Terça-feira, 17 de Maio, 2022
Efeméride

O Clube como plataforma aberta e fórum de debate enriquecedor


Graça Franco

Passaram 40 anos e o que levou à formação do Clube de Imprensa mantém-se estranhamente actual. O sector que ansiava pela possibilidade de uma auto-regulação eficaz continua a identificar o problema, da sua falta, como uma das maiores falhas impeditivas da melhoria da qualidade da liberdade de expressão e pluralismo e das respectivas consequências sobre a qualidade da democracia. O regime que à data da fundação dava ainda os seus primeiros passos, minados pelo fantasma de 48 anos de tentativas de manipulação, silenciamento e censura.

Além do Sindicato dos Jornalistas cuja carga ideológica era, ao tempo, incrivelmente limitadora surgiam, no terreno, vários grupos de jornalistas preocupados em impor novas estruturas de debate, designadamente,  sobre os temas que envolviam a independência do jornalismo, dos poderes políticos e económicos, a qualidade, e a necessidade de públicos e privados acabarem a prestar verdadeiro serviço público. Isenção, objectividade, crise financeira deram mote a múltiplas tertúlias de incrível valor para a melhoria da vida democrática e combate ao corporativismo instalado.

Nessa altura eu estava a dar os primeiros passos no jornalismo, mas partilhava com os mais velhos essas preocupações. Fui assim desafiada pelos vários grupos e tornei-me sócia fundadora do Clube de Imprensa e do Clube de Jornalistas, nascidos praticamente ao mesmo tempo, e uns anos mais tarde do próprio Observatório de Imprensa. Sendo instituições, todas elas de utilidade pública, o Clube Português de Imprensa acabou por se distinguir pela positiva como plataforma aberta aos que não sendo jornalistas pertenciam a órgãos de gestão ou propriedade de jornais. 


Essa coexistência entre a visão de gestores e jornalistas acabou por dar ao Clube uma característica muito própria, tornando-se um fórum de debate particularmente enriquecedor. Desde o início o Clube notabilizou-se em duas vertentes de intervenção: a promoção de encontros debate com as chamadas “fontes de informação”, permitindo a reflexão sobre pontos de interesse geral ou especial complexidade, geralmente no registo de “off record” e a promoção de jornalismo de qualidade com a atribuição dos prémios em várias categorias, a que mais recentemente se juntou o Prémio Carreira. Outros se lhe seguiram com sucesso, mas é justo atribuir ao CPI o pioneirismo absoluto na matéria.

Tivemos, nesta longa actividade, uma linha de comum continuidade, sem a qual o Clube em vez de mostrar uma renovada vitalidade nos últimos anos certamente já teria desaparecido. A inestimável disponibilidade e dedicação do seu director de sempre, o nosso Dinis de Abreu,  que acabou a prolongar a sua passagem pela direcção do Diário de Noticias, o grande jornal de referência na altura, nos mandatos sistematicamente renovados por aclamação e louvor como dirigente do CPI.

Os últimos anos foram ricos de parcerias com o Automóvel Clube de Portugal (parceiro de quase sempre), o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário,  que permitiram ao CPI uma dimensão de convívio cultural particularmente simpático. Ao público clássico de jornalistas e gestores da comunicação vieram somar-se os interessados pelos vários temas em debate. Uma mais-valia.

Num ponto, contudo, falhamos: não se construiu o consenso necessário ao avanço que a maioria defendia para a constituição de uma estrutura do  tipo ordem profissional ( o que eu não lamento, especialmente porque sempre fiz parte da minoria que via a criação da Ordem com algum cepticismo). Como segundo insucesso reconheçamos que não se conseguiu o rejuvenescimento necessário a garantir o futuro da estrutura.

É esse o grande desafio do momento: não deixar que o clube envelheça com os seus criadores. Eu que estava a dar os meus primeiros passados no jornalismo estou agora a aproximar-me dos últimos na profissão. O mundo mudou, entretanto, mas a necessidade de continuar a debater as questões éticas que se impõem e a função que os media são chamados a desempenhar, não só não acabaram como ganharam contornos de ainda muito maior importância. 

