Terça-feira, 19 de Janeiro, 2021
Efeméride

Um olhar para amanhã com novas tecnologias e gente dentro

O Clube Português de Imprensa perfaz 40 anos. Durante este período, testemunhou uma mudança irreversível no panorama mediático, caracterizada pela aceleração digital, pela modificação dos padrões de consumo e, consequentemente, pelo desmantelamento de redacções.

Os leitores passaram a consultar as notícias através dos seus dispositivos electrónicos, em detrimento do formato em papel, e os jornalistas tiveram que responder aos anseios por informação imediata.

Registaram-se, igualmente, algumas características indissociáveis do jornalismo em ambiente digital: a interacção entre humano e máquina (‘interactividade’), a combinação de vários textos com a hiperligações (‘hipertextualidade’), a associação entre diferentes meios e formatos (‘multimédia’), a actualização constante e simultânea (‘instantaneidade’), a acumulação de conteúdos ao longo do tempo (‘memória’) e a adaptação dos conteúdos às preferências e aos hábitos dos utilizadores (‘personalização’).

Assim, com as notícias na “ponta dos dedos”, os leitores começaram, progressivamente, a dispensar a visita aos quiosques, para comprar o jornal da sua preferência. As redes sociais tornaram-se a principal fonte de informação para muitos portugueses, alheios aos perigos das “fake news”.

Começou a adivinhar-se o fim do modelo tradicional de negócio e a inevitável crise. A publicidade deixou de ser uma fonte de receitas viável e os jornalistas foram considerados “dispensáveis” por muitos, que descredibilizaram o trabalho exercido nos “media”.

Agora, em 2020, assistimos, ironicamente, a “uma luz ao fundo do túnel”. A pandemia voltou a dar protagonismo à informação fidedigna, indispensável para a saúde pública e bem-estar de todos os cidadãos.

O que poderemos, então, esperar, em termos mediáticos nos próximos 40 anos? Que novas tendências, com força para serem futuro e não se ficam apenas pela espuma dos dias?


É indiscutível que a estrutura dos  “media” foi reinventada: as mensagens jornalísticas passaram a ser encaradas activos ou recursos informativos no quadro de estratégias de produção, venda e distribuição de bens, e as ideias de ‘multimédia’ e de ‘digital’ tornam-se modelos fundamentais de estímulo a um progresso.


E, nestes últimos meses, alguns modelos de negócios registaram um novo vigor. Os leitores, interessados em pagar por conteúdos de qualidade, passaram a subscrever jornais com “paywalls” e a fazer doações a títulos locais.


O trabalho jornalístico tornou-se autónomo, com os profissionais a dedicarem-se a novos formatos de sucesso. As “newsletters” e os “podcasts” informativos conquistaram um número respeitável de seguidores, ao apresentarem conteúdos de “nicho”. O “fact-checking” faz, agora, parte das funções de qualquer colaborador do meio.


Da mesma forma, o papel recebeu um novo fôlego: cientes da crescente popularidade dos “sites” noticiosos, os editores passaram a seleccionar artigos exclusivos para o “formato físico”. E os leitores parecem estar receptivos a esta “atenção” e à “curadoria”.


Apesar das recomendações de distanciamento social, os eventos continuaram a decorrer, mas num formato “híbrido”, que convida os consumidores a participarem numa “experiência única”.


A estrutura da equipa editorial foi, também ela, modificada. Em tempos, os “cubículos” foram substituídos pelos “open spaces”, incentivando a interacção entre colegas das diferentes secções.


Agora, espera-se que o trabalho se realize num regime dual, que combina o tempo passado em regime remoto, a partir de casa, e os dias em que os jornalistas se dirigem à redacção.


Supõe-se, de igual forma, que a Inteligência Artificial assuma um papel relevante na imprensa. 


Até há pouco tempo, estes “robots” cingiam-se a redigir textos breves, sobre a meteorologia ou sobre o resultado de um jogo de futebol.


Porém, mais recentemente, as máquinas passaram a apresentar telejornais na China e escrever ensaios completos no “Guardian”.


Falta-nos, agora, saber qual será o verdadeiro papel da Inteligência Artificial neste “admirável mundo novo”: se, eventualmente, os “robots” substituirão os profissionais, ou se o público continuará a dar preferência à sensabilidade e empatia humanas.


Connosco
Guia possível com directrizes para jornalistas em manifestações Ver galeria

Sabe-se que, em algumas manifestações, os jornalistas acabam por ser agredidos pelas autoridades, que os tomam como cidadãos em protesto.

Este tipo de acção põe em causa não só a liberdade de imprensa, como, igualmente, a integridade física dos profissionais.

Perante este cenário, o instituto Poynter reuniu um conjunto de directrizes destinadas a proteger jornalistas, no decurso de manifestações, que tenham necessidade de cobrir.

De acordo com o guia, a conduta dos jornalistas é essencial. Assim, de forma a não serem visados pelas autoridades, o instituto Poynter sugere que os colaboradores dos “media” permaneçam calmos e utilizem indumentárias que os distingam dos manifestantes.Neste sentido, os jornalistas devem estar devidamente identificados, com as respectivas credenciais à vista.

É, igualmente, importante, que os profissionais não atraiam as atenções, quer através de luzes fluorescentes , quer de outro tipo de material de grande porte.

De qualquer forma, é importante que as câmaras estejam sempre a gravar. Assim, os jornalistas guardam sempre provas de qualquer incidente. Como tal, os profissionais devem certificar-se de que sabem operacionalizar os vários equipamentos.

Além disso, os colaboradores dos “media” devem recordar-se de que não são obrigados a entregar o material de reportagem às autoridades. Em caso de dúvida, será conveniente ter o contacto de um advogado.

Os dilemas e os desafios que se colocam ao jornalismo migratório Ver galeria

No Brasil, a maioria dos jornalistas que escreve sobre emigração foca-se, somente, nos aspectos positivos da mudança, omitindo as verdadeiras dificuldades de um expatriado, considerou Liliana Tinoco Backert num texto publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com a autora, este tipo de artigos passam a mensagem de que basta dominar uma língua estrangeira para se ser bem sucedido lá fora. Contudo, defende Tinoco Backert, a realidade nem sempre é essa.

Quando os jornalistas oferecem destaque a empresários de sucesso, esquecem-se, muitas vezes, das possíveis adversidades enfrentadas pela família desse mesmo profissional, que deixaram as suas rotinas para o acompanhar.

Da mesma forma, o jornalismo de migração brasileiro omite os choques interculturais, as dificuldades de adaptação e a possível exclusão social.

Perante este cenário, a autora incentiva os profissionais dos “media” a criarem projectos focados nestes temas, para informarem, eficazmente, os leitores que estão a ponderar mudar de país.

Aliás, Tinoco Backart -- que chegou a viver na Suíça -- começou a redigir, em 2016, a sua própria coluna sobre movimentos migratórios, que é publicada no portal Swissinfo.ch.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


ver mais >
Opinião
Nos 40 anos do CPI
Francisco Sarsfield Cabral
Comemoram-se este mês quarenta anos desde a fundação deste Clube, em 1980. Vivia-se em Portugal, então, o alívio pela liberdade de expressão – já não havia censura prévia. Mas algumas forças políticas, sobretudo de extrema-esquerda, tinham ocupado órgãos de comunicação social. Foi o caso da Rádio Renascença e do jornal República, por exemplo. E a maior parte da...
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
A ideia fundadora do CPI, pelo menos a que justificou a minha adesão plena à iniciativa, foi o entendimento de que cada media é uma comunidade de interesses convergentes. A dos editores da publicação, a dos produtores, a dos que comercializam. Isto é, uma ideia cooperativa de acionistas, jornalistas e outros trabalhadores. E, obviamente, uma ideia primeira de independência e de liberdade. Esta ideia causou, há quarenta anos, algum...
Notas breves
José Leite Pereira
1 - Assistir a entrevistas na televisão tornou-se um ato penoso. As entrevistas fizeram-se para que alguém possa transmitir a terceiros o que entende dever ser transmitido. Ao jornalista cabe o papel de intermediário e intérprete do que julga ser a curiosidade do público. A entrevista é um ato de esclarecimento. Diferente de um texto de opinião ou de uma comunicação pura e simples exatamente por causa da presença do...
Agenda
27
Jan
Investigação e Escrita de Não-ficção
11:00 @ Cenjor -- Sessões síncronas "online"
01
Fev
Iniciação à Fotografia
10:00 @ Cenjor
23
Fev
Westminster Forum Projects: O futuro da BBC
10:00 @ Conferência "online"
28
Set
World News Media Congress
09:00 @ Taipei, Taiwan