A crise dos “media” tem vindo a impulsionar várias mudanças no “modus operandi” das empresas de comunicação social.
Estas “metamorfoses” verificam-se na forma de informar, de estabelecer relação com os leitores e, especialmente, no modelo utilizado para a monetização do negócio.
Neste contexto, a implementação da “paywall” tornou-se uma tendência, ao ser adoptada tanto por publicações recentes, como por jornais centenários, como é o caso do “South China Morning Post”, que lançou os primeiros pacotes de subscrição em 2017.
O responsável pelas subscrições daquele jornal, Adrian Lee, defende, porém, que os “publishers” devem reflectir antes de implementar esta ferramenta. Como tal, desenvolveu um guia com 10 questões essenciais, que foi publicado no “site” “World Association of News Publishers”.
Em primeiro lugar, Lee acredita que os “publishers” devem estabelecer a razão pela qual querem alterar o seu modelo de negócio.
Depois, os responsáveis devem garantir que têm os recursos humanos necessários para efectuar a mudança.
Em terceiro lugar, a redacção deve estar de acordo quanto à sua posição do mercado dos “media”. Isto será essencial para convencer os leitores a subscrever o produto.
Numa fase seguinte, os responsáveis devem delinear estratégias de “marketing”.
Definir os pacotes de subscrição, consoante o perfil dos seus leitores é outro factor crucial. Além disso, os preços por serviço devem ser diferenciados.
Neste contexto, é, também, importante estabelecer que tipo de conteúdo é exclusivo para assinantes.
Adrian Lee considera, ainda, importante que as publicações determinem o investimento tecnológico a ser concretizado.
Com o lançamento da “paywall”, os “publishers” devem estabelecer um “medidor de sucesso”, para compreenderem as estratégias que resultam, e aquelas que precisam de ser alteradas.
Por fim, Lee pede aos responsáveis pelas “paywalls” que mantenham uma mente aberta e a disponibilidade para aprender.
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.