Os fundos de apoio ao jornalismo de investigação estão a ser reduzidos em vários países, uma tendência que tem sido agravada pela pandemia, sendo necessário implementar medidas políticas para inverter o actual panorama, alertou o “Media for Democracy Monitor 2020” (MDM).
No caso português, a generalidade dos meios de comunicação reconhece que a situação económico-financeira “é muito difícil”, ressalvando que os jornalistas têm sido “decisivos na descoberta e denúncia” de alguns casos “de maior impacto público”.
Neste sentido, os canais de televisão têm procurado manter “maior atenção” ao jornalismo de investigação, recorrendo a programas semanais e a reportagens de média duração. “Além disso, a participação de meios portugueses em consórcios internacionais de investigação jornalística tem dado alguns frutos neste domínio”, aponta o estudo.
Da mesma forma, nos Países Baixos e na Bélgica, os projectos jornalísticos de investigação têm sido “possíveis mediante políticas de subsidiação”.
Já na Suécia, alguns órgãos de comunicação privados têm tentado canalizar 10% dos orçamentos editoriais para trabalhos de investigação, enquanto na Dinamarca os “media” “mais importantes a nível nacional” procuram manter equipas dedicadas a reportagens especiais, disponibilizando os recursos adequados.
No Reino Unido, continua a observar-se “alguma dinâmica” na produção destes trabalhos, “embora as pressões financeiras se façam sentir cada vez mais nos meios regionais e locais”. Verifica-se uma situação semelhante na Austrália.
Nos países da América do Sul as dificuldades financeiras levaram à “redução substancial dos orçamentos” e, por isso, os trabalhos de investigação ficaram à responsabilidade de “freelancers”.
Pode , assim, concluir-se que a existência de jornalismo de investigação é proporcional à capacidade financeira dos diferentes “media”. Uma vez que a própria sobrevivência económica de muitas empresas de comunicação se tornou a primeira e mais urgente prioridade, o jornalismo investigativo acaba por ficar condicionado.
O MDM foi desenvolvido durante o primeiro semestre do corrente ano na Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica (Flandres), Canadá, Chile, Coreia do Sul, Dinamarca, Finlândia, Grécia, Hong Kong, Islândia, Itália, Países Baixos, Portugal, Reino Unido, Suécia e Suíça.
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.