Terça-feira, 17 de Maio, 2022
Efeméride

Precarizar o Jornalismo é enfraquecer a democracia

José Eduardo Moniz

Quarenta anos passaram, mas a essência do Jornalismo mantém-se. A busca da verdade e a obrigação de a divulgar constituem coordenadas elementares de uma actividade que é seguramente das mais nobres que existem.

Pode ter evoluído a forma de transmitir o que a realidade mostra, ou o que sobre ela se desvenda, mas aqueles que são os pressupostos do Jornalismo sério e independente permanecem insusceptíveis de qualquer discussão. 

Mais do que nunca, com a massificação da Informação que os meios digitais introduziram, a necessidade de um olhar atento, frontal, fiscalizador e sem medo da denúncia impõe-se. 

A separação do trigo e do joio, da Notícia e da propaganda, da verdade e da mentira, do que é real e do que se inventa nunca se revelou tão essencial e tão desesperadamente importante.

O Clube de Imprensa nasceu era eu um jovem jornalista a dar os primeiros passos em Televisão, depois de vários anos a trabalhar no Diario Popular. A intenção principal era (e é) prestigiar o Jornalismo e os que o exercem.

Tive o privilégio de trabalhar numa Redacção onde conviviam alguns dos melhores jornalistas de que Portugal dispunha, na altura, e que, já antes do 25 de Abril, constituía alfobre de gente corajosa na diferença, sem medo na escrita e atrevida no habilidoso desafio de ludibriar a censura.


Se, na essência, hoje, os imperativos jornalísticos são os mesmos, na prática, aquilo com que os profissionais actualmente se defrontam, é um ambiente recheado de condicionamentos dramáticos. 


As empresas que se dedicam à Comunicação Social, de uma forma geral, sofrem constrangimentos vários, o menos importante dos quais não é certamente a dimensão de um mercado cada vez mais exíguo e empobrecido. O enfraquecimento dessas empresas arrasta situações de inconstância accionista, atrai investidores dissociados do meio e gera bolsas de precariedade cada vez mais amplas. 

A digitalização abalou todo o sistema como uma faca quente a cortar manteiga, vulnerabilizando-o no confronto com a voracidade do mercado. As exigências estrangulantes e as pressões várias dos sectores sociais, económicos e políticos perante a incapacidade reguladora do Estado fizeram (ou fazem) o resto. O velho modelo, imprevidente na percepção de que o futuro chega todas as manhãs, desabou, incapaz de se renovar perante o imediatismo transportado nas asas da tecnologia.

Sou dos que confiam na infinita capacidade humana de se reinventar.

Nessa perspectiva, acreditar na percepção de que o Jornalismo que aposta na seriedade e luta pela verdade é uma ferramenta essencial numa sociedade democrática e que a credibilidade tem um valor real, significativo e diferenciador no mercado, deveria ser inspirador para investidores, empresários e profissionais. 

A aposta na investigação, a potenciação da arma que a curiosidade como instrumento de trabalho representa, a coragem de arrostar quaisquer interesses, por mais poderosos ou subterrâneos que sejam, continuam, hoje como ontem, a assumir-se como determinantes para o exercício da missão de informar, com honestidade, com frontalidade e com transparência.

Só tem medo do Jornalismo quem tem algo a ocultar.

Só receia um Jornalista quem tem medo da verdade.

Precarizar o Jornalismo é uma maneira de enfraquecer a democracia.

Connosco
Jornalistas enfrentam “período negro” com risco de vida Ver galeria

O mês de Maio tem sido negro para os jornalistas, com o assassinato de quatro mulheres  jornalistas em apenas sete dias.

Conforme apontou o “Guardian”, dois dos homicídios ocorreram no México, um dos países mais perigosos para o exercício jornalístico. As vítimas foram Yesenia Mollinedo Falconi e Sheila Johana García Olivera, do “site”  “El Veraz”.

Semanas antes da sua morte, Yesenia Mollinedo Falconi, havia recebido ameaças de morte, na sequência das suas investigações sobre crime e corrupção. Ainda assim, aquela jornalista estava confiante de que não corria perigo.

