Sexta-feira, 7 de Agosto, 2020
Media

Como evitar que o jornalismo seja uma carreira em vias de extinção

O jornalismo pode estar a tornar-se uma carreira em vias de extinção, defendeu Boanerges Lopes num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, por um lado, alguns governantes, como Jair Bolsonaro, têm vindo a restringir a liberdade de imprensa e a atacar, publicamente, os profissionais dos “media”. Este tipo de acções conduz à polarização ideológica e à descredibilização dos meios de comunicação social.

Por outro lado, os especialistas em “media” preocupam-se com a possibilidade de a conduta dos jornalistas estar a pôr em causa a sua própria profissão.

É o caso do professor e escritor Bernardo Kucinski que, numa carta dirigida a um arqueólogo hipotético, considerou que os jornalistas deixaram de preocupar-se com a prestação de um serviço público. 

Em vez disso -- reiterou Kucinski -- os profissionais dos “media” dedicam-se a satisfazer objectivos empresariais, deixando de lado a investigação e o estudo dos assuntos sobre os quais escrevem.


Além disso, os dados estatísticos têm-se mostrado pouco favoráveis à sobrevivência da profissão.


Num estudo do CareerCast, publicado no “site” da revista Exame, a profissão “repórter de jornal” foi classificada como a mais desfavorável de 2017. O “ranking” reuniu 200 profissões, em diversas áreas de actuação, com base em métricas como renda, oportunidades de ascensão, ambiente de trabalho e “stress”. 


Os dados referem-se ao mercado de trabalho nos Estados Unidos, mas, a nível mundial, as estatísticas são, também, desanimadoras.


De acordo com o relatório “Emprego dos Sonhos?”, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o jornalismo não chegou ao “Top 15” das “carreiras mais populares”.


Da mesma forma, repórteres, de todos os cantos do mundo, relatam, diariamente, as suas dificuldades em subsistir na profissão, já que os salários são, por norma, baixos. Além disso, os ataques contra os jornalistas -- particularmente, contra os jornalistas de investigação -- são cada vez mais recorrentes.


Dito isto, o autor considera essencial que haja mais debate sobre a importância dos “media”, porque negar o problema é abraçar a possibilidade da sua extinção.


Leia o artigo original em Observatório da Imprensa”

 

 
Connosco
A missão dos jornalistas é "controlar" o Estado para evitar a tirania em tempo de crise Ver galeria

As catástrofes sociais, paradoxalmente, podem ser benéficas para os jornalistas e para as empresas mediáticas, já que reforçam a importância de um serviço noticioso de qualidade para a segurança dos cidadãos, bem como  para o escrutínio do poder, defendeu José António Zarzalejos num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas”, editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Isto porque, perante uma situação catastrófica, os jornalistas anulam os discursos “anti media”, que visam descredibilizar o papel da imprensa, rotulando-a como difusora de “fake news”.

Ora, se a missão dos “media” fosse, de facto, enganar a sociedade, os jornalistas não teriam contribuído para a segurança dos cidadãos durante a pandemia, mas, sim, para o reforço de “teorias da conspiração” e outras formas de desinformação.

Sem os jornalistas, como agentes determinantes no espaço público -- defendeu o autor -- a pandemia teria sido completamente desregulada e ter-se-ia tornado uma praga incontrolável. 


Turquia controla nas redes sociais e condiciona liberdade Ver galeria

O parlamento turco aprovou um projecto de lei que reforça o controlo das autoridades nas redes sociais, um diploma controverso, que suscitou preocupações entre os defensores da liberdade de expressão.

A lei exige que as principais redes sociais, incluindo Twitter e Facebook, tenham um representante na Turquia e que cumpram as ordens dos tribunais turcos, no que toca à remoção de  conteúdos, sob pena de multas pesadas.

Segundo o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, as medidas são necessárias para combater o cibercrime e proteger os utilizadores de “injúrias”, salvaguardando, também, o “direito à privacidade”.

A lei deu os primeiros passos em Abril, mas acabou por ser retirada da agenda política. No início de Julho, o Presidente da Turquia insistiu na necessidade de “pôr ordem” nas redes sociais, depois de a filha e o genro terem sido alvo de insultos no Twitter.

O gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos defendeu, entretanto, que a nova legislação “vai minar o direito das pessoas a comunicar anonimamente”.


O Clube


À medida que prossegue o desconfinamento, apesar da  persistência de sinais que não nos libertam do sobressalto, a vida tem retomado a normalidade possível – ou a nova normalidade. 

Este site tem-se mantido activo, com actualizações diárias mesmo durante o período da emergência e da calamidade, recorrendo ao teletrabalho dos colaboradores do Clube. 

A recompensa, como já mencionámos, foi um expressivo crescimento de contactos, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares,  com mais 50,5% de sessões , comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Com este conforto,  e a diminuição habitual da actividade em Agosto, é a altura do CPI e deste site fazerem uma pausa de férias, com reencontro marcado, para o próximo dia 31, com os seus associados, parceiros, mecenas e  outros frequentadores regulares.

Cá estaremos para continuar a dar conta das iniciativas do Clube e de tudo o que de mais relevante se passar, em Portugal e no mundo, relacionado connosco,  em matéria de “media”, jornalismo e jornalistas. 

Atravessamos um período particularmente complexo  e cheio de incertezas. Mais uma razão para falarmos de nós e dos problemas que se colocam às redacções, cada vez mais condicionadas pelas vulnerabilidades das empresas editoras e pelos seus compromissos de  sobrevivência que, não raramente, agravam a sua dependência. 

Com uma crise sanitária e económica de contornos invulgares, que este Agosto sirva de reflexão nas férias possíveis. E até ao nosso regresso.



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Opinião
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Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo
10
Nov
Digital Media Europe 2020
10:00 @ Áustria - Viena