O Grupo Discovery, que detém os canais Eurosport, vai proceder a um corte de 10% no número de colaboradores. A medida foi justificada com a diminuição das receitas na transmissão “tradicional” de programas -- ou seja, nos conteúdos que são consumidos em “directo”.
O plano de contenção deverá afectar todo o escritório de Paris, que inclui os canais Eurosport France, Eurosport International e Discovery France.
Entre as equipas afectadas, poderão incluir-se técnicos de vídeo e pessoal envolvido na gestão de antena. Mas, em declarações ao jornal “Le Monde”, um dos colaboradores do Grupo afirmou que ainda não foi revelado “quem está de partida”.
Na opinião daquele profissional, a empresa deveria ter adiado a medida, já que a Eurosport obteve licença para transmitir os Jogos Olímpicos de Tóquio (agendados para Julho de 2021), o que deverá impulsionar as receitas.
Nos últimos meses, o Eurosport-Discovery sofreu várias mudanças na gestão. No início de Setembro, o Grupo anunciou a anexação da filial do Eurosport France a Espanha, e consequentemente, a partida de Laurent Prud'homme, o director da Discovery France.
Esta não é a primeira vez que o Grupo audiovisual implementa um plano de contenção de custos em França. No final de 2018, a Eurosport assinou um " acordo colectivo" com os sindicatos, para cortar 26 postos de trabalho, entre os quais 12 jornalistas.
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
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