Dois dias após a morte das profissionais mexicanas, foi noticiada outra tragédia: o assassinato de Shireen Abu Akleh, uma correspondente da Al Jazeera, que acompanhava o conflito israelo-árabe há vários anos.

O Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU mostrou-se “chocado” com a morte deste profissional e exigiu, entretanto,  uma “investigação independente e transparente” sobre o sucedido.

Também a directora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, se juntou no apelo a uma “investigação completa” à morte da jornalista.

“O assassinato de uma jornalista claramente identificada, numa zona de conflito, é uma violação do direito internacional“, disse Azoulay em comunicado, pedindo uma investigação para levar “os responsáveis à justiça”.

No dia a seguir, ficou conhecido o homicídio da jornalista colombiana Francisca Sandoval, morta durante a cobertura noticiosa de uma manifestação.


“Media” polacos apostam em conteúdos em ucraniano Ver galeria

Na Polónia, várias empresas mediáticas começaram a lançar produtos noticiosos em ucraniano, como forma de responder às necessidades dos três milhões de refugiados que chegaram ao país desde o início da guerra.

Conforme apontou o “Nieman Lab”, a Agência Noticiosa Polaca (Polska Agencja Prasowa, ou PAP) foi uma das primeiras organizações a partilhar artigos em ucraniano, graças a uma equipa de cinco jornalistas, que têm vindo a dedicar-se à tradução e produção de conteúdos.

Este serviço em ucraniano foi criado em apenas uma semana, e publica artigos diários sobre a invasão da Ucrânia.

“Esta guerra mudou tudo”, disse Jaros?aw Junko, coordenador dos serviços ucraniano e russo daquela agência noticiosa. “Todos os ‘sites’ informativos polacos de renome começaram a oferecer produtos em ucraniano. Esta é uma mudança importante, e mostra que a Polónia está a respeitar os ‘vizinhos’ que chegam ao país”.

Agora, a PAP quer expandir a editoria ucraniana, passando a incluir conteúdos sobre apoio legal, e ajuda económica para refugiados.

Outra das publicações que apostou em conteúdos ucranianos foi a “Onet” que, agora, partilha dez artigos diários sobre o conflito e, ainda, sobre a adaptação à vida na Polónia.

“Fazemos o nosso melhor para sermos um guia sobre a vida neste país”, explicou Kamil Turecki, coordenador da “Onet”.

Também o Grupo RMF decidiu ajudar esta causa, lançando uma nova estação de rádio em ucraniano, com frequências nas cidades fronteiriças de Przemysl e Hrubieszow.

O Clube


Os ciberataques passaram a fazer parte da paisagem mediática portuguesa. Depois do Grupo Impresa ter sido seriamente afectado, juntamente com a Cofina, embora esta em menor grau de exposição, chegou a vez do Grupo Trust in News, que detém o antigo portfólio de revistas de Balsemão, como é o caso do semanário “Visão”.
Outras empresas foram igualmente visadas, em maior ou menor escala, desde a multinacional Vodafone aos laboratórios Germano de Sousa.
Não cabe neste espaço qualquer comentário especializado a tal respeito, mas não nos isentamos de manifestar uma profunda preocupação relativamente à continuidade - e aparente impunidade - destes actos ilegais, que estão a pôr a nu as vulnerabilidades dos sistemas e redes, tanto públicos como privados.
Recorde-se que este site do Clube Português de Imprensa já foi alvo, também, de intrusões pontuais que bloquearam a sua actualização regular, o que voltou a acontecer, embora de uma forma indirecta, como consequência da inoperacionalidade do operador de telecomunicações atingido.

Oxalá estes ataques de “hackers”, já com um carácter mais “profissional”, tenha contribuído para alertar os especialistas e as autoridades competentes em cibersegurança no sentido de adoptarem as medidas de protecção que se impõem.
As fragilidades ficaram bem à vista.

 


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Agenda
19
Mai
2022 Collaborative Journalism Summit
10:00 @ Chicago, Estados Unidos
25
Jun
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor
27
Jun
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia
10
Jul
Washington Journalism and Media Conference (WJMC)
10:00 @ Universidade George Mason