Terça-feira, 17 de Maio, 2022
Efeméride

Um olhar para amanhã com novas tecnologias e gente dentro

O Clube Português de Imprensa perfaz 40 anos. Durante este período, testemunhou uma mudança irreversível no panorama mediático, caracterizada pela aceleração digital, pela modificação dos padrões de consumo e, consequentemente, pelo desmantelamento de redacções.

Os leitores passaram a consultar as notícias através dos seus dispositivos electrónicos, em detrimento do formato em papel, e os jornalistas tiveram que responder aos anseios por informação imediata.

Registaram-se, igualmente, algumas características indissociáveis do jornalismo em ambiente digital: a interacção entre humano e máquina (‘interactividade’), a combinação de vários textos com a hiperligações (‘hipertextualidade’), a associação entre diferentes meios e formatos (‘multimédia’), a actualização constante e simultânea (‘instantaneidade’), a acumulação de conteúdos ao longo do tempo (‘memória’) e a adaptação dos conteúdos às preferências e aos hábitos dos utilizadores (‘personalização’).

Assim, com as notícias na “ponta dos dedos”, os leitores começaram, progressivamente, a dispensar a visita aos quiosques, para comprar o jornal da sua preferência. As redes sociais tornaram-se a principal fonte de informação para muitos portugueses, alheios aos perigos das “fake news”.

Começou a adivinhar-se o fim do modelo tradicional de negócio e a inevitável crise. A publicidade deixou de ser uma fonte de receitas viável e os jornalistas foram considerados “dispensáveis” por muitos, que descredibilizaram o trabalho exercido nos “media”.

Agora, em 2020, assistimos, ironicamente, a “uma luz ao fundo do túnel”. A pandemia voltou a dar protagonismo à informação fidedigna, indispensável para a saúde pública e bem-estar de todos os cidadãos.

O que poderemos, então, esperar, em termos mediáticos nos próximos 40 anos? Que novas tendências, com força para serem futuro e não se ficam apenas pela espuma dos dias?


É indiscutível que a estrutura dos  “media” foi reinventada: as mensagens jornalísticas passaram a ser encaradas activos ou recursos informativos no quadro de estratégias de produção, venda e distribuição de bens, e as ideias de ‘multimédia’ e de ‘digital’ tornam-se modelos fundamentais de estímulo a um progresso.


E, nestes últimos meses, alguns modelos de negócios registaram um novo vigor. Os leitores, interessados em pagar por conteúdos de qualidade, passaram a subscrever jornais com “paywalls” e a fazer doações a títulos locais.


O trabalho jornalístico tornou-se autónomo, com os profissionais a dedicarem-se a novos formatos de sucesso. As “newsletters” e os “podcasts” informativos conquistaram um número respeitável de seguidores, ao apresentarem conteúdos de “nicho”. O “fact-checking” faz, agora, parte das funções de qualquer colaborador do meio.


Da mesma forma, o papel recebeu um novo fôlego: cientes da crescente popularidade dos “sites” noticiosos, os editores passaram a seleccionar artigos exclusivos para o “formato físico”. E os leitores parecem estar receptivos a esta “atenção” e à “curadoria”.


Apesar das recomendações de distanciamento social, os eventos continuaram a decorrer, mas num formato “híbrido”, que convida os consumidores a participarem numa “experiência única”.


A estrutura da equipa editorial foi, também ela, modificada. Em tempos, os “cubículos” foram substituídos pelos “open spaces”, incentivando a interacção entre colegas das diferentes secções.


Agora, espera-se que o trabalho se realize num regime dual, que combina o tempo passado em regime remoto, a partir de casa, e os dias em que os jornalistas se dirigem à redacção.


Supõe-se, de igual forma, que a Inteligência Artificial assuma um papel relevante na imprensa. 


Até há pouco tempo, estes “robots” cingiam-se a redigir textos breves, sobre a meteorologia ou sobre o resultado de um jogo de futebol.


Porém, mais recentemente, as máquinas passaram a apresentar telejornais na China e escrever ensaios completos no “Guardian”.


Falta-nos, agora, saber qual será o verdadeiro papel da Inteligência Artificial neste “admirável mundo novo”: se, eventualmente, os “robots” substituirão os profissionais, ou se o público continuará a dar preferência à sensabilidade e empatia humanas.


Connosco
Jornalistas enfrentam “período negro” com risco de vida Ver galeria

O mês de Maio tem sido negro para os jornalistas, com o assassinato de quatro mulheres  jornalistas em apenas sete dias.

