A Russia Today France -- versão francesa de um canal televisivo russo-- está a atravessar um período turbulento, agora que aguarda a renovação da licença de emissão, que deverá ser atribuída pelo CSA (Conseil supérieur de l'audiovisuel ), até ao final do ano.
Durante o período de espera, o operador dispensou a maioria dos seus repórteres de imagem, revelou o jornal “Le Monde”.
Todos os colaboradores da RT France estão obrigados, contratualmente, a cumprir a “lei do silêncio”. Contudo a 23 de Setembro, um fotojornalista, Nicolas Winckler, partilhou alguns pormenores sobre as operações no interior da redacção, através das redes sociais.
Isto porque, nesse dia, seis repórteres de imagem foram informados de que o seu contrato não seria renovado.
Os profissionais em causa foram contratados pelo ex-director de informação, David Bobin, que abandonou o canal em meados de Agosto.
Serão, agora, substituídos por técnicos de imagem, sem formação em jornalismo.
De acordo com alguns colaboradores, esta acção constitui, assim, um esforço para eliminar qualquer vestígio do antigo responsável, cuja linha editorial não ia ao encontro dos interesses “anti-franceses” do Kremlin.
A RT France começou as suas emissões em Dezembro de 2017. À data, a presidente do canal, Xenia Fedorova, anunciou que o objectivo era criar um “media”, sem orientação política, em língua francesa.
Contudo, a perspectiva dos franceses é diferente. De acordo com a opinião pública, o canal é “a voz do Kremlin" e carece de objectividade.
A direcção da RT France considera, por seu lado, que o operador é alvo de discriminação, o que viola o direito à liberdade de imprensa.
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
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