Quarta-feira, 2 de Dezembro, 2020
Prémio

Para o Cardeal José Tolentino Mendonça, prémio Europeu Helena Vaz da Silva, "os livros fizeram a Europa"

A Fundação Calouste Gulbenkian voltou a acolher a cerimónia de entrega doPrémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído, este ano, ao Cardeal José Tolentino Mendonça. 

A cerimónia foi, pela primeira vez, transmitida em “lifestream”.

Este prémio europeu, instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI)  recorda a jornalista, escritora, activista cultural e política portuguesa, Helena Vaz da Silva, bem como a sua contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

É atribuído, anualmente, a um cidadão europeu, cuja acção se destaca pela salvaguarda do património cultural, entendido no seu sentido mais amplo.

Tolentino de Mendonça é escritor, poeta, dramaturgo e professor tendo, ainda, a seu cargo,  a Biblioteca e Arquivo Apostólicos da Santa Sé.

Reconhecido pela sua “capacidade de divulgar a Beleza e a Poesia como parte do património cultural intangível da Europa e do Mundo”, José Tolentino Mendonça agradeceu o prémio, afirmando ser “uma obra dos outros”. 

Na sua intervenção, Tolentino Mendonça referiu que “os livros fizeram a Europa, construíram e constroem a humanidade”, e que “quer como artefactos, quer como transmissores de uma conceptualidade moral da vida, (...) deixaram de representar (...) o principal foco de energia na nossa civilização”.

“Protejamos o património cultural que os livros representam. Eles são mapas para decifrar de onde viemos, mas são também telescópios e sondas apontadas ao futuro”, referiu.

O cardeal ressalvou, também, que “o facto de este prémio ter o nome de Helena Vaz da Silva, constitui”, para si, “um motivo de alegria e, certamente, uma responsabilidade acrescida”.


Reveja aqui a cerimónia

Na atribuição do prémio, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que participou através de uma mensagem de vídeo, reiterou que “o que mais impressiona em Tolentino Mendonça é a conjugação das facetas no homem de fé, do homem de cultura, e do homem de moralidade humana”. 


“É alguém que faz com que a cultura transponha fronteiras e universos e inspire quem o ouve e lê, independentemente do grau de instrução que possui ou das convicções que defende”.


Isabel Mota, anfitriã da cerimónia, na qualidade de presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, descreveu, por sua vez, José Tolentino Mendonça como um “poeta consagrado, um homem de cultura, que tem sabido conjugar o percurso académico e intelectual de excelência, com um lado mais comunitário, mais virado para a cidadania”. 


“ A sua nomeação para a direcção para a Biblioteca e Arquivo do Vaticano -- continuou -- constitui um reconhecimento das suas faculdades que, em boa hora, foram colocadas ao serviço de um dos mais importantes acervos patrimoniais do Mundo”.


Já Maria Calado, presidente do Centro Nacional de Cultura, e presidente do Júri do Prémio, referiu  o laureado como um “cidadão com um perfil muito especial, autor de uma obra cultural e cívica ímpar, que congregou a unanimidade de decisão do júri”.


Na sua intervenção, o presidente do Clube Português de Imprensa, Dinis de Abreu, salientou o trabalho de D. José Tolentino, “no jornal onde publica crónicas de uma repassada interioridade, ou em formato de livro, quando liberta o poeta e ensaísta que nele coabitam com a fé”, como um “singular despojamento que nos toca pela sua humanidade, um roteiro de palavras semeando o futuro”.  (ler texto noutro local)


A ministra da Cultura, Graça Fonseca, esteve, também, presente, citando o cardeal como um “herdeiro consciente e assumido das tradições culturais e das disciplinas artísticas que configuram a cultura europeia”, que exerce um “ofício cantante”.


A secretária-geral da Europa Nostra, Sneška Quaedvlieg-Mihailovi? participou na cerimónia via “zoom”, para “celebrar um grande homem de cultura e espírito humano e um grande europeu de Portugal”. 


“O trabalho de José Tolentino Mendonça relembra-nos que, para sermos mais pacíficos, humanos, inclusivos e justos, a nossa sociedade tem que dar mais importância à poesia, aos valores, à palavra escrita”.


O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ausente da cerimónia, por incompatibilidade de agenda, enviou uma mensagem de vídeo, na qual apontou José Tolentino Mendonça como “património cultural imaterial português”.


O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva conta, também, com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.


Connosco
Crescimento das assinaturas digitais não compensa as perdas na circulação impressa Ver galeria

A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.

Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.

Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.

Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.

Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.

No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.

Movimento de jornalistas franceses contra nova Lei de Segurança Ver galeria

Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.

Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.

Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.

Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.

Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.

A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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