Conforme apontou o “Guardian”, dois dos homicídios ocorreram no México, um dos países mais perigosos para o exercício jornalístico. As vítimas foram Yesenia Mollinedo Falconi e Sheila Johana García Olivera, do “site”  “El Veraz”.

Semanas antes da sua morte, Yesenia Mollinedo Falconi, havia recebido ameaças de morte, na sequência das suas investigações sobre crime e corrupção. Ainda assim, aquela jornalista estava confiante de que não corria perigo.

Dois dias após a morte das profissionais mexicanas, foi noticiada outra tragédia: o assassinato de Shireen Abu Akleh, uma correspondente da Al Jazeera, que acompanhava o conflito israelo-árabe há vários anos.

O Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU mostrou-se “chocado” com a morte deste profissional e exigiu, entretanto,  uma “investigação independente e transparente” sobre o sucedido.

Também a directora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, se juntou no apelo a uma “investigação completa” à morte da jornalista.

“O assassinato de uma jornalista claramente identificada, numa zona de conflito, é uma violação do direito internacional“, disse Azoulay em comunicado, pedindo uma investigação para levar “os responsáveis à justiça”.

No dia a seguir, ficou conhecido o homicídio da jornalista colombiana Francisca Sandoval, morta durante a cobertura noticiosa de uma manifestação.


“Media” polacos apostam em conteúdos em ucraniano Ver galeria

Na Polónia, várias empresas mediáticas começaram a lançar produtos noticiosos em ucraniano, como forma de responder às necessidades dos três milhões de refugiados que chegaram ao país desde o início da guerra.

Conforme apontou o “Nieman Lab”, a Agência Noticiosa Polaca (Polska Agencja Prasowa, ou PAP) foi uma das primeiras organizações a partilhar artigos em ucraniano, graças a uma equipa de cinco jornalistas, que têm vindo a dedicar-se à tradução e produção de conteúdos.

Este serviço em ucraniano foi criado em apenas uma semana, e publica artigos diários sobre a invasão da Ucrânia.

“Esta guerra mudou tudo”, disse Jaros?aw Junko, coordenador dos serviços ucraniano e russo daquela agência noticiosa. “Todos os ‘sites’ informativos polacos de renome começaram a oferecer produtos em ucraniano. Esta é uma mudança importante, e mostra que a Polónia está a respeitar os ‘vizinhos’ que chegam ao país”.

Agora, a PAP quer expandir a editoria ucraniana, passando a incluir conteúdos sobre apoio legal, e ajuda económica para refugiados.

Outra das publicações que apostou em conteúdos ucranianos foi a “Onet” que, agora, partilha dez artigos diários sobre o conflito e, ainda, sobre a adaptação à vida na Polónia.

“Fazemos o nosso melhor para sermos um guia sobre a vida neste país”, explicou Kamil Turecki, coordenador da “Onet”.

Também o Grupo RMF decidiu ajudar esta causa, lançando uma nova estação de rádio em ucraniano, com frequências nas cidades fronteiriças de Przemysl e Hrubieszow.

O Clube


Os ciberataques passaram a fazer parte da paisagem mediática portuguesa. Depois do Grupo Impresa ter sido seriamente afectado, juntamente com a Cofina, embora esta em menor grau de exposição, chegou a vez do Grupo Trust in News, que detém o antigo portfólio de revistas de Balsemão, como é o caso do semanário “Visão”.
Outras empresas foram igualmente visadas, em maior ou menor escala, desde a multinacional Vodafone aos laboratórios Germano de Sousa.
Não cabe neste espaço qualquer comentário especializado a tal respeito, mas não nos isentamos de manifestar uma profunda preocupação relativamente à continuidade - e aparente impunidade - destes actos ilegais, que estão a pôr a nu as vulnerabilidades dos sistemas e redes, tanto públicos como privados.
Recorde-se que este site do Clube Português de Imprensa já foi alvo, também, de intrusões pontuais que bloquearam a sua actualização regular, o que voltou a acontecer, embora de uma forma indirecta, como consequência da inoperacionalidade do operador de telecomunicações atingido.

Oxalá estes ataques de “hackers”, já com um carácter mais “profissional”, tenha contribuído para alertar os especialistas e as autoridades competentes em cibersegurança no sentido de adoptarem as medidas de protecção que se impõem.
As fragilidades ficaram bem à vista.

 


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Agenda
19
Mai
2022 Collaborative Journalism Summit
10:00 @ Chicago, Estados Unidos
25
Jun
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor
27
Jun
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia
10
Jul
Washington Journalism and Media Conference (WJMC)
10:00 @ Universidade George Mason