Quinta-feira, 21 de Setembro, 2017
Media

Degradação da liberdade de Imprensa condiciona o jornalismo independente

O relatório anual da organização não-governamental Repórteres sem Fronteiras descreve “uma degradação profunda e preocupante da liberdade da Imprensa no mundo”.  O índice utilizado, desde 2013, na sua Classificação Mundial da Liberdade da Imprensa, subiu de 3.719 pontos, no ano passado, para 3.857 neste ano, o que significa um agravamento de 3,71% (ou de 13,6% em relação a 2013).

Portugal aparece em 23º lugar, enquanto surge a Namíbia surge logo a seguir, em 24º, à frente de países como a Espanha, França, Reino Unido e Estados Unidos.

A apresentação destes dados aponta como razões principais uma “deriva liberticida dos governos, como na Turquia ou no Egipto, uma tomada de controlo dos media públicos, mesmo na Europa (na Polónia, por exemplo), e situações de segurança cada vez mais tensas, na Líbia e no Burundi, ou claramente catastróficas, como no Iémen.”  

O texto introdutório diz ainda:

 

“Face às ideologias, nomeadamente religiosas, hostis à liberdade de informação, e aos grandes aparelhos de propaganda, a situação da informação independente é cada vez mais precária, tanto no sector público como no privado.”  (...)  “Alguns Estados não hesitam em suspender o acesso à Internet, quando não destroem, pura e simplesmente, as sedes, as antenas ou as impressoras dos media que os incomodam. Entre 2013 e 2016, verifica-se uma queda de 16% neste indicador.”  

Também no quadro legal a situação tem piorado para os jornalistas, perseguidos por “insultos ao presidente”, por “blasfémia” ou “apoio ao terrorismo”. Como efeito secundário desta ameaça permanente, “os jornalistas têm uma tendência cada vez mais acentuada para a auto-censura”.  

Na classificação por países, que faz uma lista de 180, por ordem decrescente de situação favorável, os primeiros quatro lugares são ocupados por países do Norte da Europa (Finlândia, Holanda, Noruega e Dinamarca), seguindo-se  a Nova Zelândia e a Costa Rica, e logo depois Suíça, Suécia, Irlanda e Jamaica.

A Venezuela não ia além dos 137º lugar no ranking , posição que terá perdido de então para cá, à medida que Maduro tem reforçado o controlo ou o silenciamento dos principais meios de comunicação não oficiais.

Portugal aparece em 23º lugar, a Espanha em 34º, o Reino Unido em 38º e os Estados Unidos em 41º. Há um capítulo final que explica detalhadamente a metodologia utilizada para chegar a esta classificação, verificando-se que a Eritreia e a Coreia do Norte ocupam o final da lista.

No capítulo denominado Análises é feita uma leitura comparada entre várias grandes regiões mundiais, onde se descrevem, por exemplo, as situações no Médio Oriente – África do Norte, com os jornalistas constrangidos “entre o terrorismo e os abusos da luta anti-terrorista”.  

A Europa é apresentada como estando “ameaçada pelos seus demónios e pelos do mundo”:

“A tendência que se esboçava na Europa, aquando da classificação de 2015, a saber, a de uma erosão do modelo, tende a confirmar-se em 2016: desvios da contra-espionagem e da luta contra o terrorismo, adopção de leis permitindo uma vigilância de grande escala, aumento dos conflitos de interesse, intervenção cada vez maior das autoridades sobre os meios públicos e por vezes os privados  -  o continente onde a liberdade da Imprensa é, em média, a maior, não se destaca por uma trajectória positiva.”  


A classificação divulgada no site dos Repórteres sem Fronteiras

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O Júri será presidido por Dinis de Abreu, em representação do CPI, e integrado pelos jornalistas José Rocha Diniz, fundador e administrador do Jornal Tribuna de Macau, José Carlos de Vasconcelos, director do JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias, Carlos Magno, pela Fundação Jorge Álvares e por José António Silva Pires, também do CPI.


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