No mundo digital, “os cães do guarda da democracia” são mais do que nunca necessários e, convenhamos, são cada vez menos. Os tempos que vivemos no início desta aventura na perspectiva nacional podiam designar-se como tempos interessantes, mas os que actualmente enfrentamos são, na perspectiva da velha expressão chinesa,  tempos  muitíssimo mais “interessantes”. 

Devemos estar gratos por podermos fazer parte destes tempos e seria muito bom que, agora, que os que criaram o CPI sintam  mais do que nunca a plenitude da sua necessidade e utilidade,  não deixando de lutar pelo seu rejuvenescimento. Admitamos com humildade que há entre a nova geração gente infinitamente mais preparada para analisar e construir o futuro. Um futuro que, em múltiplos casos, já se fez presente.

*Presidente da Assembleia Geral do CPI


Connosco
Jornalistas enfrentam “período negro” com risco de vida Ver galeria

O mês de Maio tem sido negro para os jornalistas, com o assassinato de quatro mulheres  jornalistas em apenas sete dias.

Conforme apontou o “Guardian”, dois dos homicídios ocorreram no México, um dos países mais perigosos para o exercício jornalístico. As vítimas foram Yesenia Mollinedo Falconi e Sheila Johana García Olivera, do “site”  “El Veraz”.

Semanas antes da sua morte, Yesenia Mollinedo Falconi, havia recebido ameaças de morte, na sequência das suas investigações sobre crime e corrupção. Ainda assim, aquela jornalista estava confiante de que não corria perigo.

Dois dias após a morte das profissionais mexicanas, foi noticiada outra tragédia: o assassinato de Shireen Abu Akleh, uma correspondente da Al Jazeera, que acompanhava o conflito israelo-árabe há vários anos.

O Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU mostrou-se “chocado” com a morte deste profissional e exigiu, entretanto,  uma “investigação independente e transparente” sobre o sucedido.

Também a directora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, se juntou no apelo a uma “investigação completa” à morte da jornalista.

“O assassinato de uma jornalista claramente identificada, numa zona de conflito, é uma violação do direito internacional“, disse Azoulay em comunicado, pedindo uma investigação para levar “os responsáveis à justiça”.

No dia a seguir, ficou conhecido o homicídio da jornalista colombiana Francisca Sandoval, morta durante a cobertura noticiosa de uma manifestação.


“Media” polacos apostam em conteúdos em ucraniano Ver galeria

Na Polónia, várias empresas mediáticas começaram a lançar produtos noticiosos em ucraniano, como forma de responder às necessidades dos três milhões de refugiados que chegaram ao país desde o início da guerra.

Conforme apontou o “Nieman Lab”, a Agência Noticiosa Polaca (Polska Agencja Prasowa, ou PAP) foi uma das primeiras organizações a partilhar artigos em ucraniano, graças a uma equipa de cinco jornalistas, que têm vindo a dedicar-se à tradução e produção de conteúdos.

Este serviço em ucraniano foi criado em apenas uma semana, e publica artigos diários sobre a invasão da Ucrânia.

“Esta guerra mudou tudo”, disse Jaros?aw Junko, coordenador dos serviços ucraniano e russo daquela agência noticiosa. “Todos os ‘sites’ informativos polacos de renome começaram a oferecer produtos em ucraniano. Esta é uma mudança importante, e mostra que a Polónia está a respeitar os ‘vizinhos’ que chegam ao país”.

Agora, a PAP quer expandir a editoria ucraniana, passando a incluir conteúdos sobre apoio legal, e ajuda económica para refugiados.

Outra das publicações que apostou em conteúdos ucranianos foi a “Onet” que, agora, partilha dez artigos diários sobre o conflito e, ainda, sobre a adaptação à vida na Polónia.

“Fazemos o nosso melhor para sermos um guia sobre a vida neste país”, explicou Kamil Turecki, coordenador da “Onet”.

Também o Grupo RMF decidiu ajudar esta causa, lançando uma nova estação de rádio em ucraniano, com frequências nas cidades fronteiriças de Przemysl e Hrubieszow.

