null, 24 de Janeiro, 2021
Opinião

Em casa de ferreiro, espeto de pau?

por Manuel Falcão

No final de 2016 a Newspaper Association Of America, que representava cerca de 2000 publicações nos Estados Unidos e no Canadá, anunciou a sua transformação em News Media Alliance, reflectindo a evolução do sector e passando a incorporar as diversas plataformas em que os grupos produtores de informação qualificada se desdobraram ao longo dos últimos anos, coexistindo o papel com os formatos digitais, mas também video, streaming, etc. 

Esta evolução organizativa tem permitido duas coisas: reflectir melhor as necessidades das empresas de mídia que vivem em diversas plataformas e, ao mesmo tempo, aumentar a sua capacidade negocial, nomeadamente com o duopólio Google-Facebook, e, também, melhorar a sua própria oferta comercial, adequando-a aos novos tempos e à alteração de hábitos dos consumidores. 

No fundo trata-se de espelhar a evolução para formatos on line, nomeadamente, os que são consumidos em dispositivos móveis. A News Media Alliance publica estudos, promove conferências e debates e sobretudo tem um papel activo no acompanhamento da evolução tecnológica, ajudando os seus mais de 2000 membros a permanecerem a par das tendências e inovações. 


Já não faz sentido vender só uma página de jornal ou revista quando a empresa tem um site, uma aplicação e eventualmente um canal audio ou video. Todos os suportes contribuem para aumentar o alcance e cobertura de um determinado título e faz cada vez mais sentido vender a sua capacidade de comunicação em bloco, com uma proposta que seja atraente para os anunciantes. 

“A indústria de notícias e de mídia tem razões para estar optimista, todos os indicadores apontam para o facto de haver cada vez mais pessoas a querer notícias e informação” – afirmou o presidente da News Media Alliance, David Chavern, salientando : ”Devemos estar focados nas novas formas de contactar e alcançar as necessidades das audiências e dos anunciantes e sublinhar que a publicidade em sites de notícias  e nas publicações em papel continua a ser uma das formas mais eficazes para as marcas alcançarem os seus alvos e é importante que os anúncios sejam cada vez mais adaptados transversalmente a todas as plataformas, tornando-os menos intrusivos e conseguindo aumentar o envolvimento com os consumidores”.
 

Como sublinha a News Media Alliance todas as indústrias defrontam-se periodicamente com alterações tecnológicas e disrupções nos seus mercados e o desafio é que as organizações que produzem conteúdos noticiosos de qualidade possam sair mais fortes destes novos tempos. 

Para o conseguir é cada vez mais importante conhecer bem as audiências, fazer estudos que permitam perceber o que as pessoas querem ler, quais os vazios de informação que existem á espera de serem preenchidos e, claro, aproveitar todos os recursos para tornar a proposta informativa de cada organização mais conhecida e atraente, captando novos utilizadores.  

Costuma dizer-se que “em casa de ferreiro, espeto de pau” – e muitos grupos de comunicação vivem nesse paradoxo, não encarando as suas marcas como produtos que o público precisa de conhecer e que devem corresponder aos seus anseios.

Longe vai o tempo em que bastava que os ardinas gritassem as manchetes. Agora cada meio tem que conquistar leitores mostrando o factor de diferença que pode oferecer. Quando toda a gente puxa a mesma notícia para manchete perde-se posicionamento. E isso é o pior que pode acontecer, seja no papel ou no digital. 


Connosco
Directores dos principais "media" insurgem-se contra vigilância do Ministério Público a jornalistas Ver galeria

Os directores de informação de todos os principais “media” nacionais subscreveram um documento conjunto, em que criticaram a vigilância policial exercida sobre jornalistas.

Num documento onde se invocaram os artigos da Constituição que protegem a Liberdade de Imprensa, assim como as leis que a tutelam e o Estatuto do Jornalista, os responsáveis editoriais insurgiram-se contra o comportamento de magistrados do Ministério Público, que não passou pelo crivo de qualquer magistrado judicial.
O documento foi enviado ao Presidente da República, presidente da Assembleia da República, assim como aos presidentes da 1ª Comissão da AR e aos diferentes Grupos Parlamentares, presidentes do Tribunal Constitucional, Supremo Tribunal de Justiça e Conselho Superior da Magistratura, além da Procuradora-Geral da República, Provedora de Justiça e Bastonário da Ordem dos Advogados.

O texto integral subscrito pelos directores de informação é do seguinte teor:


Kamala Harris foi a “estrela” dos “media” nos EUA Ver galeria

O dia da tomada de posse é considerado um dos maiores eventos mediáticos nos Estados Unidos. Por esta ocasião, correspondentes de todos os cantos do país viajam para Washington D. C para captarem a primeira fotografia oficial no novo Presidente e relatarem os passos da cerimónia.

O Instituto Poynter ressalvou, contudo, que, este ano, alguns “media” norte-americanos desviaram as atenções de Joe Biden para se focarem na primeira mulher a ocupar o cargo de vice-presidente: Kamala Harris.

Assim, muitos jornais regionais quiseram certificar-se de que tanto Biden, como Harris, tinham fotografias na primeira página.

O jornal local “San Francisco Chronicle”, por exemplo, deu destaque a Harris e ao segundo cavalheiro, Douglas Emhoff, ao colocar uma foto de ambos no topo da capa.

O mesmo aconteceu com os jornais do Grupo Hearst, no Estado do Connecticut.

De acordo com Wendy Metcalfe, responsável pela empresa de “media”, esta escolha foi feita para reflectir “o sentimento da comunidade”.

O “Tampa Bay Times”, por sua vez, dedicou toda a primeira página à presidência Biden/Harris.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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Investigação e Escrita de Não-ficção
11:00 @ Cenjor -- Sessões síncronas "online"
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Fev
Iniciação à Fotografia
10:00 @ Cenjor
23
Fev
Westminster Forum Projects: O futuro da BBC
10:00 @ Conferência "online"
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Set
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09:00 @ Taipei, Taiwan