Sábado, 1 de Outubro, 2022
Mundo

Clima de intimidação contra jornalistas no México denunciado por rede internacional

A rede internacional Cartel Project -- constituída por 60 jornalistas, de 25 publicações internacionais -- está a dar continuidade ao trabalho desenvolvido por jornalistas mexicanos assassinados.

Este trabalho inclui a investigação da jornalista Regina Martinez -- assassinada em 2012 -- que estava a desenvolver reportagens sobre a ligação entre os desaparecimentos de cidadãos de Veracruz e o governo local.

Martinez não foi a primeira repórter a ser morta no México, mas o seu homicídio fez com que o país passasse a ser considerado um dos mais perigosos para o exercício da profissão.

De acordo com o Comité para a Protecção de Jornalistas (CPJ), desde 2000, foram assassinados 119 jornalistas no México. Além disso, 90% dos casos ficaram por resolver. Veracruz é um dos Estados com maior incidência.

“O caso Regina é importante porque constitui um antes e um depois para a imprensa", disse Jorge Carrasco, editor-chefe da revista noticiosa “Proceso”, para a qual Martinez colaborava. "Quando matam um jornalista, é como se estivessem a colocar uma bomba numa redacção para causar terror, para intimidar, para dizer: não se metam connosco".

De acordo com relatórios internacionais, os jornalistas de investigação são, principalmente, visados pelos “atacantes”. O Cartel Project apurou, por exemplo, que as actividades desenvolvidas por Martinez eram controladas por uma rede de espionagem altamente sofisticada, que reúne informações pessoais sobre estes profissionais.

Nos últimos meses da sua vida, Martinez viveu, assim, num “clima de terror”, sem conseguir dormir, ou sair de casa.

De acordo com os relatórios do Cartel Project, a vigilância a jornalistas começou na década de 1990. Contudo os profissionais consideram que a sua actividade foi intensificada entre os anos de 2010 e 2016, época em que Javier Duarte era governador do Estado de Veracruz.

Duarte ficou conhecido por se opor ao escrutínio das associações de direitos humanos e do próprio governo federal.

“Como jornalista da ‘Proceso’, Regina Martínez foi, automaticamente, considerada uma inimiga”, afirmou Jorge Rebolledo, um consultor de segurança radicado na Cidade do México. "As redes de poder em Veracruz são muito complicadas, a relação entre o crime organizado e o governo é cinzenta. Não é fácil perceber quem é mau ou bom, o que vulnerabiliza os jornalistas de investigação".

Em 2018, Andrés Manuel López Obrador, conhecido como Amlo, venceu as eleições presidenciais, sob o compromisso de transformar a política e erradicar a corrupção.

No entanto, a violência -- incluindo o assassinato de jornalistas -- continuou a aumentar, e Amlo tem sido acusado de incitar à hostilidade contra os “media”.

Em Novembro, Amlo afirmou que iria pedir a reavaliação do caso de Martinez. Por enquanto, contudo, o seu assassinato continua por resolver.

(Esta trabalho sobre a situação perigosa para os jornalistas no México foi realizado por Nina Lakhani (“the Guardian”), Dana Priest (“Washington Post”), e Paloma Dupont de Dinechin (“Forbidden Stories”)

Leia o artigo original em “Guardian”

Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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Opinião
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