O Clube


Os ciberataques passaram a fazer parte da paisagem mediática portuguesa. Depois do Grupo Impresa ter sido seriamente afectado, juntamente com a Cofina, embora esta em menor grau de exposição, chegou a vez do Grupo Trust in News, que detém o antigo portfólio de revistas de Balsemão, como é o caso do semanário “Visão”.
Outras empresas foram igualmente visadas, em maior ou menor escala, desde a multinacional Vodafone aos laboratórios Germano de Sousa.
Não cabe neste espaço qualquer comentário especializado a tal respeito, mas não nos isentamos de manifestar uma profunda preocupação relativamente à continuidade - e aparente impunidade - destes actos ilegais, que estão a pôr a nu as vulnerabilidades dos sistemas e redes, tanto públicos como privados.
Recorde-se que este site do Clube Português de Imprensa já foi alvo, também, de intrusões pontuais que bloquearam a sua actualização regular, o que voltou a acontecer, embora de uma forma indirecta, como consequência da inoperacionalidade do operador de telecomunicações atingido.

Oxalá estes ataques de “hackers”, já com um carácter mais “profissional”, tenha contribuído para alertar os especialistas e as autoridades competentes em cibersegurança no sentido de adoptarem as medidas de protecção que se impõem.
As fragilidades ficaram bem à vista.

 


ver mais >
Opinião
Impressiona saber que há mais de 600 mil portugueses a lerem jornais e revistas através da plataforma WhatsApp, conforme foi revelado por um estudo recente da Netsonda, o qual, apesar da margem de erro considerada, amplia as audiências da Imprensa.Segundo o estudo, realizado num universo de 470 entrevistas online, concluiu-se que o recurso àquela plataforma “potencializa até 6,5 vezes o alcance dos jornais e revistas em Portugal, quando comparados com os...
Terrorismo Digital
José Luís Ramos Pinheiro
Os ataques digitais traduzem novas formas de terrorismo. Digitais, mas terroristas. Não são claros todos os interesses envolvidos. Nem todos os interessados. Nem a escala que estas situações têm ou podem vir a ter. Mas um ataque digital como aquele que vitimou os sites da Impresa no início do ano, é um ataque a todos nós - meios de comunicação social, empresas, instituições e cidadãos.Trata-se da liberdade...
A comunicação social e a pandemia
Francisco Sarsfield Cabral
Nos últimos dias várias pessoas me confessaram terem deixado de seguir os noticiários televisivos, por sentirem ser insuportável a quase total concentração na covid-19 de muitos desses noticiários. Admito, por isso, que a nossa comunicação social tem por vezes exagerado ao transmitir uma atitude de alarme face ao crescimento dos casos de covid-19.  É possível que os políticos tenham mais ou menos...
Entrevistar crianças de 10 anos como se fossem adultos informados e capazes de tomar decisões não me parece ser o melhor caminho para a comunicação social lidar com o tema do vírus.1 -- Deu que falar a fotografia absolutamente censurável divulgada após a detenção de João Rendeiro na África do Sul. Muitas foram as vozes que, na comunicação social, criticaram a exibição daquela imagem....
Venham mais 40!...
Carlos Barbosa
No Brasil, começou esta aventura, com o Dinis de Abreu!! Foi há 40 anos, estava ele no Diário de Noticias e eu no Correio Manhã, quando resolvemos, com mais uma bela equipa de jornalistas, fundar o Clube Português de Imprensa. Completamente independente e sem qualquer cor politica, o Clube cedo se desenvolveu com reuniões ,almoços, palestras, etc. Tivemos o privilégio de ter os maiores nomes da sociedade civil e política portuguesa...
Agenda
19
Mai
2022 Collaborative Journalism Summit
10:00 @ Chicago, Estados Unidos
25
Jun
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor
27
Jun
12th World Conference of Science Journalists
10:00 @ Medellín, Colômbia
10
Jul
Washington Journalism and Media Conference (WJMC)
10:00 @ Universidade George Mason