Sábado, 28 de Novembro, 2020
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Projectos digitais dos “media” “divorciam-se” de modelo publicitário

A digitalização dos “media” fez com que muitas publicações deixassem de publicar os seus conteúdos em formato impresso para se dedicarem às operações digitais. Esta transformação de “paisagem mediática” resultou, igualmente, no aparecimento de novas plataformas de conteúdo informativo.

Numa primeira fase, estes projectos conseguiam obter lucro através de “clicks” e de receitas publicitárias, mas, com a pandemia, este modelo de negócio deixou de ser considerado viável.

Com isto, algumas das iniciativas mais populares, como o “Buzzfeed” e a “Vice” foram obrigados a dispensar parte da sua equipa editorial, conforme concluiu a “Press Gazette”.

Aliás, o relatório sugere que, a nível internacional, apenas três destes projectos registaram crescimento, entre 2017 e 2020: o “Independent”, o “site” de tecnologia “TechNet” e o “Vox”.Perante este quadro, os “sites” estão a considerar adoptar novas formas para a obtenção de receitas, à semelhança do que tem vindo a acontecer em publicações jornalísticas conceituadas, como o “New York Times”, o “Washington Post”, entre outras.




Ou seja, estas plataformas querem deixar de depender das receitas publicitárias -- já que os anunciantes se têm focado em grandes empresas tecnológicas como o Facebook -- para implementarem modelos de subscrição.


Até ao momento, os dados levantados pela “Press Gazette” indicam que, pelo menos, 123 publicações digitais passaram a depender do apoio dos leitores.


Leia o estudo original em “Press Gazette”


Connosco
Onde se preconiza o jornalismo social e notícias felizes Ver galeria

O Presidente da Associação de Imprensa de Madrid -- com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- considera essencial que os “media” continuem a promover a dimensão social do jornalismo.

No discurso inaugural do Congresso da Comunicação Especializada na Sociedade da Informação, Juan Caño recordou que, com a crise pandémica, esta função "tem sido exercida de forma exemplar por vários meios de comunicação social", que, durante meses, não se esqueceram de "encorajar a população a superar a calamidade”.

Porém, ultimamente, começou a registar-se um “cansaço dos media', perante demasiada informação", recordou Caño. 

Este fenómeno tem vindo a ocorrer "à medida que a informação se foi tornando repetitiva e deixou de oferecer soluções viáveis", acrescentou.

Esta afirmação é sustentada pelo Relatório Anual da Profissão Jornalística 2020 da APM -- a ser publicado a 16 de Dezembro -- que revela que 43% dos espanhóis considerou excessiva a cobertura da pandemia.


Jornalismo deve acolher estratégias financeiras sustentáveis Ver galeria

O jornalismo deve ser encarado como um produto, para que os “media” possam prosperar de forma sustentável, defendeu o jornalista Rich Gordon num artigo publicado no “site” do Knight Center.

De acordo com o autor, os profissionais dos “media” rejeitam, por norma, esta ideia, já que para a maioria defende o jornalismo como sendo, única e exclusivamente, um serviço público.

E, embora Gordon acredite que esta deve ser a principal premissa dos jornalistas, considera, igualmente, essencial que a imprensa siga as tendências de mercado.

Como tal, reuniu, numa lista, seis razões pelos quais os “media” devem encarar os seus conteúdos como um produto.

Em primeiro lugar, Gordon recorda que os “websites”, os jornais, as “newsletters” são “mercadorias” -- os cidadãos decidem se querem ou não consumi-las, perante uma imensidão de escolhas. Além disso, a popularidade destes produtos depende do seu nível de inovação e de qualidade.

Este tipo de mentalidade existe há dois séculos -- os jornais do século XIX seguiam as exigências do mercado, a lei da oferta e da procura. A estratégia consistia em distribuir o máximo de jornais, a um preço reduzido, esperando conseguir o apoio de anunciantes.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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