado, para 3.857 neste ano, o que significa um agravamento de 3,71% (ou de 13,6% em relação a 2013).

Portugal aparece em 23º lugar, enquanto surge a Namíbia surge logo a seguir, em 24º, à frente de países como a Espanha, França, Reino Unido e Estados Unidos.

A apresentação destes dados aponta como razões principais uma “deriva liberticida dos governos, como na Turquia ou no Egipto, uma tomada de controlo dos media públicos, mesmo na Europa (na Polónia, por exemplo), e situações de segurança cada vez mais tensas, na Líbia e no Burundi, ou claramente catastróficas, como no Iémen.”  

O texto introdutório diz ainda:

 

“Face às ideologias, nomeadamente religiosas, hostis à liberdade de informação, e aos grandes aparelhos de propaganda, a situação da informação independente é cada vez mais precária, tanto no sector público como no privado.”  (...)  “Alguns Estados não hesitam em suspender o acesso à Internet, quando não destroem, pura e simplesmente, as sedes, as antenas ou as impressoras dos media que os incomodam. Entre 2013 e 2016, verifica-se uma queda de 16% neste indicador.”  

Também no quadro legal a situação tem piorado para os jornalistas, perseguidos por “insultos ao presidente”, por “blasfémia” ou “apoio ao terrorismo”. Como efeito secundário desta ameaça permanente, “os jornalistas têm uma tendência cada vez mais acentuada para a auto-censura”.  

Na classificação por países, que faz uma lista de 180, por ordem decrescente de situação favorável, os primeiros quatro lugares são ocupados por países do Norte da Europa (Finlândia, Holanda, Noruega e Dinamarca), seguindo-se  a Nova Zelândia e a Costa Rica, e logo depois Suíça, Suécia, Irlanda e Jamaica.

A Venezuela não ia além dos 137º lugar no ranking , posição que terá perdido de então para cá, à medida que Maduro tem reforçado o controlo ou o silenciamento dos principais meios de comunicação não oficiais.

Portugal aparece em 23º lugar, a Espanha em 34º, o Reino Unido em 38º e os Estados Unidos em 41º. Há um capítulo final que explica detalhadamente a metodologia utilizada para chegar a esta classificação, verificando-se que a Eritreia e a Coreia do Norte ocupam o final da lista.

No capítulo denominado Análises é feita uma leitura comparada entre várias grandes regiões mundiais, onde se descrevem, por exemplo, as situações no Médio Oriente – África do Norte, com os jornalistas constrangidos “entre o terrorismo e os abusos da luta anti-terrorista”.  

A Europa é apresentada como estando “ameaçada pelos seus demónios e pelos do mundo”:

“A tendência que se esboçava na Europa, aquando da classificação de 2015, a saber, a de uma erosão do modelo, tende a confirmar-se em 2016: desvios da contra-espionagem e da luta contra o terrorismo, adopção de leis permitindo uma vigilância de grande escala, aumento dos conflitos de interesse, intervenção cada vez maior das autoridades sobre os meios públicos e por vezes os privados  -  o continente onde a liberdade da Imprensa é, em média, a maior, não se destaca por uma trajectória positiva.”  


A classificação divulgada no site dos Repórteres sem Fronteiras

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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