Sábado, 16 de Janeiro, 2021
Media

O "NYT" mudou e tornou-se capaz de gerar novos modelos de receita

A empresária Meredith Levien assumiu, recentemente, funções enquanto CEO do “New York Times”, tornando-se gestora de uma das mais proeminentes empresas de “media” do mundo, numa altura, particularmente, controversa.

Segundo recordou Joshua Benton, numa carta aberta publicada no “Nieman Lab”, o jornal tornou-se autossuficiente, com mais de 5 milhões de assinantes. Além disso, o valor das acções atingiu um recorde histórico, colocando o “New York Times” no mesmo patamar que algumas empresas do Silicon Valley. 

Assim, Benton considera que Levien tem mais do que margem de manobra, com a possibilidade de mudar a estrutura do jornal e implementar novos modelos de receita.

Mas, mais do que isso, Benton reitera que a nova gestora tem a capacidade de salvar a imprensa regional norte-americana, que se tem vindo a deteriorar nas últimas décadas.

“A estabilidade do ‘NYT’ não é partilhada por nenhum jornal local. Mesmo aqueles que implementaram modelos de subscrição, sofreram com o declínio das receitas publicitárias”, notou Benton. Além disso “ os jornais independentes não dispõem dos recursos para construir uma infra-estrutura digital, analisar o comportamento do público, ou optimizar a estratégia de assinatura”.


“Não quero insinuar que o sucesso do ‘NYT’ estará, para sempre, garantido, que se poderia simplesmente ligar o piloto automático e continuar a receber algumas centenas de milhares de novas subscrições a cada trimestre. Porém, a crise empresarial do jornal acabou. Para quase todos os jornais locais, essa é, ainda, uma preocupação”.


Perante este quadro, Benton sugeriu que o “NYT” passasse a colaborar com redacções locais, através da partilha de informação e de inventários de anunciantes.


Além disso, o autor propôs a criação de uma parceria de subscrição partilhada.


Ou seja, os leitores pagariam uma tarifa reduzida, na assinatura do “New York Times” e do título da sua comunidade.


“É cada vez mais claro que a maioria das pessoas, se estiverem dispostas a pagar por notícias digitais, só querem pagar por uma assinatura. Isso tem sido óptimo para o ‘NYT’ (...) Mas será possível encontrar uma forma de partilhar um pouco desse montante com aqueles que relatam notícias locais?”


“Eu sei que há objecções razoáveis a todas estas ideias. A história das colaborações entre editores não é a mais forte; as empresas mediáticas gostam de discutir entre si, e muitas parcerias foram reduzidas a projectos paralelos. Os desafios tecnológicos são assustadores; ligar sistemas de dados construídos em dezenas de plataformas diferentes é uma dor gigantesca (...) Mas, mesmo assim, no dia em que deixar o “NYT”,  os “media”  tentarão resumir o que realizou, numa das funções mais importantes do mundo do jornalismo. Não seria óptimo se pudéssemos dizer que ajudou a salvar notícias locais de alta qualidade na América?”


Leia o artigo original em Nieman Lab”

 

 
Connosco
Os dilemas e os desafios que se colocam ao jornalismo migratório Ver galeria

No Brasil, a maioria dos jornalistas que escreve sobre emigração foca-se, somente, nos aspectos positivos da mudança, omitindo as verdadeiras dificuldades de um expatriado, considerou Liliana Tinoco Backert num texto publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com a autora, este tipo de artigos passam a mensagem de que basta dominar uma língua estrangeira para se ser bem sucedido lá fora. Contudo, defende Tinoco Backert, a realidade nem sempre é essa.

Quando os jornalistas oferecem destaque a empresários de sucesso, esquecem-se, muitas vezes, das possíveis adversidades enfrentadas pela família desse mesmo profissional, que deixaram as suas rotinas para o acompanhar.

Da mesma forma, o jornalismo de migração brasileiro omite os choques interculturais, as dificuldades de adaptação e a possível exclusão social.

Perante este cenário, a autora incentiva os profissionais dos “media” a criarem projectos focados nestes temas, para informarem, eficazmente, os leitores que estão a ponderar mudar de país.

Aliás, Tinoco Backart -- que chegou a viver na Suíça -- começou a redigir, em 2016, a sua própria coluna sobre movimentos migratórios, que é publicada no portal Swissinfo.ch.

Onde se preconiza a responsabilização das redes sociais Ver galeria

As redes sociais poderão estar a assumir a responsabilidade pela partilha compulsiva de informações falsas e de opiniões que são tomadas como factos, considerou o jornalista Lucas Souza Doutra num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

O autor começa por recordar que o Novo Ano foi marcado por uma polémica na plataforma Twitter, que baniu a conta de Donald Trump. Esta medida foi justificada com os riscos de incitação à violência, afirmações falsas e violação de regras das plataformas.

Segundo indicou Dutra, é certo que a acção pode ter sido motivada por interesses económicos e políticos.

Mas, a curto prazo -- reiterou o autor -- este tipo de moderação pode ser eficaz no condicionamento das “fake news” e começar a traçar um melhor futuro para o ambiente virtual que, nos últimos anos, se tem caracterizado pela distorção e imposição de ideologias, estimulada pelo excesso de segmentação e de algoritmos.

O autor considera, por outro lado, que é urgente responder a algumas questões sobre a regulação do mundo “online”.

O Clube


Ao completar 40 anos de actividade ininterrupta o CPI – Clube Português de Imprensa tem um histórico de que se orgulha. Foi a 17 de dezembro de 1980 que um grupo de entusiastas quis dar forma a um projecto inédito no associativismo do sector. 

Não foi fácil pô-lo de pé, e muito menos foi cómodo mantê-lo até aos nossos dias, não obstante a cultura adversarial que prevalece neste País, sempre que surge algo de novo que escapa às modas em voga ou ao politicamente correcto.
O Clube cresceu, foi considerado de interesse público; inovou ao instituir os Prémios de Jornalismo, atribuídos durante mais de duas décadas; promoveu vários ciclos de jantares-debate, pelos quais passaram algumas das figuras gradas da vida nacional; editou a revista Cadernos de Imprensa; teve programas de debate, em formatos originais, na RTP; desenvolveu parcerias com o CNC- Centro Nacional de Cultura, Grémio Literário, e Lusa, além de outras, com associações congéneres estrangeiras prestigiadas, como a APM – Asociacion de la Prensa de Madrid e Observatório de Imprensa do Brasil.
A convite do CNC, o Clube juntou-se, ainda, à Europa Nostra para lançar, conjuntamente, o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, instituído pela primeira vez em 2013, em, homenagem à jornalista, que respirava Cultura, cabendo-lhe o mérito de relançar o Centro e dinamizá-lo com uma energia criativa bem testemunhada por quem a acompanhou de perto.
Mais recentemente, o Clube lançou os Prémios de Jornalismo da Lusofonia, em parceria com o jornal A Tribuna de Macau e a Fundação Jorge Álvares, procurando preencher um vazio que há muito era notado.
Uma efeméride “redonda” como esta que celebramos é sempre pretexto para um balanço. A persistência teve as suas recompensas, embora, hoje, os jornalistas estejam mais preocupados com a sua subsistência num mercado de trabalho precário, do que em participarem activamente no associativismo do sector.
Sabemos que esta realidade não afecta apenas o CPI, mas a generalidade das associações, no quadro específico em que nos inserimos. Seriam razões suficientes para nos sentarmos todos à mesa, reunindo esforços para preparar o futuro.
Com este aniversário do CPI fica feito o convite.

A Direcção


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A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
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