Terça-feira, 21 de Novembro, 2017
Media

Degradação da liberdade de Imprensa condiciona o jornalismo independente

O relatório anual da organização não-governamental Repórteres sem Fronteiras descreve “uma degradação profunda e preocupante da liberdade da Imprensa no mundo”.  O índice utilizado, desde 2013, na sua Classificação Mundial da Liberdade da Imprensa, subiu de 3.719 pontos, no ano passado, para 3.857 neste ano, o que significa um agravamento de 3,71% (ou de 13,6% em relação a 2013).

Portugal aparece em 23º lugar, enquanto surge a Namíbia surge logo a seguir, em 24º, à frente de países como a Espanha, França, Reino Unido e Estados Unidos.

A apresentação destes dados aponta como razões principais uma “deriva liberticida dos governos, como na Turquia ou no Egipto, uma tomada de controlo dos media públicos, mesmo na Europa (na Polónia, por exemplo), e situações de segurança cada vez mais tensas, na Líbia e no Burundi, ou claramente catastróficas, como no Iémen.”  

O texto introdutório diz ainda:

 

“Face às ideologias, nomeadamente religiosas, hostis à liberdade de informação, e aos grandes aparelhos de propaganda, a situação da informação independente é cada vez mais precária, tanto no sector público como no privado.”  (...)  “Alguns Estados não hesitam em suspender o acesso à Internet, quando não destroem, pura e simplesmente, as sedes, as antenas ou as impressoras dos media que os incomodam. Entre 2013 e 2016, verifica-se uma queda de 16% neste indicador.”  

Também no quadro legal a situação tem piorado para os jornalistas, perseguidos por “insultos ao presidente”, por “blasfémia” ou “apoio ao terrorismo”. Como efeito secundário desta ameaça permanente, “os jornalistas têm uma tendência cada vez mais acentuada para a auto-censura”.  

Na classificação por países, que faz uma lista de 180, por ordem decrescente de situação favorável, os primeiros quatro lugares são ocupados por países do Norte da Europa (Finlândia, Holanda, Noruega e Dinamarca), seguindo-se  a Nova Zelândia e a Costa Rica, e logo depois Suíça, Suécia, Irlanda e Jamaica.

A Venezuela não ia além dos 137º lugar no ranking , posição que terá perdido de então para cá, à medida que Maduro tem reforçado o controlo ou o silenciamento dos principais meios de comunicação não oficiais.

Portugal aparece em 23º lugar, a Espanha em 34º, o Reino Unido em 38º e os Estados Unidos em 41º. Há um capítulo final que explica detalhadamente a metodologia utilizada para chegar a esta classificação, verificando-se que a Eritreia e a Coreia do Norte ocupam o final da lista.

No capítulo denominado Análises é feita uma leitura comparada entre várias grandes regiões mundiais, onde se descrevem, por exemplo, as situações no Médio Oriente – África do Norte, com os jornalistas constrangidos “entre o terrorismo e os abusos da luta anti-terrorista”.  

A Europa é apresentada como estando “ameaçada pelos seus demónios e pelos do mundo”:

“A tendência que se esboçava na Europa, aquando da classificação de 2015, a saber, a de uma erosão do modelo, tende a confirmar-se em 2016: desvios da contra-espionagem e da luta contra o terrorismo, adopção de leis permitindo uma vigilância de grande escala, aumento dos conflitos de interesse, intervenção cada vez maior das autoridades sobre os meios públicos e por vezes os privados  -  o continente onde a liberdade da Imprensa é, em média, a maior, não se destaca por uma trajectória positiva.”  


A classificação divulgada no site dos Repórteres sem Fronteiras

Connosco
Imprensa nas mãos de grupos financeiros "proletariza" jornalistas Ver galeria

“Um jornal, hoje, não pode viver sem se pôr de joelhos diante da Google”. Foi esta a síntese de Casimiro García Abadillo, director de El Independiente, na comemoração do centenário do jornal El Sol. Disse ainda que as quedas da tiragem e da receita publicitária, desde a chegada da Internet, trouxeram uma “debilidade financeira” que permitiu que os grandes jornais fossem apropriados pela banca e outros grupos empresariais. Outra consequência foi a perda de emprego para muitos profissionais e uma desvalorização salarial que “proletarizou [a profissão] até limites insuportáveis”. A reportagem é da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Jornalismo de investigação em crise por falta de suporte financeiro Ver galeria

“Podíamos pensar que não devia haver discussão a respeito da importância do jornalismo de investigação. Mas o colapso da base financeira do jornalismo nestes últimos 15 anos causou muitas vítimas, e uma das principais foi o campo da investigação. (...) O jornalismo de investigação passou a ser visto, cada vez mais, como um desperdício de tempo, custoso e ineficiente.” Esta reflexão faz parte da síntese de apresentação do novo relatório produzido pelo Global Investigative Journalism Network, que desmente o preconceito e demonstra o verdadeiro impacto do jornalismo de investigação, bem como o seu contributo essencial para uma vida democrática saudável.

O Clube


Este
site do Clube Português de Imprensa nasceu  em Novembro de 2015. Poderia ter sido lançado, como outros congéneres, apenas com o objectivo de ser um espaço informativo sobre as actividades prosseguidas pelo Clube e uma memória permanente do seu histórico  de quase meio século . Mas foi mais ambicioso.

Nestes dois anos decorridos quisemos ser, também, um espaço de reflexão sobre as questões mais prementes que se colocam hoje aos jornalistas e às empresas jornalísticas, perante a mudança de paradigma, com efeitos dramáticos em não poucos casos.

Os trabalhos inseridos e arquivados neste site constituem já um acervo invulgar , até pela estranha desatenção com que os media generalistas  seguem o fenómeno, que está a afectá-los gravemente e do qual  serão, afinal, as primeiras vítimas.

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