Quinta-feira, 22 de Outubro, 2020
Opinião

Uma decisão polémica da BBC

por Dinis de Abreu

O acesso dos jornalistas da BBC às redes sociais pode vir a ser condicionado, segundo revelou o novo director geral do operador público inglês, Tim Davie. A decisão é polémica, mas haja quem lhe atire “a primeira pedra” ao argumentar , numa comissão parlamentar especializada, onde foi ouvido, que "se alguém é o rosto da BBC e entra em política partidária, não me parece que seja o lugar certo para estar, e eu tenho sido muito claro sobre isso".

A BBC ganhou e consolidou o seu prestigio informativo por ser imparcial, mesmo em situações políticas delicadas, tanto no plano interno como no internacional, e tornou-se uma referência para o jornalismo, que se quer rigoroso e independente. 

É difícil discordar de Tim Davie quando este advoga a imparcialidade em vez do “interesse particular”. 

Infelizmente, na BBC como um pouco por toda a parte, Portugal incluído, os media passaram a servir interesses de capela e a serem veículos de opções ideológicas, ou de modas de ocasião, bem tipificadas. 

Ora, uma coisa é o jornalista assinar uma coluna de opinião, onde defende um determinado ponto de vista, outra, bem diferente, é o jornalista recorrer a redes sociais, designadamente, ao Twitter, para tentar influenciar a opinião pública num determinado sentido, prevalecendo-se para esse efeito do seu estatuto profissional. E isto é tão válido para a BBC como para outro qualquer jornal ou media.

Ao fazê-lo está, objectivamente, a sacrificar princípios éticos e a desviar-se de obrigações implícitas de isenção profissional.


Ao preparar normas internas restritivas para o uso das redes sociais pelos seus jornalistas, a BBC poderá ser suspeita de coartar a liberdade desses profissionais. Mas é tempo de reconhecer que um jornalista – como um governante, ou um magistrado, por exemplo – têm deveres para com a comunidade, que não podem confundir-se com a militância partidária ou associativa enquanto cidadãos. 

O contrário será alimentar a desconfiança e agravar a falta de credibilidade que já afectam uns e outros. 

Talvez a iniciativa da BBC possa constituir um oportuno tema de reflexão, para travar a escalada de um jornalismo comprometido com causas, algumas respeitáveis, mas outras simplesmente  instrumentais e que estão desfigurar a realidade da cidadania.


Connosco
Tolentino Mendonça receberá prémio Helena Vaz da Silva em cerimónia na Gulbenkian Ver galeria

No próximo dia 23 de Outubro, pelas 18 horas, a Fundação Gulbenkian acolhe, novamente, a cerimónia de entrega do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, que destaca, este ano, o trabalho desenvolvido pelo Cardeal José Tolentino Mendonça.

No programa do evento consta, além da cerimónia de abertura, a entrega do prémio, e uma mensagem do Presidente da República e encerrar.

A entrega de prémios poderá ser acompanhada “online”, em “lifestream”, através do “sites” CNC -- Centro Nacional de Cultura, e do CPI -- Clube Português de Imprensa.

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a Europa Nostra --  a principal organização europeia de defesa do património, representada, em Portugal, pelo CNC -- e com o Clube Português de Imprensa.

Recorde-se que, o Cardeal José Tolentino Mendonça, como foi referido neste “site”, venceu a edição de 2020, em função do seu contributo “excepcional” enquanto divulgador da cultura e dos valores europeus.

Ao reagir à notícia de que tinha sido o galardoado, Tolentino Mendonça manifestou-se “muito honrado por esta atribuição” que, acredita, “será vivida com alegria pela Biblioteca e o Arquivo Apostólicos do Vaticano”, onde, presentemente, trabalha.

Tolentino Mendonça lembrou, ainda, a importância do património cultural, que considera ser “um motor indiscutível do presente e só com ele podemos pensar que há futuro”.

Assista aqui à emissão em directo


Estratégias de "fact-checking" para contrariar desinformação Ver galeria

A desinformação tem vindo a monopolizar as redes sociais, através de estratégias de manipulação, que condicionam os comportamentos, e o voto, dos cidadãos. Este fenómeno tornou-se, assim, uma das maiores preocupações para os jornalistas, os activistas sociais e, acima de tudo, para a democracia. 

Confrontadas com este quadro, diversas organizações têm vindo a desenvolver estratégias de “fact-checking” e a reunir informações sobre os objectivos das “fake news”. 

Uma das mais recentes iniciativas de combate à desinformação no “ciberespaço” foi lançada pelo equipa de mudanças tecnológicas da Universidade de Harvard, que tratou de reunir estudos sobre a origem destes artigos.

Através dessa análise, os especialistas conseguiram distinguir cinco fases na “vida” de uma notícia falsa, que publicaram no “site” “NiemanReports”.

De acordo com os peritos, o primeiro estágio de um artigo de desinformação é o planeamento da campanha. Isto significa que os responsáveis pelas “fake news” começam por estudar os comportamentos do seu público-alvo e tentam discernir qual a melhor forma de lhes fazer chegar informação.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Agenda
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo
26
Out
Criação de "Podcasts"
09:00 @ Cenjor
28
Out
Soluções de "storytelling" para um jornalismo melhor
13:00 @ Sessões "online" Reuters Institute
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena
11
Nov
O valor e o futuro dos "media" públicos
13:00 @ Sessões "online" Reuters Institute