Sexta-feira, 25 de Setembro, 2020
Media

Jornal militar dos EUA perde financiamento federal e extingue-se

O Pentágono norte-americano ordenou o encerramento do jornal militar independente “Stars and Stripes”, em circulação há 159 anos.

De acordo com uma nota do coronel Paul R. Haverstick Jr., director da Actividades dos “Media” Militares, o plano de dissolução, previsto até 15 de Setembro, deverá incluir uma "linha temporal específica para a desocupação de espaço público e a última publicação de jornal (em todas as formas) será a 30 de Setembro de 2020".

A decisão foi tomada em Fevereiro, quando o Pentágono propôs cortar todo o financiamento do jornal - cerca de 15,5 milhões de dólares anuais - para reafectar esses dinheiro a outros programas de grande visibilidade, tais como sistemas espaciais, nucleares e hipersónicos.

O jornal, que é distribuído às tropas norte-americanas estacionadas em bases militares em todo o mundo, preservava a independência editorial, apesar de receber financiamento federal. Cerca de 8,7 milhões de dólares do subsídio provinham de financiamento de operações e manutenção (O&M), e cerca de 6,9 milhões de dólares do fundo de operações de contingência. 

A publicidade, as subscrições e as vendas perfaziam o restante orçamento.


A decisão foi mal-recebida entre alguns círculos políticos e militares, que consideram o jornal uma das únicas maneiras de dar voz e alento às tropas norte-americanas.


A Senadora Dianne Feinstein considerou, nas redes sociais, que o jornal constitui “uma parte essencial” da imprensa independente norte-americana, ao servir “a população que defende as nossas liberdades [dos cidadãos dos EUA]”. Feinstein assinou, inclusivamente, uma carta aberta dirigida ao Pentágono, na qual, juntamente com outros Senadores, apelou à manutenção do financiamento.


Connosco
Campanha de emergência para os "media" desencadeada em Espanha Ver galeria

A Federação de Associações de Jornalistas de Espanha (FAPE) -- integrada pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria --  juntou-se à Federação Internacional de Jornalistas (IFJ), e à UNI Global Union para lançar uma campanha de emergência para os “media”. 

Face à grave crise económica, espoletada pela pandemia, os sindicatos exigem que os governos nacionais intervenham nos “media”, garantindo a qualidade, a ética, a solidariedade, os direitos laborais e as liberdades fundamentais.

Além disso, as associações querem pressionar os governos a introduzir um imposto sobre os serviços digitais , que têm monopolizado as receitas da publicidade nos meios de comunicação.

"A actual crise global de saúde está a agravar as dificuldades enfrentadas pelo sector da imprensa escrita", advertiu Anthony Bellanger, secretário-geral do IFJ. "Os governos devem reagir com urgência. Os ‘media’ são um bem público e um pilar fundamental das nossas democracias”.


A televisão tem passado e futuro democrático Ver galeria

A evolução da tecnologia veio, ao longo dos tempos, servir os “media”, oferecendo-lhes novos mecanismos para transmitir a informação e de alargar as audiências

A televisão, que celebra agora 70 anos no Brasil, é considerada uma das mais importantes “máquinas” dessa mesma evolução, já que se impôs no “modus vivendi” da Humanidade, moldando os seus hábitos e gostos.

Mas, mais do que isso -- recordou Alexander Goulart num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- a televisão, que nasceu como simples aparato tecnológico para transmissão de imagens, foi recebendo outros atributos, especialmente de cunho social, político, económico e cultural.

No Brasil, a TV nasceu sob a marca do entretenimento. Em poucos anos, ganhou fama e difundiu-se largamente. “Como uma espécie de hipnose massificante, na visão de muitos críticos, tomou conta das classes e o Brasil real passou a ser representado na tela. Nos anos 60, 70 e 80, a TV  tornou-se o principal “media” brasileiro, agente da unificação e geradora de uma identidade nacional”, recordou o autor.

“O sistema ‘broadcasting’ -- acrescentou, ainda, Goulart --  formando as redes, sobrepôs o nacional ao regional e o Brasil real passou a ser aquele que é reproduzido a partir de um determinado ponto de vista, que informava e entretinha a maioria da população”.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Agenda
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo