Sexta-feira, 7 de Agosto, 2020
Media

As notas de uma repórter brasileira sobre a violência digital

A jornalista Patrícia Campos Mello, repórter especial do “Folha de São Paulo”, foi galardoada com o prémio Maria Moors Cabot, da Faculdade de Jornalismo da Universidade Columbia.

A profissional conta com mais de 16 anos de carreira, durante os quais foi correspondente de guerra no Afeganistão e cobriu a epidemia de ébola na Serra Leoa.

Mais recentemente, Mello publicou um livro sobre o “discurso de ódio”, na internet, contra jornalistas, “A Máquina do Ódio: Notas de uma repórter sobre fake news e violência digital”.

Em entrevista para o “Observatório da Imprensa” -- associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- Mello falou sobre as suas principais influências e sobre o que a levou a publicar mais um livro.

Em 2018, Mello foi alvo de uma “onda” de ataques “online”. Em causa estava uma reportagem sobre a campanha presidencial de Bolsonaro, que estava a divulgar informações falsas sobre o Partido Trabalhista, via Whatsapp.

De acordo com a jornalista, a ideia do livro é, então, mostrar como as campanhas de desinformação corroem a democracia em países como os Estados Unidos, a Índia e o Brasil. Essas estratégias de comunicação são parte essencial dos chamados governos “tecnopopulistas” sendo, por isso, necessário responsabilizar as pessoas que patrocinam essas redes profissionais de “fake news”.



Segundo Mello, estas acções de desinformação são prejudiciais para o jornalismo, porque deslegitimam a imprensa crítica, e os repórteres. Assim, é importante que os profissionais não interajam com os ataques, para não “alimentarem o troll”. 


Por outro lado, a jornalista considera que estes ataques têm, muitas vezes, um cariz machista. “Uma boa maneira de descobrir isso é ler as críticas feitas a jornalistas mulheres nas redes sociais. São sempre comentários que se referem à aparência, à família. Raramente há uma crítica construtiva, ao conteúdo do trabalho. Essa é uma forma de machismo, e funciona como um desestímulo para jornalistas mulheres. Elas temem ataques às suas famílias e reputação quando fazem investigações, que desagradam a políticos.”


Assim, a autora reitera que a única maneira de combater a desinformação é “com boa informação (...) Tentar fazer com que reportagens -- com espaço para o contraditório, verificação de factos e investigação -- viralizem tanto quanto notícias falsas ou distorcidas”.


Leia o artigo original em “Observatório da Imprensa”

Connosco
A missão dos jornalistas é "controlar" o Estado para evitar a tirania em tempo de crise Ver galeria

As catástrofes sociais, paradoxalmente, podem ser benéficas para os jornalistas e para as empresas mediáticas, já que reforçam a importância de um serviço noticioso de qualidade para a segurança dos cidadãos, bem como  para o escrutínio do poder, defendeu José António Zarzalejos num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, perante uma situação catastrófica, os jornalistas anulam os discursos “anti media”, que visam descredibilizar o papel da imprensa, rotulando-a como difusora de “fake news”.

Ora, se a missão dos “media” fosse, de facto, enganar a sociedade, os jornalistas não teriam contribuído para a segurança dos cidadãos durante a pandemia, mas, sim, para o reforço de “teorias da conspiração” e outras formas de desinformação.

Sem os jornalistas, como agentes determinantes no espaço público -- defendeu o autor -- a pandemia teria sido completamente desregulada e ter-se-ia tornado uma praga incontrolável. 


Turquia controla nas redes sociais e condiciona liberdade Ver galeria

O parlamento turco aprovou um projecto de lei que reforça o controlo das autoridades nas redes sociais, um diploma controverso, que suscitou preocupações entre os defensores da liberdade de expressão.

A lei exige que as principais redes sociais, incluindo Twitter e Facebook, tenham um representante na Turquia e que cumpram as ordens dos tribunais turcos, no que toca à remoção de  conteúdos, sob pena de multas pesadas.

Segundo o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, as medidas são necessárias para combater o cibercrime e proteger os utilizadores de “injúrias”, salvaguardando, também, o “direito à privacidade”.

A lei deu os primeiros passos em Abril, mas acabou por ser retirada da agenda política. No início de Julho, o Presidente da Turquia insistiu na necessidade de “pôr ordem” nas redes sociais, depois de a filha e o genro terem sido alvo de insultos no Twitter.

O gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos defendeu, entretanto, que a nova legislação “vai minar o direito das pessoas a comunicar anonimamente”.


O Clube


À medida que prossegue o desconfinamento, apesar da  persistência de sinais que não nos libertam do sobressalto, a vida tem retomado a normalidade possível – ou a nova normalidade. 

Este site tem-se mantido activo, com actualizações diárias mesmo durante o período da emergência e da calamidade, recorrendo ao teletrabalho dos colaboradores do Clube. 

A recompensa, como já mencionámos, foi um expressivo crescimento de contactos, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares,  com mais 50,5% de sessões , comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Com este conforto,  e a diminuição habitual da actividade em Agosto, é a altura do CPI e deste site fazerem uma pausa de férias, com reencontro marcado, para o próximo dia 31, com os seus associados, parceiros, mecenas e  outros frequentadores regulares.

Cá estaremos para continuar a dar conta das iniciativas do Clube e de tudo o que de mais relevante se passar, em Portugal e no mundo, relacionado connosco,  em matéria de “media”, jornalismo e jornalistas. 

Atravessamos um período particularmente complexo  e cheio de incertezas. Mais uma razão para falarmos de nós e dos problemas que se colocam às redacções, cada vez mais condicionadas pelas vulnerabilidades das empresas editoras e pelos seus compromissos de  sobrevivência que, não raramente, agravam a sua dependência. 

Com uma crise sanitária e económica de contornos invulgares, que este Agosto sirva de reflexão nas férias possíveis. E até ao nosso regresso.



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Agenda
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena