Quarta-feira, 28 de Outubro, 2020
Media

A missão dos jornalistas é "controlar" o Estado para evitar a tirania em tempo de crise

As catástrofes sociais, paradoxalmente, podem ser benéficas para os jornalistas e para as empresas mediáticas, já que reforçam a importância de um serviço noticioso de qualidade para a segurança dos cidadãos, bem como  para o escrutínio do poder, defendeu José António Zarzalejos num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, perante uma situação catastrófica, os jornalistas anulam os discursos “anti media”, que visam descredibilizar o papel da imprensa, rotulando-a como difusora de “fake news”.

Ora, se a missão dos “media” fosse, de facto, enganar a sociedade, os jornalistas não teriam contribuído para a segurança dos cidadãos durante a pandemia, mas, sim, para o reforço de “teorias da conspiração” e outras formas de desinformação.

Sem os jornalistas, como agentes determinantes no espaço público -- defendeu o autor -- a pandemia teria sido completamente desregulada e ter-se-ia tornado uma praga incontrolável. 



“Tornámo-nos mais uma vez intermediários, veículos, transmissores, estabelecendo uma ligação constante entre o evento e o cidadão; transmitimos as mensagens; Tivemos de denunciar as tentativas de censura prévia e enfrentar as acusações mais graves e furiosas de deslealdade, quando denunciamos medidas ineficientes ou inadequadas”.


Segundo Zarzalejos esta é, precisamente, a missão dos jornalistas: controlar o Estado, porque , “se não for constantemente controlado, o Governo tende sempre para a tirania, e a sua forma democrática não tem varinha mágica para o tornar diferente. Uma imprensa independente é a forma mais poderosa de controlo, sustentando um eleitorado crítico - porque é informado - ao promover a transparência”, reiterou, citando o Duque de Wellington.


“A nossa missão é, precisamente, fazer melhor o nosso trabalho, quando as dificuldades de execução são maiores, quando a pressão para nos resignarmos é mais assustadora, quando a raiva do poder se descontrola e nos ameaça, quando querem dominar a verdade (...)”


“Isto é jornalismo em tempos de catástrofe, o mais valioso, o mais autêntico.”


Leia o artigo original em Cuadernos de Periodistas”

Connosco
A cobertura noticiosa nas eleições americanas vistas em países com censura Ver galeria

As campanhas eleitorais norte-americanas têm sido acompanhada um pouco por todo o mundo, já que os cidadãos estão interessados em conhecer as possíveis consequências destas eleições presidenciais.

Perante este quadro, o “Nieman Lab” tentou descobrir quais são as premissas que dominam os “media” mundiais, de forma a apurarem qual o discernimento dos cidadãos, perante os candidatos democrata e republicano.

Após um mês de análise, com recurso a inteligência artificial, o “Nieman Lab” concluiu que a cobertura noticiosa das eleições tem sido, particularmente, intensa no Irão, na Rússia e na China, onde os “media” criticam as acções de Donald Trump.

Os principais temas abordados, pela comunicação social destes países, são os debates presidenciais, a gestão do novo coronavírus e as  políticas de imigração.

Depois do primeiro debate presidencial, a imprensa chinesa questionou a utilidade deste evento para o eleitorado, e criticou a conduta do actual Presidente.

Jornal britânico quer provar que imprensa não tem os dias contados... Ver galeria

Dez anos após o lançamento do jornal britânico “i”, o editor-executivo Oliver Duff diz ter provas suficientes para afirmar que o “formato impresso” vai “prosperar durante muito mais tempo do que a maioria dos especialistas defende”.

Em declarações à “Press Gazette”, Duff afirmou que os jornais impressos têm-se mostrado “resilientes” e inovadores”. 

Além disso, aquele responsável considera que os leitores valorizam este formato por ser “táctil”, ter “curadoria”, e conter muitos “elementos surpresa”, que contribuem para a formação de uma comunidade de cidadãos com valores semelhantes.

Segundo recordou Duff, nos primeiros meses de circulação, o “i” não foi bem recebido pela maioria dos críticos dos “media”, mas conquistou uma base de leitores fiéis, que foram dando “feedback” sobre aquilo que pretendiam consumir.

O “i” tornou-se assim um jornal reconhecido pela sua objectividade factual e isenção política. 

De forma a conquistarem o interesse dos leitores, os colaboradores fazem análises profundas de situações disruptivas e tentam criticar, apenas, “aquilo que tem de ser criticado”.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Opinião
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Agenda
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena
11
Nov
O valor e o futuro dos "media" públicos
13:00 @ Sessões "online" Reuters Institute
24
Nov
Congresso de Jornalismo para Dispositivos Móveis
10:00 @ Universidade da Beira Interior