Sábado, 1 de Outubro, 2022
Efeméride

Um olhar para amanhã com novas tecnologias e gente dentro

O Clube Português de Imprensa perfaz 40 anos. Durante este período, testemunhou uma mudança irreversível no panorama mediático, caracterizada pela aceleração digital, pela modificação dos padrões de consumo e, consequentemente, pelo desmantelamento de redacções.

Os leitores passaram a consultar as notícias através dos seus dispositivos electrónicos, em detrimento do formato em papel, e os jornalistas tiveram que responder aos anseios por informação imediata.

Registaram-se, igualmente, algumas características indissociáveis do jornalismo em ambiente digital: a interacção entre humano e máquina (‘interactividade’), a combinação de vários textos com a hiperligações (‘hipertextualidade’), a associação entre diferentes meios e formatos (‘multimédia’), a actualização constante e simultânea (‘instantaneidade’), a acumulação de conteúdos ao longo do tempo (‘memória’) e a adaptação dos conteúdos às preferências e aos hábitos dos utilizadores (‘personalização’).

Assim, com as notícias na “ponta dos dedos”, os leitores começaram, progressivamente, a dispensar a visita aos quiosques, para comprar o jornal da sua preferência. As redes sociais tornaram-se a principal fonte de informação para muitos portugueses, alheios aos perigos das “fake news”.

Começou a adivinhar-se o fim do modelo tradicional de negócio e a inevitável crise. A publicidade deixou de ser uma fonte de receitas viável e os jornalistas foram considerados “dispensáveis” por muitos, que descredibilizaram o trabalho exercido nos “media”.

Agora, em 2020, assistimos, ironicamente, a “uma luz ao fundo do túnel”. A pandemia voltou a dar protagonismo à informação fidedigna, indispensável para a saúde pública e bem-estar de todos os cidadãos.

O que poderemos, então, esperar, em termos mediáticos nos próximos 40 anos? Que novas tendências, com força para serem futuro e não se ficam apenas pela espuma dos dias?


É indiscutível que a estrutura dos  “media” foi reinventada: as mensagens jornalísticas passaram a ser encaradas activos ou recursos informativos no quadro de estratégias de produção, venda e distribuição de bens, e as ideias de ‘multimédia’ e de ‘digital’ tornam-se modelos fundamentais de estímulo a um progresso.


E, nestes últimos meses, alguns modelos de negócios registaram um novo vigor. Os leitores, interessados em pagar por conteúdos de qualidade, passaram a subscrever jornais com “paywalls” e a fazer doações a títulos locais.


O trabalho jornalístico tornou-se autónomo, com os profissionais a dedicarem-se a novos formatos de sucesso. As “newsletters” e os “podcasts” informativos conquistaram um número respeitável de seguidores, ao apresentarem conteúdos de “nicho”. O “fact-checking” faz, agora, parte das funções de qualquer colaborador do meio.


Da mesma forma, o papel recebeu um novo fôlego: cientes da crescente popularidade dos “sites” noticiosos, os editores passaram a seleccionar artigos exclusivos para o “formato físico”. E os leitores parecem estar receptivos a esta “atenção” e à “curadoria”.


Apesar das recomendações de distanciamento social, os eventos continuaram a decorrer, mas num formato “híbrido”, que convida os consumidores a participarem numa “experiência única”.


A estrutura da equipa editorial foi, também ela, modificada. Em tempos, os “cubículos” foram substituídos pelos “open spaces”, incentivando a interacção entre colegas das diferentes secções.


Agora, espera-se que o trabalho se realize num regime dual, que combina o tempo passado em regime remoto, a partir de casa, e os dias em que os jornalistas se dirigem à redacção.


Supõe-se, de igual forma, que a Inteligência Artificial assuma um papel relevante na imprensa. 


Até há pouco tempo, estes “robots” cingiam-se a redigir textos breves, sobre a meteorologia ou sobre o resultado de um jogo de futebol.


Porém, mais recentemente, as máquinas passaram a apresentar telejornais na China e escrever ensaios completos no “Guardian”.


Falta-nos, agora, saber qual será o verdadeiro papel da Inteligência Artificial neste “admirável mundo novo”: se, eventualmente, os “robots” substituirão os profissionais, ou se o público continuará a dar preferência à sensabilidade e empatia humanas.


Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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Opinião
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