O coronavírus é um tema complexo, que deve ser desmistificado pelos jornalistas, de forma a manter a população informada, segura e confiante sobre o seu nível de conhecimento, defendeu Roy Peter Clark num artigo publicado no “site” do Instituto Poynter.
Como tal, o autor reuniu uma lista com sugestões, para que os profissionais consigam classificar o seu discurso e ajudar as audiências.
Em primeiro lugar, Clark acredita que os jornalistas devem reduzir o nível de informação por parágrafo, especialmente quando estão a cobrir temas complexos. A forma mais eficaz de atingir este objectivo é limitar o número de palavras por frase.
A quantidade de dados estatísticos deve, igualmente, ser reduzida. O mesmo se aplica a citações de especialistas.
Além disso, o autor convida os jornalistas a escreverem com uma determinada “persona” em mente, que tenha um conhecimento limitado sobre o tópico.
Um bom mecanismo para “encaixar” toda a informação é o diálogo ficcionado. O formato de “perguntas e respostas”, por exemplo, seria uma das ideias a adoptar.
O “storytelling”, por outro lado, contribui para que os cidadãos fiquem interessados naquilo que estão a ler, e retirem conclusões de forma lúdica. Incluir “segredos” nestes textos, poderá ser outra boa fórmula, já que transmite a ideia de exclusividade.
De acordo com Clark, sempre que os jornalistas se deparem com uma informação “pesada”, devem evitar escrever sobre o tópico em questão. Em vez disso, poderão simplificá-lo através de gráficos ou imagens.
Neste contexto, Clark sublinha que um exemplo “humano” é mais memorável do que “centenas de dados”.
Clark apela, ainda, aos jornalistas que evitem utilizar jargão, ou que, em caso de última necessidade, o traduzam.
Depois de informarem o leitor, os profissionais poderão clarificar a utilidade do novo conhecimento adquirido,.
Por fim, o autor sugere que os jornalistas leiam os textos em voz alta, para detectarem possíveis incongruências.
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.