Com a entrada na era digital, os “media” portugueses sofreram algumas alterações profundas, que se reflectiram, igualmente, no comportamento das audiências e, mais tarde, no modelo de negócio.
Como tal, durante a última década, o Obercom tem vindo a recolher dados sobre as tendências dos meios de comunicação social, de forma a projectar o futuro do sector em Portugal.
No seu mais recente relatório, intitulado “Análise do Comportamento dos Media”, o Obercom comparou os resultados dos principais meios portugueses, tanto na imprensa escrita, como na rádio e na televisão, entre 2008 e 2019.
No que toca à imprensa, o Obercom concluiu que, em 2019, foram aprofundadas algumas tendências. As treze publicações analisadas permitiram constatar que, quer no volume de circulação paga, quer no volume de tiragens, registaram-se quebras acentuadas.
Com efeito, em 2019, o valor global da circulação paga era já menos de metade daquele verificado em 2008.
No período 2008-2019, o “Diário de Notícias” lidera nas perdas em circulação impressa paga. Contudo, praticamente todas as publicações analisadas diminuiram o volume de vendas em banca, com excepção da revista “Sábado” (+ 1,3%) e do “Jornal Económico” (+56%)
Em relação ao índice de Eficiência das publicações, que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa, continua a verificar-se a liderança do “Expresso” e da revista “Visão”.
De salientar que o jornal “Correio da Manhã” é ainda o título com maior distribuição e mais vendas registadas, com o semanário “Expresso” a surgir no segundo lugar.
A intensificação da produção, disseminação e consumo de notícias, no formato “online”, tem contribuído para este declínio do formato físico.
Contudo, apesar de o volume de assinaturas digitais ter estado a subir ao longo dos últimos anos, este crescimento é, em muitos casos, praticamente residual.
No sector na rádio, o Grupo Media Capital lidera em nível de “share de audiências”, seguido do Grupo Renascença, Grupo RDP e, em quarto lugar, pelo Grupo TSF.
Relativamente à análise isolada das rádios, verifica-se que a RFM (Grupo Renascença) se tem mantido como líder em termos de “share” global, mas com uma diferença cada vez menor para a Rádio Comercial ( Media Capital).
A M80 (Media Capital) é a terceira rádio mais ouvida em Portugal, seguida da Rádio Renascença (4º lugar) e da Antena 1 (RDP).
A Rádio Comercial é líder das 6h às 10h e das 17h às 20h, perdendo, no entanto, para a RFM, no período das 22h-00h.
No que toca à televisão, verifica-se que o mercado português é, extremamente, competitivo nas dinâmicas de abertura e fecho de canais, com as diversas marcas nacionais a optar por diferentes estratégias de expansão e diversificação de conteúdos.
As marcas históricas (RTP, SIC e TVI) expandiram-se muito para lá das suas lógicas generalistas, em estratégias de valorização de património arquivado, no caso da RTP, e de aposta no entretenimento, no caso da SIC e TVI. Existe, contudo, um traço comum: o género informação.
No caso dos canais informativos, assistimos a diversos “rebrandings”, particularmente na RTP: o que inicialmente era a NTV, passa a ser a RTP Informação para depois ser a RTP 3, numa lógica mais simples, que coloca o projecto informativo a par dos seus canais generalistas, em termos de importância simbólica.
O género desporto, apesar de ser rentável em termos de atracção de audiências em todos os canais, foi explorado no nicho “premium” pela Sport TV, desde os primórdios da TV por cabo em Portugal. Essa estratégia permitiu que a marca crescesse de forma contínua até 2010 / 2011, altura em que estabilizou o número de canais disponíveis na “grelha”.
O sub-universo das outras marcas é uma paisagem extremamente diversa que inclui desde projectos clubísticos (Benfica TV e Sporting TV) e não clubísticos (A Bola TV), outras apostas informativas de índole regional, como o Porto Canal e a Localvisão TV e marcas como o Canal Q, em funcionamento desde 2010.
Considerando as marcas estrangeiras, observa-se um crescimento lento desde o período inicial da análise até 2009, e um crescimento abrupto entre 2009 e 2011.
Note-se que este último sub-universo inclui algumas das marcas mais expressivas do Cabo em Portugal em termos de audiências, como o Canal Hollywood, Canal Panda, Discovery Channel, etc.
No entanto, o facto de as marcas nacionais terem mais expressão, faz com que todos os canais compitam, ao mesmo nível, com os novos serviços de visualização, como o Netflix e o Youtube.
Leia o artigo original em "Obercom"
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.