Quinta-feira, 22 de Outubro, 2020
Opinião

Em casa de ferreiro, espeto de pau?

por Manuel Falcão

No final de 2016 a Newspaper Association Of America, que representava cerca de 2000 publicações nos Estados Unidos e no Canadá, anunciou a sua transformação em News Media Alliance, reflectindo a evolução do sector e passando a incorporar as diversas plataformas em que os grupos produtores de informação qualificada se desdobraram ao longo dos últimos anos, coexistindo o papel com os formatos digitais, mas também video, streaming, etc. 

Esta evolução organizativa tem permitido duas coisas: reflectir melhor as necessidades das empresas de mídia que vivem em diversas plataformas e, ao mesmo tempo, aumentar a sua capacidade negocial, nomeadamente com o duopólio Google-Facebook, e, também, melhorar a sua própria oferta comercial, adequando-a aos novos tempos e à alteração de hábitos dos consumidores. 

No fundo trata-se de espelhar a evolução para formatos on line, nomeadamente, os que são consumidos em dispositivos móveis. A News Media Alliance publica estudos, promove conferências e debates e sobretudo tem um papel activo no acompanhamento da evolução tecnológica, ajudando os seus mais de 2000 membros a permanecerem a par das tendências e inovações. 


Já não faz sentido vender só uma página de jornal ou revista quando a empresa tem um site, uma aplicação e eventualmente um canal audio ou video. Todos os suportes contribuem para aumentar o alcance e cobertura de um determinado título e faz cada vez mais sentido vender a sua capacidade de comunicação em bloco, com uma proposta que seja atraente para os anunciantes. 

“A indústria de notícias e de mídia tem razões para estar optimista, todos os indicadores apontam para o facto de haver cada vez mais pessoas a querer notícias e informação” – afirmou o presidente da News Media Alliance, David Chavern, salientando : ”Devemos estar focados nas novas formas de contactar e alcançar as necessidades das audiências e dos anunciantes e sublinhar que a publicidade em sites de notícias  e nas publicações em papel continua a ser uma das formas mais eficazes para as marcas alcançarem os seus alvos e é importante que os anúncios sejam cada vez mais adaptados transversalmente a todas as plataformas, tornando-os menos intrusivos e conseguindo aumentar o envolvimento com os consumidores”.
 

Como sublinha a News Media Alliance todas as indústrias defrontam-se periodicamente com alterações tecnológicas e disrupções nos seus mercados e o desafio é que as organizações que produzem conteúdos noticiosos de qualidade possam sair mais fortes destes novos tempos. 

Para o conseguir é cada vez mais importante conhecer bem as audiências, fazer estudos que permitam perceber o que as pessoas querem ler, quais os vazios de informação que existem á espera de serem preenchidos e, claro, aproveitar todos os recursos para tornar a proposta informativa de cada organização mais conhecida e atraente, captando novos utilizadores.  

Costuma dizer-se que “em casa de ferreiro, espeto de pau” – e muitos grupos de comunicação vivem nesse paradoxo, não encarando as suas marcas como produtos que o público precisa de conhecer e que devem corresponder aos seus anseios.

Longe vai o tempo em que bastava que os ardinas gritassem as manchetes. Agora cada meio tem que conquistar leitores mostrando o factor de diferença que pode oferecer. Quando toda a gente puxa a mesma notícia para manchete perde-se posicionamento. E isso é o pior que pode acontecer, seja no papel ou no digital. 


Connosco
Tolentino Mendonça receberá prémio Helena Vaz da Silva em cerimónia na Gulbenkian Ver galeria

No próximo dia 23 de Outubro, pelas 18 horas, a Fundação Gulbenkian acolhe, novamente, a cerimónia de entrega do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, que destaca, este ano, o trabalho desenvolvido pelo Cardeal José Tolentino Mendonça.

No programa do evento consta, além da cerimónia de abertura, a entrega do prémio, e uma mensagem do Presidente da República e encerrar.

A entrega de prémios poderá ser acompanhada “online”, em “lifestream”, através do “sites” CNC -- Centro Nacional de Cultura, e do CPI -- Clube Português de Imprensa.

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a Europa Nostra --  a principal organização europeia de defesa do património, representada, em Portugal, pelo CNC -- e com o Clube Português de Imprensa.

Recorde-se que, o Cardeal José Tolentino Mendonça, como foi referido neste “site”, venceu a edição de 2020, em função do seu contributo “excepcional” enquanto divulgador da cultura e dos valores europeus.

Ao reagir à notícia de que tinha sido o galardoado, Tolentino Mendonça manifestou-se “muito honrado por esta atribuição” que, acredita, “será vivida com alegria pela Biblioteca e o Arquivo Apostólicos do Vaticano”, onde, presentemente, trabalha.

Tolentino Mendonça lembrou, ainda, a importância do património cultural, que considera ser “um motor indiscutível do presente e só com ele podemos pensar que há futuro”.

Assista aqui à emissão em directo


Estratégias de "fact-checking" para contrariar desinformação Ver galeria

A desinformação tem vindo a monopolizar as redes sociais, através de estratégias de manipulação, que condicionam os comportamentos, e o voto, dos cidadãos. Este fenómeno tornou-se, assim, uma das maiores preocupações para os jornalistas, os activistas sociais e, acima de tudo, para a democracia. 

Confrontadas com este quadro, diversas organizações têm vindo a desenvolver estratégias de “fact-checking” e a reunir informações sobre os objectivos das “fake news”. 

Uma das mais recentes iniciativas de combate à desinformação no “ciberespaço” foi lançada pelo equipa de mudanças tecnológicas da Universidade de Harvard, que tratou de reunir estudos sobre a origem destes artigos.

Através dessa análise, os especialistas conseguiram distinguir cinco fases na “vida” de uma notícia falsa, que publicaram no “site” “NiemanReports”.

De acordo com os peritos, o primeiro estágio de um artigo de desinformação é o planeamento da campanha. Isto significa que os responsáveis pelas “fake news” começam por estudar os comportamentos do seu público-alvo e tentam discernir qual a melhor forma de lhes fazer chegar informação.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Agenda
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo
26
Out
Criação de "Podcasts"
09:00 @ Cenjor
28
Out
Soluções de "storytelling" para um jornalismo melhor
13:00 @ Sessões "online" Reuters Institute
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena
11
Nov
O valor e o futuro dos "media" públicos
13:00 @ Sessões "online" Reuters Institute