Sábado, 1 de Outubro, 2022
Efeméride

Celebrar 40 anos antes de escrever o futuro

Dinis de Abreu

A acta fundacional do CPI - Clube Português de Imprensa foi assinada a 17 de dezembro de 1980. Entre os fundadores, contam-se personalidades incontornáveis do jornalismo e da sociedade portuguesa, desde Norberto Lopes e Raul Rego, a Francisco Pinto Balsemão ou ao actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. 

O Clube nasceu para agregar jornalistas e outros profissionais do sector , além de gestores de empresas de media, algo em que foi absolutamente inovador,  numa época em  que uns e outros se olhavam com desconfiança, mal cicatrizadas ainda as feridas abertas pelo processo revolucionário, surgido em 25 de Abril de  1974.

O Clube nasceu, ainda, para contrariar uma certa apatia associativa, e fomentar o debate e a reflexão sobre os problemas que então, como hoje, se colocavam e colocam aos jornalistas e ao jornalismo.

A década de 80, que acolheu o CPI, foi prodigiosa. Num relance, e sem preocupações  cronológicas, assinalam-se   acontecimentos tão marcantes como  o tratado de adesão à CEE, a queda do Muro de Berlim, o desastre de Camarate ( que vitimou Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa e cujo mistério persiste até hoje, sobre se foi atentado ou acidente), a declaração conjunta  para a devolução de Macau à China, ou, ainda, o grande  incêndio no Chiado, a chegada da televisão a cores ou a vitória de Carlos Lopes na maratona olímpica de Los Angeles. 

Foi também nesta década, mais precisamente em 1985, que o Clube lançou os seus prémios de jornalismo em várias modalidades, num modelo de que foi pioneiro em Portugal. 


Visavam distinguir primeiro a reportagem – Imprensa, rádio e televisão -, ou a fotorreportagem. Mas não abdicavam de escolher, igualmente, os melhores entre os mais jovens – as revelações -, incluindo estudantes de ciências de Comunicação e de jornalismo, ou os recém-chegados ao jornalismo económico, uma especialidade que estava a despontar. 

Foram numerosos os jornalistas premiados, constituindo um precioso incentivo nas suas carreiras profissionais. A crise apossou-se, entretanto,  das redacções, muito antes de ser declarada a pandemia nos primeiros meses deste ano.

O associativismo marcou passo, o perfil das redacções mudou radicalmente, a boémia tradicional extinguiu-se e deu lugar a uma relação cada vez mais estreita e dependente com a Internet e as redes sociais. 

O jornalismo praticado hoje, e não apenas em Portugal, tem menos contacto com a realidade circundante, sai pouco para ver e testemunhar o que se passa fora do perímetro do jornal, e absorve, muitas vezes,   acriticamente, o que é debitado em blogues, ou nas plataformas virtuais na moda. 

A paisagem mediática mudou muito nestes 40 anos.  A Imprensa entrou em declínio, com vários títulos a desaparecer, e os que restam sobrevivem com não poucas dificuldades. Mesmo jornais com história correm riscos sérios, se não encontrarem alternativas que captem mais leitores e os fidelizem. 

Mais lentamente, tanto a rádio como a televisão, estão a conhecer um fenómeno de crescente erosão. As audiências ressentem-se e a transferência de espectadores e ouvintes para outros meios não para de aumentar.  As versões digitais não compensam o que se perde em papel ou nos suportes de transmissão hertziana.  

No audiovisual, o advento do satélite e do cabo, este servido pela fibra óptica, tornou quase obsoletos os emissores convencionais, destruindo, a pouco e pouco, o conceito de “grelha” de programas, substituindo-a pela televisão e rádio “a la carte”. Cada um elabora o seu “menú”.

Perante tantas e  tão profundas mudanças, naturalmente  que o Clube também precisou de adaptar-se, criando novas formas de chegar aos associados e, em geral, a todos os interessados  que se habituaram a estar connosco, presencialmente, em iniciativas como  os ciclos de jantares-debate, feitos em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário,  ou à distância, através deste “site”.

Nos anos 80, quando o Clube deu os primeiros passos e cresceu, houve uma espantosa aceleração das comunicações e do modo   de comunicar. Foi uma fase que constituiu um poderoso desafio, embora nem sempre virtuoso.   

A par do progresso tecnológico, agravou-se a “crónica negra” dos jornalistas perseguidos, presos e assassinados pelo mundo fora, sem que os poderes instalados dessem mostras de querer travar essa escalada. 

Os atentados à liberdade de Imprensa ganharam novos adeptos, mesmo na Europa e no continente americano, e as mordaças, a vários pretextos, concorrem já, em alguns casos, com a imposição das máscaras sanitárias... 

Não faltam mesmo os teorizadores que advogam, com desenvoltura, restrições à liberdade de Imprensa, em nome do serviço público. Vivem-se tempos complexos.  

Sobram, por isso, as razões para o Clube não baixar os braços. Em homenagem à memória de fundadores que partiram, e por sentirmos que quem nos elegeu, como associado ou frequentador regular deste site, se sente assim mais acompanhado. Falta-nos ainda escrever o futuro. 
 
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Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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Opinião
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