A pandemia veio alterar o dia-a-dia da sociedade, estando, não só, na origem de uma crise sanitária, económica e social, mas, igualmente, de uma crise cultural, defendeu o jornalista Arsenio Escolar num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Ora, de acordo com o autor, à semelhança de outras crises profundas, esta fez-se acompanhar do seu próprio léxico, que tem vindo a ser difundido pelos “media” e a incorporar-se, progressivamente, em todos os idiomas.
Novas palavras foram adoptadas, assimiladas e amplificadas pelos meios de comunicação social, até se tornarem termos populares, de uso generalizado. E, da mesma forma, alguns recursos expressivos voltaram a reforçar a sua eficácia, como é o caso do eufemismo, da metáfora, do oxímoro e do paradoxo.
Além disso, algumas palavras foram “ressuscitadas”, como é o caso de “confinamento”.
O confinamento, precisamente, deu origem a algumas “neo-palavras”, que acabaram por ser difundidas e amplificadas nos “media”.
E, como não há crise ou grande acontecimento sem estrangeirismos, o autor destaca uma expressão que “veio para ficar”: o “distanciamento social”, ou “social distancing”, em inglês.
Contudo, são mesmo os recursos linguísticos que recebem a “medalha de honra”, já que foram utilizados, vezes sem conta, por autoridades de saúde e figuras políticas, em declarações à imprensa.
O eufemismo, por exemplo, tem sido sempre um dos principais recursos da comunicação política.
Por outro lado, a metáfora mais utilizada pelos líderes políticos durante a pandemia, refere-se à luta contra o coronavírus como uma “guerra”.
Para oxímoros, nenhum é tão representativo desta crise como a “nova normalidade”.
E entre os paradoxos, “nada é tão significativo e emblemático como um positivo num teste ser a coisa mais negativa que pode acontecer, e um negativo ser o melhor, um grande alívio, pura felicidade”.
Leia o artigo original em “Cuadernos de Periodistas”
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
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O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
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